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Edição 2038

12 de dezembro de 2007
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Gerações
Os yonseis

Na geração dos bisnetos dos imigrantes, os
olhos são cada vez mais redondos: 61% têm
pelo menos um ascendente não-japonês


Naiara Magalhães

 

Paulo Vitale

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Para os jovens, adolescentes e crianças que compõem a quarta geração de japoneses no Brasil, o que restou de herança dos seus antepassados não vai muito além da carga genética que resultou em um par de olhos puxados, rosto arredondado e cabelos lisos e escuros. "A maior parte dos yonseis não tem mais vínculos significativos com a comunidade japonesa", afirma o coordenador da comissão jovem da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, Claudio Kurita. Além do passar do tempo, outros motivos contribuem para isso. Um deles é o fato de que apenas 12% dos jovens da quarta geração hoje moram com os avós e só 0,4% deles vivem com os bisavós. Até recentemente, era comum que nos lares japoneses convivessem pelo menos três gerações. A mudança da comunidade para o ambiente urbano também teve papel fundamental no processo de abrasileiramento dos nikkeis, afirma a socióloga Amélia Shimidu, no livro Assimilação e Integração dos Japoneses no Brasil. No ambiente rural, a proximidade entre os membros da comunidade e a força das relações familiares fazem com que as tradições japonesas permaneçam mais vivas, ao contrário do que ocorre na cidade, onde em geral as relações são mais impessoais, diz a pesquisadora. Como 90% dos yonseis vivem na região urbana, tendem a assimilar mais os costumes brasileiros do que os japoneses.

Alguns hábitos, no entanto, resistem – e os culinários estão entre os mais renitentes, como mostra uma pesquisa de 2002, que levantou a influência da cultura de origem em estudantes nikkeis da Universidade Federal do Paraná (um terço deles, yonsei). De acordo com a autora, Rosa Maria Zagonel, embora os pratos brasileiros predominem no cardápio dos membros dessa geração, eles mantêm o hábito de comer freqüentemente o gohan (arroz branco japonês, sem tempero) e de consumir shoyu, verduras e legumes cozidos à maneira oriental. A pesquisa mostrou, ainda, que a maioria desses jovens não fala japonês, mas entende palavras e expressões domésticas básicas. Algumas práticas ligadas ao culto dos ancestrais, um dos pilares do budismo e do xintoísmo, também sobrevivem: muitos conservam em casa o butsudan, altar em que se colocam as fotos dos mortos da família, para quem os parentes oferecem água, comida e orações. Outra prática que persiste é a de levar, em velórios, um envelope preto e branco (o koden) com contribuição em dinheiro para os familiares do morto – um gesto ao mesmo tempo prático, já que visa a ajudar nas despesas dos funerais, e simbólico, por significar solidariedade diante da perda.

A mais recente pesquisa sobre a população de descendentes de japoneses residentes no Brasil indica também que os yonseis são muito mais receptivos do que as gerações anteriores ao casamento com não-descendentes (novo censo será coordenado, no ano que vem, pelo pesquisador Reimei Yoshioka). O fato de os próprios yonseis já terem, em sua maioria, um não-japonês na árvore genealógica (caso de 61% deles) leva a crer que os olhinhos puxados podem estar com os dias contados. Eles deverão ficar mais e mais redondos nas próximas décadas.

 

Quem são: bisnetos dos imigrantes japoneses

Quantos são: 13% da comunidade nipo-brasileira

Miscigenados*: 61%

Faixa etária: menos de 35 anos

Profissões mais comuns: estudantes e profissionais liberais nas áreas de exatas, biológicas e humanas

* Têm pelo menos um ascendente não-japonês

Fonte: "Pesquisa da população de descendentes de japoneses residentes no Brasil" (1988), Célia Oi, historiadora

 

 


1 Anderson Hashimoto (23 anos) – 2 Barbara Maruno (23 anos) – 3 Laís Oyama (8 anos) – 4 Camila Maeda (24 anos) – 5 Giovanna Yamaka (14 anos) – 6 Priscila Yamada (24 anos) – 7 Bruna Yazaki (10 anos) – 8 Bianca Yazaki (10 anos) – 9 Laryssa Maeda (9 anos) – 10 Mirian Shiozuka (25 anos) – 11 Cristina Kawakita (29 anos) – 12 Claudio Kurita (28 anos) – 13 Douglas Gomi (12 anos) – 14 Leticia Tacaoca (36 anos) – 15 Victor Nomura (19 anos) – 16 Henrique Tsubota (8 anos) – 17 Victória Tsubota (8 anos) – 18 Letícia Aida (9 anos) – 19 Julia Aniya (4 anos) – 20 Larissa Ishi (3 anos) – 21 Vitor Hideki (5 anos) – 22 Gustavo Katsuo (5 anos) – 23 Beatriz Haga (18 anos) – 24 Filipe Segui (1 ano) – 25 Caio Furushima (2 anos) – 26 Sabrina Yoshioka (7 anos) – 27 Henry Yoshioka (4 anos)

No círculo da bandeira nas págs. 78 e 79, começando da esquerda, no sentido anti-horário, estão onze integrantes da quinta geração, os gosseis: Victor Kato (8 anos), Helen Masuda (5 anos), Ian Yoshinari (7 anos), Erik Shimizu (3 anos), Nicholas Nomura (3 anos), Gabriela Aoki (2 meses), Vitor Kenzo (11 meses), Enzo Yasuda (4 anos), Danton Honda (1 ano), Gabriela Katsuragawa (4 anos), Audrey Hirano (7 anos)



 

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