A
editora Thaís Oyama, em Tóquio: reportagem no país de seus
antepassados
Em 18 de junho do
ano que vem, será comemorado o centenário da emigração
japonesa para o Brasil. Nesta edição, VEJA antecipa-se à
data, com a pu-blicação de uma reportagem de 45 páginas que
certamente interessará não apenas às pessoas com raízes
no Japão. Os brasileiros com ascendência japonesa formam um exército
de 1,2 milhão de pessoas. Em sua maioria esmagadora, eles integram uma
classe média laboriosa e bem-educada, que brilha nas áreas de engenharia,
arquitetura, medicina e computação, principalmente, para alegria
de seus pais e avós, oriundos do trabalho braçal nas lavouras. A
reportagem de VEJA mostra como as diversas gerações foram se integrando
com sucesso à sociedade brasileira. Também traz um capítulo
emocionante sobre vidas paralelas. Uma das histórias é a de duas
irmãs separadas pela imigração. Uma veio para o Brasil aos
10 anos, enquanto a outra teve de permanecer do outro lado do mundo. Os relatos
sobre o Japão atual, com suas peculiaridades sociais e demográficas,
são saborosos e informativos.
Para
fazer essa reportagem, VEJA destacou a editora Thaís Oyama. Acompanhada
pelo fotógrafo Paulo Vitale, ela permaneceu durante vinte dias no Japão.
Thaís entrevistou meia centena de pessoas. De especialistas em demografia
e autoridades a cidadãos comuns e dekasseguis como são chamados
os nipo-brasileiros que voltaram ao Japão em busca de emprego, outro fenômeno
abordado pela reportagem. Para Thaís, a viagem teve um significado duplamente
especial: ela é sansei. Ou seja, neta de imigrantes. Nascido na província
de Gifu, seu avô materno, Güichi Maeda, de 95 anos, chegou ao Brasil
em 1932. Ele trabalhou durante dois anos numa fazenda de café, no interior
de São Paulo, antes de fixar-se na cidade de Marília, onde se tornou
confeiteiro e conheceu a sua futura mulher, também japonesa. "Meu
avô foi esperto: casou-se com a filha do dono da confeitaria", diverte-se
Thaís. O senhor Maeda tem todos os motivos para sentir orgulho de sua neta.