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• Cinema: Onde Vivem os Monstros, de Spike JonzeBrasilCoisa de malucoAi, ai... Um decreto do governo defende a censura à imprensa
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Rodrigo Paiva/ Folha Imagem![]() |
| DESUMANO O secretário Paulo Vannuchi, ex-militante de organização terrorista e artífice do decreto: se não foi com revólver, vai com caneta |
Era pior do que parecia - e a aparência já não
era nada boa. Em dezembro, o Decreto dos Direitos Humanos, gestado pelo secretário
especial de Direitos Humanos, o ex-terrorista de esquerda Paulo Vannuchi, provocou
uma crise nas Forças Armadas ao propor a revisão da Lei da Anistia
e a punição dos militares que cometeram crime de tortura durante
o regime ditatorial. O surto de revanchismo constrangeu até o presidente
Lula - obrigado a dizer que havia assinado o documento sem lê-lo. A afirmação
do presidente fica tanto mais surpreendente agora, quando se revela a amazônica
extensão do decreto cuja parte mais relevante ainda deve ser votada no
Congresso. É praticamente uma revogação da Constituição
Federal na garantia dos direitos democráticos mais básicos. Ao
longo de 73 páginas eivadas de vociferações ideológicas
e ataques ao "neoliberalismo" e ao agronegócio, o documento
volta a propor o controle da imprensa, a prática de referendos e outras
práticas de "democracia direta", e a criação
de leis que protegem invasores de terra em detrimento de suas vítimas.
Nos três casos, fica claro que a preocupação com os "direitos
humanos" figura no documento muito menos como propósito do que como
pretexto para tentar fazer descer goela abaixo da sociedade propostas que o
governo já tentou impingir-lhe de outras formas, sem sucesso.
Além de propor punições, que vão de multa à cassação de outorgas, a veículos de comunicação que publiquem informações consideradas contrárias aos direitos humanos, o decreto prevê um "acompanhamento editorial" das publicações de modo a elaborar um ranking de veículos que mais respeitam ou violam os ditos direitos (da forma como eles são compreendidos pelo governo, evidentemente). Em relação à questão agrária, as medidas que o Executivo pretende aprovar no Congresso não são menos estarrecedoras: o governo quer a "priorização" de "audiências públicas" entre fazendeiros e sem-terra antes que a Justiça conceda liminares no caso de invasões. Se houver mandado de reintegração de posse, o decreto sugere, candidamente, que o cumprimento da ordem seja "regulamentado". Como liminares constituem, por definição, medidas urgentes que se destinam a evitar prejuízos e ordem judicial é para ser cumprida e não regulamentada, resta evidente que o decreto visa a proteger os invasores e obstruir o acesso dos fazendeiros à Justiça.
O decreto produzido pelo ex-terrorista de esquerda Vannuchi - com a colaboração dos ministros Tarso Genro, da Justiça, e Franklin Martins, da Comunicação Social, sempre eles - não se limita, porém, a lançar ideias sobre como censurar a imprensa, extinguir o direito à propriedade e emular o sistema chavista de "consultas populares" como forma de neutralizar os poderes da República. Numa espécie de samba do petista doido, ele dispõe ainda sobre assuntos que vão do apoio às organizações de catadores de materiais recicláveis à mudança de nomes de ruas e prédios públicos - aqueles que não estiverem de acordo com o gosto dos bolcheviques que ora habitam o Planalto, claro.
Na juventude, o secretário Vannuchi tentou transformar o Brasil em uma ditadura comunista por meio da guerrilha - ele foi militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização terrorista esquerdista. Agora, no crepúsculo da vida, tenta fazê-lo à base de canetadas. De uma forma e de outra, o ex-terrorista de esquerda Vannuchi entrou para a história pela porta dos fundos. Seu decreto é como achar que se pode matar inocentes em nome de uma causa política: coisa de maluco.