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Edição 1 730 - 12 de dezembro de 2001
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DISCOS

 
Rede Bandeirantes/divulgação
Beth: tributo a um grande sambista  

Nome Sagrado, Beth Carvalho (JAM Music) – A cantora presta tributo a Nelson Cavaquinho, um dos grandes nomes do samba. Ex-policial e boêmio inveterado, ele nunca teve uma educação formal e tampouco era virtuose do violão – "cutucava" as cordas do instrumento com os dedos polegar e indicador. Mesmo assim, compôs melodias riquíssimas e alguns dos mais belos versos da música brasileira, como o famoso "Tire o seu sorriso do caminho / que eu quero passar com a minha dor". Beth Carvalho gravou vinte músicas do compositor, das clássicas Folhas Secas e A Flor e o Espinho às inéditas Cheira à Vela e Nem Todos São Amigos. A homenagem ainda recebe o reforço de Guilherme de Brito. Ex-parceiro de Nelson, ele é responsável por um momento emocionante do CD: canta, ao lado de Beth, a tradicional Pranto de Poeta.

Swing When You're Winning, Robbie Williams (EMI) – Robbie Williams é um dos astros mais fulgurantes do pop inglês: ex-integrante do grupo juvenil Take That, ele namorou a spice girl Geri Halliwell, teve um romance com a atriz Nicole Kidman e desafiou publicamente Liam Gallagher, vocalista do Oasis, para uma luta de boxe. Williams é um cantor acima da média, como prova em Swing When You're Winning. O disco traz recriações de sucessos do Rat Pack – a patota formada, nos anos 50, por Frank Sinatra, Dean Martin, Peter Lawford e Sammy Davis Jr. Atenção para duas faixas: a divertida Something Stupid, em que Williams faz dueto com Nicole Kidman, e It Was a Very Good Year, em que ele contrapõe sua interpretação aos vocais originais de Sinatra.

 

LIVROS

Bin Laden – O Homem que Declarou Guerra à América, de Yossef Bodansky (tradução de Helena Luiz e outros; Prestígio Editorial; 503 páginas; 34,90 reais) – Bem antes de Osama bin Laden ter dado o sinal verde para os atentados contra o World Trade Center e o Pentágono, o americano Yossef Bodansky já alertava para o perigo que ele representava. Especializado no estudo do terrorismo, Bodansky mostra como a organização de Laden, a Al Qaeda, deitou raízes em diversos países. Também explica como ele passou de rico herdeiro saudita a a radical entrincheirado no Afeganistão. Bodansky não lança luz sobre todos os pontos obscuros da biografia do terrorista, mas as qualidades do livro superam seus defeitos. O Homem que Declarou Guerra à América sai no Brasil com uma nova introdução, que contempla a tragédia de 11 de setembro.

Os Mil e Um Dias (tradução de Glória Magalhães; Labortexto Editorial e Oficina do Livro; 461 páginas; 34 reais) – O livro é um contraponto às Mil e Uma Noites. No célebre volume de contos, a odalisca Sherazade entretém, com suas narrativas, um príncipe desiludido com as mulheres. Aqui, é uma princesa quem sente aversão pelos homens e precisa ser convencida, pelas histórias de uma criada, de que nem todos são desprezíveis. Embora não existam registros exatos, há indícios de que o texto tenha sido escrito em persa, em meados do século XVII, pelo dervixe Mocles, inspirado em lendas indianas. A obra chegou ao Ocidente em 1710, traduzida pelo orientalista francês Pétis de la Croix. É a primeira vez que é editada na íntegra no Brasil. Uma delícia.

Pai dos Pobres?, de Robert M. Levine (tradução de Anna Olga de Barros Barreto; Companhia das Letras; 278 páginas; 32 reais) – O historiador americano Robert Levine já fizera uma contribuição de peso aos estudos da trajetória política de Getúlio Vargas com seu livro de 1970, O Regime de Vargas: os Anos Críticos 1934-1938. Agora, ele retorna ao assunto, com uma análise mais aprofundada da figura do caudilho e de seu peso na moderna história brasileira. O material utilizado é amplo e vai de documentos de governo a depoimentos de gente do povo. Levine apresenta um Getúlio que foi "produto de suas origens no Rio Grande do Sul, protetor de interesses poderosos, proponente do ativismo governamental e líder nacional que levou milhões a reverenciá-lo".

 

TELEVISÃO


Os Anjinhos: na versão adolescente

Rugrats – Todos Crescidos (sábado e domingo, dias 15 e 16, às 20h, na Nickelodeon) – Quando foi lançado nos Estados Unidos, em julho, esse especial dos Rugrats – ou Os Anjinhos, conforme o programa ficou conhecido na TV aberta – rendeu uma audiência recorde para a Nickelodeon. Dois terços das crianças que estavam diante da televisão sintonizaram o desenho animado de longa metragem, que comemora os dez anos da série sobre as estripulias caseiras de um grupo de crianças. Como o próprio nome sugere, o especial mostra os personagens na adolescência. Isso acontece graças a uma máquina do tempo improvisada, construída com um aparelho de karaokê. No futuro, Tommy, Chuckie, Angélica e companhia revelam-se fãs de uma popstar no estilo da brasileira Sandy – e por causa da cantora se envolvem numa trapalhada.

 

LITERATURA BRASILEIRA

Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo
Manoel de Barros;
Record;
64 páginas;
17 reais

Nos últimos quinze anos, Manoel de Barros consolidou sua fama de grande poeta. Quanto tempo vai durar esse engano? Seria bom que ele fosse visto logo em sua dimensão exata: a de autor secundário, com talento para fazer passar por invenção o que é diluição, e por profundidade o que é platitude. No final dos anos 40, ele deixou o Rio de Janeiro, onde estava morando, e foi cuidar da fazenda da família no Pantanal. Foi lá que encontrou o caminho que percorre até hoje. Ele valoriza as coisas mínimas. Professa uma espécie de animismo, que dá alma a insetos e pedras. Acha que o poeta é irmão dos loucos e das crianças. Cria neologismos e torce a sintaxe.

Um atalho para avaliar os méritos de Barros é contrapô-lo a seus ídolos. Com Guimarães Rosa, por exemplo, ele tomou gosto pela invenção lingüística. Mas, com freqüência, suas invenções soam canhestras – como no verso "dentro de mim eu me eremito". Num poema-homenagem que recheia seu novo livro, qualifica os experimentos do autor de Sagarana de "graças verbais". Em seu caso, eles não passam disso mesmo. Já em Alberto Caieiro (o heterônimo "pagão" do português Fernando Pessoa), Barros foi buscar uma filosofia calcada na pureza do olhar e na valorização do simples. Ocorre que a poesia de Caieiro propõe uma árdua ascese, que consiste em desvestir-se de todo dogma e preconceito até ser capaz de olhar o mundo como se fosse pela primeira vez. O mesmo não acontece em Barros. Sua pureza tem uma nota falsa. Ele é um "primitivo" que adora palavras pomposas. E que cede à tentação de versos pretensiosos: "No geral os caramujos têm uma voz desconformada por dentro. / Talvez porque tenham a boca trôpega." Nada disso tem sentido, mas ao leitor desavisado o autor pode passar por alguém com acesso privilegiado aos mistérios do mundo. Manoel de Barros é todo pose e artifícios. Para usar seus termos, tem "cacoetes para poeta" – mas raramente chega à grande poesia.

Carlos Graieb

 

   
 
 
 
 
Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura.  
   
 
   
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