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Pantanal
Fotos Araquém Alcântara

O
SHOW NATURAL
Nas águas do Pantanal há mais de duas centenas de espécies de peixe,
cobiçadas não apenas por pescadores: boa parte dos 650 tipos de ave
também tira seu alimento dos rios |
A maior planície alagada das Américas é um dos ecossistemas
mais preservados do mundo. Existem 260 espécies de peixe nas águas
do Pantanal e 650 tipos de ave. No Pantanal, misturam-se as águas
de dezenas de rios, tributários do Rio Paraguai, cuja bacia recebe
parte do degelo da Cordilheira dos Andes e parte das chuvas que caem sobre
o sul da Região Amazônica. Nessa imensa bacia, há lamaçais,
mosquitos, sapos e uma complexa cadeia alimentar, daí em diante,
que chega à onça-pintada, o grande predador local, passando
pela anta, um dos maiores mamíferos selvagens do Brasil. Entre um
ponto e outro dessa linha, 3,5 milhões de jacarés adultos
formam um verdadeiro tapete à beira de centenas de lagoas. A região
já teve grandes fazendas de gado, muitas delas agora transformadas
em hotéis e pousadas. Seu potencial turístico foi descoberto
primeiro pelos pescadores, interessados em jaús de mais de 100 quilos
e num dos mais briguentos e ariscos peixes da fauna brasileira, o dourado,
que, quando fisgado, salta da água e se sacode para tentar livrar-se
do anzol.
Hoje,
a região já tem estabelecimentos que oferecem mais duas
opções, uma para quem quer muito conforto e descanso no
meio da natureza preservada e outra para quem procura a aventura numa
paisagem rústica, mas faz questão de comida boa, lençóis
macios e brisa suave na hora de dormir. As grandes atrações
são os passeios a cavalo e de barco, vendo ariranhas que pegam
o peixe da mão do guia, condomínios de aves nas árvores,
pássaros que pescam com pontaria precisa. Sentir a voracidade das
piranhas em torno de um anzol, com iscas de carne, é um programa
imperdível. A mesa das boas pousadas, com fartura de assados, peixes,
aves e molhos, acaba com qualquer regime. É preciso passear muito
para dar conta das calorias. É imprescindível levar binóculo,
botinas e repelente.
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HOTÉIS
Rogério Montenegro
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Dois
empreendimentos marcam os extremos do tipo de hospedagem disponível
no Pantanal. A Fazenda Rio Negro, que foi cenário da famosa
novela, está há dois anos sob o comando da ONG Conservation
International. Ali o mato cresce solto, o casarão-sede, que
pertenceu à família do marechal Rondon, é rústico
e original, e os passeios podem ser feitos num jipão militar.
Não existe luxo, vêem-se insetos e rãs por toda
parte e a água, de poço, é amarronzada. Há
chuveiro elétrico e ar-condicionado nos quartos. O acesso,
só de avião (a 240 reais por passageiro e mínimo
de cinco viajantes), encarece o passeio mas lhe confere originalidade.
A diária é de 160
reais por pessoa. O Refúgio Ecológico Caiman (foto)
brilha pela infra-estrutura e pela organização. Os
guias andam fardados, como nos alojamentos africanos, e falam várias
línguas. O hotel tem piscina e
loja de suvenires. O leite e o queijo do café da manhã
são industrializados. O local sedia o
Projeto Arara-Azul, de preservação da ave. Oferece
diária a partir de 200 reais por pessoa. Outras boas opções
são a Pousada Pequi (pacotes de três dias a 303 reais),
às margens do Rio Aquidauana, a Pousada Mangabal (diária
de 145 reais), com muitos animais, a Pousada Araras Lodge (270 reais
o casal), com mirantes a 25 metros do solo, e a Fazenda Barra Mansa
(195
reais), que tem um guia para cada dois hóspedes.
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