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DISCOS
Rede Bandeirantes/divulgação
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| Beth:
tributo a um grande sambista |
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Nome
Sagrado, Beth Carvalho (JAM Music) A cantora presta tributo
a Nelson Cavaquinho, um dos grandes nomes do samba. Ex-policial e boêmio
inveterado, ele nunca teve uma educação formal e tampouco
era virtuose do violão "cutucava" as cordas do instrumento
com os dedos polegar e indicador. Mesmo assim, compôs melodias riquíssimas
e alguns dos mais belos versos da música brasileira, como o famoso
"Tire o seu sorriso do caminho / que eu quero passar com a minha dor".
Beth Carvalho gravou vinte músicas do compositor, das clássicas
Folhas Secas e A Flor e o Espinho às inéditas
Cheira à Vela e Nem Todos São Amigos. A homenagem
ainda recebe o reforço de Guilherme de Brito. Ex-parceiro de Nelson,
ele é responsável por um momento emocionante do CD: canta,
ao lado de Beth, a tradicional Pranto de Poeta.
Swing
When You're Winning, Robbie Williams (EMI) Robbie Williams
é um dos astros mais fulgurantes do pop inglês: ex-integrante
do grupo juvenil Take That, ele namorou a spice girl Geri Halliwell, teve
um romance com a atriz Nicole Kidman e desafiou publicamente Liam Gallagher,
vocalista do Oasis, para uma luta de boxe. Williams é um cantor
acima da média, como prova em Swing When You're Winning. O
disco traz recriações de sucessos do Rat Pack a patota
formada, nos anos 50, por Frank Sinatra, Dean Martin, Peter Lawford e
Sammy Davis Jr. Atenção para duas faixas: a divertida Something
Stupid, em que Williams faz dueto com Nicole Kidman, e It Was a
Very Good Year, em que ele contrapõe sua interpretação
aos vocais originais de Sinatra.
LIVROS
Bin
Laden O Homem que Declarou Guerra à América,
de Yossef Bodansky (tradução de Helena Luiz e outros; Prestígio
Editorial; 503 páginas; 34,90 reais) Bem antes de Osama
bin Laden ter dado o sinal verde para os atentados contra o World Trade
Center e o Pentágono, o americano Yossef Bodansky já alertava
para o perigo que ele representava. Especializado no estudo do terrorismo,
Bodansky mostra como a organização de Laden, a Al Qaeda,
deitou raízes em diversos países. Também explica
como ele passou de rico herdeiro saudita a a radical entrincheirado no
Afeganistão. Bodansky não lança luz sobre todos os
pontos obscuros da biografia do terrorista, mas as qualidades do livro
superam seus defeitos. O Homem que Declarou Guerra à América
sai no Brasil com uma nova introdução, que contempla
a tragédia de 11 de setembro.
Os
Mil e Um Dias (tradução de Glória Magalhães;
Labortexto Editorial e Oficina do Livro; 461 páginas; 34 reais)
O livro é um contraponto às Mil e Uma Noites.
No célebre volume de contos, a odalisca Sherazade entretém,
com suas narrativas, um príncipe desiludido com as mulheres. Aqui,
é uma princesa quem sente aversão pelos homens e precisa
ser convencida, pelas histórias de uma criada, de que nem todos
são desprezíveis. Embora não existam registros exatos,
há indícios de que o texto tenha sido escrito em persa,
em meados do século XVII, pelo dervixe Mocles, inspirado em lendas
indianas. A obra chegou ao Ocidente em 1710, traduzida pelo orientalista
francês Pétis de la Croix. É a primeira vez que é
editada na íntegra no Brasil. Uma delícia.
Pai
dos Pobres?, de Robert M. Levine (tradução de Anna
Olga de Barros Barreto; Companhia das Letras; 278 páginas; 32 reais)
O historiador americano Robert Levine já fizera uma contribuição
de peso aos estudos da trajetória política de Getúlio
Vargas com seu livro de 1970, O Regime de Vargas: os Anos Críticos
1934-1938. Agora, ele retorna ao assunto, com uma análise mais
aprofundada da figura do caudilho e de seu peso na moderna história
brasileira. O material utilizado é amplo e vai de documentos de
governo a depoimentos de gente do povo. Levine apresenta um Getúlio
que foi "produto de suas origens no Rio Grande do Sul, protetor de interesses
poderosos, proponente do ativismo governamental e líder nacional
que levou milhões a reverenciá-lo".
TELEVISÃO

Os
Anjinhos:
na versão adolescente |
Rugrats
Todos Crescidos (sábado e domingo, dias 15 e 16,
às 20h, na Nickelodeon) Quando foi lançado nos Estados
Unidos, em julho, esse especial dos Rugrats ou Os Anjinhos,
conforme o programa ficou conhecido na TV aberta rendeu uma
audiência recorde para a Nickelodeon. Dois terços das crianças
que estavam diante da televisão sintonizaram o desenho animado
de longa metragem, que comemora os dez anos da série sobre as estripulias
caseiras de um grupo de crianças. Como o próprio nome sugere,
o especial mostra os personagens na adolescência. Isso acontece
graças a uma máquina do tempo improvisada, construída
com um aparelho de karaokê. No futuro, Tommy, Chuckie, Angélica
e companhia revelam-se fãs de uma popstar no estilo da brasileira
Sandy e por causa da cantora se envolvem numa trapalhada.
| LITERATURA
BRASILEIRA |

Tratado
Geral das Grandezas do Ínfimo
Manoel
de Barros;
Record;
64
páginas;
17 reais |
Nos
últimos quinze anos, Manoel de Barros consolidou sua fama
de grande poeta. Quanto tempo vai durar esse engano? Seria bom que
ele fosse visto logo em sua dimensão exata: a de autor secundário,
com talento para fazer passar por invenção o que é
diluição, e por profundidade o que é platitude.
No final dos anos 40, ele deixou o Rio de Janeiro, onde estava morando,
e foi cuidar da fazenda da família no Pantanal. Foi lá
que encontrou o caminho que percorre até hoje. Ele valoriza
as coisas mínimas. Professa uma espécie de animismo,
que dá alma a insetos e pedras. Acha que o poeta é
irmão dos loucos e das crianças. Cria neologismos
e torce a sintaxe.
Um
atalho para avaliar os méritos de Barros é contrapô-lo
a seus ídolos. Com Guimarães Rosa, por exemplo, ele
tomou gosto pela invenção lingüística.
Mas, com freqüência, suas invenções soam
canhestras como no verso "dentro de mim eu me eremito". Num
poema-homenagem que recheia seu novo livro, qualifica os experimentos
do autor de Sagarana de "graças verbais". Em seu caso,
eles não passam disso mesmo. Já em Alberto Caieiro
(o heterônimo "pagão" do português Fernando Pessoa),
Barros foi buscar uma filosofia calcada na pureza do olhar e na
valorização do simples. Ocorre que a poesia de Caieiro
propõe uma árdua ascese, que consiste em desvestir-se
de todo dogma e preconceito até ser capaz de olhar o mundo
como se fosse pela primeira vez. O mesmo não acontece em
Barros. Sua pureza tem uma nota falsa. Ele é um "primitivo"
que adora palavras pomposas. E que cede à tentação
de versos pretensiosos: "No geral os caramujos têm uma voz
desconformada por dentro. / Talvez porque tenham a boca trôpega."
Nada disso tem sentido, mas ao leitor desavisado o autor pode passar
por alguém com acesso privilegiado aos mistérios do
mundo. Manoel de Barros é todo pose e artifícios.
Para usar seus termos, tem "cacoetes para poeta" mas raramente
chega à grande poesia.
Carlos
Graieb
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