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Edição 1 730 - 12 de dezembro de 2001
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Pantanal

Fotos Araquém Alcântara

O SHOW NATURAL
Nas águas do Pantanal há mais de duas centenas de espécies de peixe, cobiçadas não apenas por pescadores: boa parte dos 650 tipos de ave também tira seu alimento dos rios


A maior planície alagada das Américas é um dos ecossistemas mais preservados do mundo. Existem 260 espécies de peixe nas águas do Pantanal e 650 tipos de ave. No Pantanal, misturam-se as águas de dezenas de rios, tributários do Rio Paraguai, cuja bacia recebe parte do degelo da Cordilheira dos Andes e parte das chuvas que caem sobre o sul da Região Amazônica. Nessa imensa bacia, há lamaçais, mosquitos, sapos e uma complexa cadeia alimentar, daí em diante, que chega à onça-pintada, o grande predador local, passando pela anta, um dos maiores mamíferos selvagens do Brasil. Entre um ponto e outro dessa linha, 3,5 milhões de jacarés adultos formam um verdadeiro tapete à beira de centenas de lagoas. A região já teve grandes fazendas de gado, muitas delas agora transformadas em hotéis e pousadas. Seu potencial turístico foi descoberto primeiro pelos pescadores, interessados em jaús de mais de 100 quilos e num dos mais briguentos e ariscos peixes da fauna brasileira, o dourado, que, quando fisgado, salta da água e se sacode para tentar livrar-se do anzol.

Hoje, a região já tem estabelecimentos que oferecem mais duas opções, uma para quem quer muito conforto e descanso no meio da natureza preservada e outra para quem procura a aventura numa paisagem rústica, mas faz questão de comida boa, lençóis macios e brisa suave na hora de dormir. As grandes atrações são os passeios a cavalo e de barco, vendo ariranhas que pegam o peixe da mão do guia, condomínios de aves nas árvores, pássaros que pescam com pontaria precisa. Sentir a voracidade das piranhas em torno de um anzol, com iscas de carne, é um programa imperdível. A mesa das boas pousadas, com fartura de assados, peixes, aves e molhos, acaba com qualquer regime. É preciso passear muito para dar conta das calorias. É imprescindível levar binóculo, botinas e repelente.

 

HOTÉIS

 
Rogério Montenegro

Dois empreendimentos marcam os extremos do tipo de hospedagem disponível no Pantanal. A Fazenda Rio Negro, que foi cenário da famosa novela, está há dois anos sob o comando da ONG Conservation International. Ali o mato cresce solto, o casarão-sede, que pertenceu à família do marechal Rondon, é rústico e original, e os passeios podem ser feitos num jipão militar. Não existe luxo, vêem-se insetos e rãs por toda parte e a água, de poço, é amarronzada. Há chuveiro elétrico e ar-condicionado nos quartos. O acesso, só de avião (a 240 reais por passageiro e mínimo de cinco viajantes), encarece o passeio mas lhe confere originalidade. A diária é de 160 reais por pessoa. O Refúgio Ecológico Caiman (foto) brilha pela infra-estrutura e pela organização. Os guias andam fardados, como nos alojamentos africanos, e falam várias línguas. O hotel tem piscina e loja de suvenires. O leite e o queijo do café da manhã são industrializados. O local sedia o Projeto Arara-Azul, de preservação da ave. Oferece diária a partir de 200 reais por pessoa. Outras boas opções são a Pousada Pequi (pacotes de três dias a 303 reais), às margens do Rio Aquidauana, a Pousada Mangabal (diária de 145 reais), com muitos animais, a Pousada Araras Lodge (270 reais o casal), com mirantes a 25 metros do solo, e a Fazenda Barra Mansa (195 reais), que tem um guia para cada dois hóspedes.

 

 

   
 
   
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