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12 de dezembro de 2007
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Drogas, sexo e celulares

Os dramas dos adolescentes ricos de
Manhattan no seriado Gossip Girl

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Se você não ouviu falar de Gossip Girl, exibido no Brasil pelo canal pago Warner, imagine a über-patricinha Paris Hilton em seus tempos de colegial. Herdeira de um império hoteleiro, Paris deixou a escola para abraçar a carreira de celebridade. Mas, enquanto estudou, foi num exclusivíssimo colégio no lado oeste de Manhattan. De maneira semelhante, Blair Waldorf, Serena van der Woodsen e outros personagens do seriado pertencem a uma elite para lá de endinheirada e freqüentam um colégio chique no lado leste da ilha. Inspirado na série de livros homônima da escritora americana Cecily von Ziegesar (que já vendeu 4 milhões de cópias nos Estados Unidos e 80.000 no Brasil, pela editora Record), ela mesma egressa desse meio social, Gossip Girl oferece o vislumbre de um mundo restrito. À medida que as tramas progridem, contudo, também surge a sensação de déjà vu. Em muitos pontos, a série se mantém fiel à fórmula televisiva dos "dramas adolescentes", inaugurada há quase vinte anos com Barrados no Baile.

Até Barrados no Baile, que estreou em 1990, as angústias dos adolescentes constituíam um subtema de seriados familiares. O programa sobre a garotada de Beverly Hills, célebre bairro de Los Angeles, definiu balizas para um novo gênero, que teve outros sucessos como Dawson’s Creek, Felicity e The O.C. antes de chegar a Gossip Girl. O cenário principal passou a ser a escola, e não mais a casa, e alguns personagens se tornaram praxe: aqueles que estão no centro do sistema de "popularidade" dos colégios americanos, aqueles que não ligam muito para esse sistema e ainda os que ficam nas margens (porque têm menos dinheiro, ou alguma excentricidade). As tentações e os apuros da adolescência, como as drogas e a iniciação sexual, são temas obrigatórios – bem como as angústias que os pais impõem aos filhos com suas próprias complicações amorosas, ou os altos e baixos de sua vida financeira. Entre os clichês de Gossip Girl encontra-se, por exemplo, o personagem do menino inteligente e sonhador que mora no Brooklyn e se apaixona por uma ricaça. E embora se beba muito, fume-se maconha a céu aberto, e se fale incansavelmente sobre sexo, na conta final a série é bastante família.

Convencional na carpintaria e peculiar no mundo social que retrata, Gossip Girl talvez seja mais curiosa naquilo que tem a dizer sobre certos mecanismos da cultura pop e sobre o impacto da tecnologia na vida dos jovens. Grifes, nomes de bandas e celebridades são citados a todo instante, numa densa teia de referências – o que seria impensável nos tempos de Barrados no Baile. A presença da tecnologia talvez seja a grande novidade. Computadores portáteis e telefones com câmera e acesso rápido à internet não são apenas um item no bolso dos adolescentes: são ferramentas que fazem a história girar. Afinal, a "menina fofoqueira" do título alimenta um blog com as novidades mais quentes sobre a turma – que depois passa adiante cada anedota ou fotografia apimentada pelo sistema de mensagens do celular. Esse adolescente hiperequipado e hiperconectado não existe apenas em Gossip Girl. Na televisão americana, o seriado não chega a ser um estrondo de audiência. Onde ele se tornou um líder inconteste é no site de download de músicas e vídeos iTunes. Graças ao sucesso nessa nova plataforma, aumentaram suas chances de ganhar uma nova temporada no ano que vem.




 

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