Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 730 - 12 de dezembro de 2001
Brasil História

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Brasil
 

f" size="1"> Brasil
 

A CPI do Futebol chega ao fim
Os tucanos enfrentam a disputa Serra x Tasso
Lula em Cuba
A troca de comando na Petrobras
A Câmara trabalhou bem
A amante de João Goulart

Geral
Economia e Negócios
Especial
Guia
Artes e Espetáculos


colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
VEJA on-line
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Literatura brasileira
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Digite uma ou mais palavras:

Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Reportagens de capa 2000 | 2001
Entrevistas
2000 | 2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

A amante de Jango

O ex-presidente manteve por seis anos,
no exílio, um romance extraconjugal
com uma estudante

Diogo Schelp

Alexandre Sassaki

Jango, antes da deposição, cumprimentando o presidente americano John Kennedy: amigos sabiam

Não é segredo que o ex-presidente João Goulart, morto há 25 anos, sempre se aplicou em fazer novas conquistas amorosas. Poucos sabiam, porém, que um desses relacionamentos paralelos ao casamento com Maria Thereza durou vários anos e só acabou com a morte do presidente deposto, no exílio, em dezembro de 1976. Jango morava havia seis anos no Uruguai quando conheceu a jovem futura amante. Ela tinha cabulado aula e pedia carona na estrada, para ir de Maldonado, onde estavam, a Punta del Este, a vinte minutos de viagem. Nesse curto percurso, ele soube que aquela bonita colegial, um pouquinho acima do peso, tinha 17 anos, chamava-se Eva Deleón Gimenéz e era apaixonada por cavalos. Logo ele a convidava para visitar suas fazendas naquele país. Aos poucos foi seduzindo a estudante. O ex-presidente tinha 52 anos e dois filhos com a ex-primeira-dama – João Vicente e Denise. A família vivia em Montevidéu e raramente o acompanhava nas temporadas nas estâncias.

CPDOC/arq. família Vargas

CASOS QUE FIZERAM HISTÓRIA
Jango entra numa lista que tem outros nomes. Juscelino Kubitschek teve um romance de dezoito anos com Maria Lúcia Pedroso. A "bem-amada" de Getúlio Vargas teria sido Aimée Sotto Mayor Sá (a seu lado na foto)


Soube-se de Eva e de seu relacionamento com Jango durante os trabalhos de uma comissão da Câmara dos Deputados que investiga a hipótese de que o ex-presidente tenha sido assassinado. Eva, hoje com 48 anos, foi ouvida por um grupo de parlamentares em Montevidéu, em março passado. Na ocasião, descreveu as semanas que antecederam a morte de João Goulart e narrou com naturalidade o longo namoro que manteve com ele. Ela disse aos deputados que por muito pouco não estava na companhia do amante na noite em que ele morreu, numa fazenda da cidade de Mercedes, na Argentina. Jango a tinha procurado dois dias antes de mais uma viagem para a fazenda, mas acabou partindo com Maria Thereza, que pediu para acompanhá-lo. Jango, que comprovadamente tinha problemas de coração, morreu aos 58 anos, enquanto dormia, supostamente de ataque cardíaco. O atestado de óbito, conhecido recentemente, não registra a causa específica da morte.

A revelação de casos extraconjugais de presidentes brasileiros já falecidos acontece de tempo em tempo. Nos dois exemplos mais famosos, o de Getúlio Vargas e o de Juscelino Kubitschek, foi pelos diários que deixaram que se soube das amantes. Vargas manteve um romance de catorze meses com uma mulher que ele chama nos diários de "a bem-amada". Tudo aponta para Aimée Sotto Mayor Sá, que era casada com seu colaborador de governo Luis Simões Lopes. Juscelino teve um relacionamento de dezoito anos, até morrer, em 1976, aos 73 anos. Encontrava-se secretamente – registrando "audiências" no diário – com Maria Lúcia Pedroso, casada com o correligionário José Pedroso. Uma diferença no caso de infidelidade de João Goulart é que ele não se preocupava em esconder sua amante. Levava-a a restaurantes em companhia de amigos e passava com ela longos períodos nas fazendas. Quando queria vê-la, mandava um empregado buscá-la em seu avião particular. "Encontrei-a algumas vezes nas fazendas", conta João Vicente, filho de Jango, que é três anos mais novo que Eva. Um amigo a apontou na rua para Maria Thereza uma vez, em Punta del Este. A ex-primeira-dama sabia que ela era uma namorada do marido.

A moça se dava bem com os empregados de Jango, para os quais às vezes comprava presentes em Montevidéu. Mas se entediava depois de uma semana no campo. De classe média, nascida em Rosário, na Argentina, e criada em Maldonado, gostava mais de passear na Europa, para onde o amante a levou algumas vezes, que de "ficar contando ovelhinhas na fazenda". Jango fazia exames periodicamente em Lyon, na França, para tratar de problemas cardíacos. Nas viagens encontrava antigos colaboradores de governo, como Darcy Ribeiro e Celso Furtado. "Eu achava interessante, escutava e aprendia, mas depois me chateava", recorda Eva. Ela preferia fazer compras nas lojas de Paris. Jango recorria freqüentemente ao dinheiro para acalmar as mulheres. Também com a esposa, Maria Thereza, usava esse recurso. Amigos do ex-presidente contam que foi porque ele não lhe tinha dado um carro, como prometera, que Eva não aceitara acompanhá-lo na viagem às vésperas da morte dele. Ela afirma que não foi porque estava inaugurando uma loja de roupas.

Quando o ex-presidente morreu, Eva estava com 23 anos. Tinha abandonado os estudos desde que o conhecera. "Os três anos seguintes foram de terror, de um luto sofrido", ela conta, chorando. Passado esse período, conheceu outro homem e se casou. Antes, visitou o túmulo do ex-amante em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul. Eva vive hoje em um apartamento no décimo andar da Avenida Doutor Horacio Abadie Santos, a duas quadras do mar, quase no centro de Montevidéu. Mora com o marido, um comerciante de materiais elétricos, de quem incorporou o sobrenome Puig, e com as duas filhas gêmeas, de 19 anos. Tem fotos de Jango espalhadas no interior do apartamento e guarda cartas românticas que recebeu dele. Esse apartamento era do ex-presidente. Depois que ele morreu, Eva se estabeleceu na residência e não saiu mais. "Tentamos, sem sucesso, recuperar o imóvel na Justiça", diz Maria Thereza.

Os amigos do tempo de exílio dizem que Jango, em seus últimos anos de vida, tinha preferência pela companhia de Eva, mas mantinha outros namoros. "O Jango não usava essa coisa de amor, não", diz Deoclécio Barros Motta, de 79 anos, que foi capataz do ex-presidente. Jango apelidara Eva de "Gordinha". Hoje, ela tem excesso de peso e não se deixa fotografar. Veste-se elegantemente e, na opinião de muitos, ainda conserva no rosto os traços harmoniosos que encantaram João Goulart.

 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS