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Hora do bicho-papão
Ágil
e com boas piadas, o desenho
Monstros S.A. é a resposta da
Disney ao ataque do ogro Shrek
Marcelo Marthe
Fotos Disney Enterprises
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| O
"esquadrão de elite" de Monstrópolis, com
o peludo Sullivan e o impagável Mike à frente |

Veja também |
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Nos últimos
tempos, a Disney vinha amargando uma fase de inferno astral nos cinemas.
A empresa não apenas viu o desenho Atlantis naufragar nas
bilheterias como ainda teve de engolir o sucesso de Shrek. O conto
de fadas satírico produzido pela DreamWorks de Steven Spielberg
tornou-se um dos campeões de público deste ano ao fazer
troça, justamente, de desenhos clássicos da concorrente,
como Branca de Neve e Cinderela. Os animadores da Disney
estavam assustados com a possibilidade de que a disputa do recém-criado
Oscar de animação em longa-metragem fosse uma barbada para
Shrek. Mas eis que a salvação surgiu no horizonte:
Monstros S.A. (Monsters, Inc., Estados Unidos, 2001),
que estréia no país nesta sexta-feira. O desenho, que tem
por mote o medo infantil de bicho-papão, conta com personagens
carismáticos. Eles têm fôlego suficiente para uma boa
briga com o verdolengo ogro da DreamWorks.

Bu,
a garota que causa confusão: uma das maiores bilheterias de
estréia da Disney |
Ao contrário
de Atlantis, uma história mal contada e desenhada em estilo
antiquado, Monstros S.A. foi feito sob medida para agradar à
garotada dos dias de hoje. Seu cenário é um mundo onde os
monstros utilizam os gritos de susto das crianças como fonte de
energia. Para captá-la, um esquadrão costuma cruzar as portas
mágicas que permitem chegar aos quartos infantis na Terra. Nesse
grupo, destacam-se Sullivan e seu parceiro Mike. O primeiro é o
mais eficiente pregador de sustos de Monstrópolis embora
na intimidade seja doce como um bicho de pelúcia. O segundo é
uma bolota verde-limão com um olho enorme e um senso de humor maior
ainda. A confusão começa quando, por acidente, a garotinha
Bu faz o caminho inverso e invade o mundo dos monstros. Desse ponto em
diante se desdobra uma trama com aquelas doses de ternura e bom-mocismo
típicas das produções Disney. Há também
cenas engraçadíssimas. Como a do restaurante japonês,
na qual Mike devora um sushizinho ao lado de sua paquera que também
só tem um olho e cabelos à la Medusa. Algumas seqüências
traem a intenção de fisgar os meninos fissurados em videogame.
Uma delas já nasce clássica: a perseguição
numa linha de montagem, em que 5,7 milhões de portas criadas em
computador circulam em alta velocidade.

Um
destaque da galeria de personagens: a criação é
da Pixar |
Quando estreou
nos Estados Unidos, em novembro, Monstros S.A. garantiu uma das
maiores bilheterias num fim de semana de estréia em toda a história
da Disney: 62 milhões de dólares. Mesmo agora, concorrendo
com o peso-pesado Harry Potter e a Pedra Filosofal, o desenho vem
se segurando bem nas salas de exibição. A alegria da Disney
com Monstros S.A. só não é maior porque ela
não é a sua única produtora. O filme é mais
um fruto de sua parceria com o estúdio de animação
digital Pixar, que já produziu sucessos como Toy Story e
Vida de Inseto. A Pixar, pertencente ao mago da informática
Steve Jobs (o criador do Macintosh), mantém há dez anos
um acordo com a Disney. Sua equipe é responsável não
só pela parte técnica mas também pela criação
dos roteiros. À Disney cabem a distribuição e a promoção
em escala planetária dos lançamentos. Assim como os custos
de produção, os lucros são divididos igualmente.
Nos meios cinematográficos, é dado como certo que a dobradinha
não tem um grande futuro. Com 600 funcionários e um patrimônio
avaliado em 2 bilhões de dólares, a Pixar deseja empreender
um vôo-solo. "O acordo com a Disney é produtivo, mas queremos
investir mais em nossa própria marca", declarou Steve Jobs recentemente.
Nos termos do contrato, a parceria entre as duas empresas ainda deve render
mais três filmes e estender-se até 2005.
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