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Que Lula é
esse?
Em mais
uma visita a Cuba, o líder
petista se desmancha em elogios
ao ditador Fidel Castro
Mario Sabino
AP

Fidel
e Lula, em Havana: "Obrigado, Fidel Castro. Sua alma continua
limpa porque você não traiu os interesses do seu povo"
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Observe bem
a foto acima. À esquerda, está Fidel Castro. Há 42
anos, ele é ditador de Cuba, um país de 11 milhões
de habitantes engessado pelo comunismo e sem nenhuma importância
no cenário internacional. A seu lado, com ar de quem pede conselho,
está o nosso Luís Inácio Lula da Silva. Ex-líder
sindicalista que enfrentou o regime militar, fundador e presidente de
honra do PT, um dos mais importantes partidos brasileiros, Lula é
até o momento o favorito para ganhar a eleição de
2002 e se tornar presidente de uma nação democrática
de 170 milhões de habitantes e a nona economia do mundo. O petista
esteve em Havana, na semana passada, para participar de um encontro que
reuniu organizações e partidos de esquerda da América
Latina, alguns dos quais terroristas, como as Farc e o ELN colombianos
e o Tupac Amaru peruano. Foi a nona visita de Lula à ilha de Fidel
Castro. Será que ele precisava marcar presença nesse evento?
Antes que
alguém diga que esta página é uma aleivosia da "imprensa
burguesa", façamos um paralelo didático. O que pensar se
Roseana Sarney, nome forte do PFL para a próxima corrida presidencial,
deixasse de lado seus afazeres de governadora do Maranhão, para
tomar parte em um encontro de agremiações de direita, entre
elas grupos neonazistas e forças paramilitares, organizado por
uma ditadura sanguinária? Certamente seria possível desconfiar
do espírito democrático da governadora. Ainda mais se Roseana
se rasgasse em elogios ao tirano anfitrião de direita. Com os sinais
ideológicos invertidos, foi o que Lula fez em Havana. Em tom emocionado,
ele encerrou seu discurso com um louvor ao déspota Fidel Castro:
"Tenho absoluta noção das críticas que Cuba e o governo
cubano recebem todos os dias de grande parte da imprensa no Brasil e no
mundo. Mas vou lhes dizer: obrigado, Fidel Castro. Obrigado por vocês
existirem. Vocês dão demonstração todos os
dias de que é melhor fazer menos do que poderíamos fazer,
de cabeça erguida, do que ceder e perder a auto-estima é
melhor fazer pouco, mas com dignidade. A velhice é implacável:
debilita o nosso corpo e enruga a nossa pele mas a traição
aos ideais é pior, porque enruga a própria alma. Embora
o seu rosto esteja marcado por rugas, Fidel, sua alma continua limpa porque
você não traiu os interesses do seu povo".
Lula costuma
se referir ao regime de Fidel Castro como "modelo cubano". Já disse,
inclusive, que ele não pode ser reproduzido no Brasil. Mas é
curioso que o petista não chame a ditadura que ajudou a derrubar
no Brasil de "modelo militar". Se a democracia, para Lula, é um
valor universal e significa a garantia de eleições livres
e diretas, de livre-iniciativa econômica, de liberdade de associação
e de expressão, é recomendável que pare de usar eufemismos
quando o assunto é totalitarismo caribenho. Afinal de contas, a
escolha das palavras mostra (ou esconde) concepções de mundo.
Os eleitores brasileiros precisam saber que Lula é esse que faz
a louvação de Fidel Castro um homem que levou Cuba
a ter bons indicadores sociais, sim, mas à custa de métodos
semelhantes aos de Josef Stalin.
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