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A
adrenalina deles
cresce e aparece
Continua
a disputa no PSDB, só que agora
mais acelerada do que nunca
Maurício
Lima
Marcos Ribolli/Folha Imagem
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| O
ministro José Serra, da Saúde, em visita a um posto
médico batizado com seu nome: agenda de candidato dentro e
fora do partido |
Desde que
os tucanos perceberam que a escolha de seu candidato ao Palácio
do Planalto não seria feita no sossego dos chás de academia,
os bastidores do partido estão numa bulha danada. Na semana passada,
quem reinou foi o ministro José Serra, da Saúde, que disputa
a indicação com o governador do Ceará, Tasso Jereissati.
Em sua campanha eleitoral pelos bastidores, Serra nunca se movera de forma
tão intensa, e tão explícita, quanto nas últimas
semanas. Cabalando votos dentro do partido, o ministro viajou para Minas
Gerais, para discursar a empresários e apertar a mão de
correligionários, repetindo o percurso que Tasso fez há
um mês, e ainda compareceu a uma homenagem ao ex-governador Mário
Covas, em Brasília. Em busca de aliados fora do partido, jantou
com Michel Temer, presidente do PMDB, e almoçou com Jorge Bornhausen,
do PFL, a quem pediu que tentasse moderar a língua do deputado
Inocêncio Oliveira que disse que Serra não serve nem
para vice da governadora Roseana Sarney, a aposta pefelista para a sucessão
presidencial.
Além
de circular dentro e fora do partido, Serra se empenhou em conquistar
a simpatia do eleitor. No domingo, voltou a estrelar, dessa vez com uma
aparição de oito minutos, o programa de Gugu Liberato, do
SBT, falando, de novo, sobre um menino portador de uma doença rara,
conhecida como "ossos de vidro". No dia seguinte, esteve no Recife, inaugurando
uma fábrica de medicamentos, e aproveitou para dar um pulo no Rio
Grande do Norte, onde assinou convênio para a construção
de um hospital em Ceará-Mirim, cidade administrada pela mulher
do líder do PSDB no Senado, Geraldo Melo. Apesar da faina, o ministro,
fiel a seu estilo de ocupar todos os espaços vazios, não
se descuidou de ampliar seus domínios dentro do próprio
governo. Tinha todas as chances de emplacar seu devoto escudeiro, Roberto
Vieira da Costa, como novo titular da Secretaria de Comunicação
do Palácio do Planalto e guerreou, dessa vez sem sucesso, para
fazer o sucessor no comando do BNDES. "Se Fernando Henrique não
se cuidar, o Serra assume o governo antes mesmo das eleições",
ironizava um líder dos tucanos.
A azáfama
de Serra é resultado direto da ascensão da pefelista Roseana
Sarney nas pesquisas eleitorais, nas quais aparece em segundo lugar, atrás
apenas de Luís Inácio Lula da Silva, do PT. Não fosse
isso, o governo gostaria de escolher seu candidato lá por abril,
prolongando ao máximo o mandato de Fernando Henrique. A subida
de Roseana Sarney, no entanto, obrigou o tucanato a antecipar seus planos.
Nesta semana, o comando do partido deve decidir que fará uma pré-convenção
para escolher seu candidato em 16 e 17 de fevereiro do ano que vem. Votarão
779 convencionais, reunindo a bancada federal e membros indicados pelos
diretórios regionais. A definição dos convencionais
vem acontecendo em eleições que começaram no mês
passado e só terminarão em janeiro. Enquanto o colégio
eleitoral se define, Tasso e Serra estarão embrenhados na caça
aos votos dos convencionais. A disputa se concentrará nos três
Estados com maior número de delegados: São Paulo, Minas
Gerais e Paraná. "É hora de contar soldadinho", diz o líder
do governo no Senado, senador Artur da Távola.
Antonio Milena
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José Paulo Lacerda/AE
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| Tasso
inicia viagem aos Estados do Sul: em busca de votos |
Aécio
Neves, na homenagem a Covas: com a turma da União e Vitória |
Tasso Jereissati
também está mergulhado nessa batalha. Esteve nas duas últimas
semanas nos Estados Unidos, onde fez um check-up, mas desembarca de volta
empenhado no combate eleitoral. Há quinze dias, colheu uma vitória
em São Paulo. Elegeu um aliado para o comando do diretório
municipal do PSDB. Neste fim de semana, tem boas chances de eleger outro
aliado à presidência do diretório estadual do partido,
também em São Paulo. Em Minas Gerais, também área
vital na disputa, Tasso arrancou apoios numa visita há quatro semanas.
Ganhou a simpatia do ex-governador Eduardo Azeredo e do ministro das Comunicações,
Pimenta da Veiga. Juntos, Azeredo e Pimenta controlam cerca de 70% dos
votos que os mineiros levarão à convenção
tucana. Agora, ao voltar dos EUA, Tasso planeja visitar os três
Estados do Sul até o Natal incluindo, é claro, o
poderoso Paraná. "Quem imagina que Serra controla o partido vai
se surpreender com Tasso", diz o senador Lúcio Alcântara,
seu aliado.
Como não
há vácuo em política, e Serra e Tasso até
agora vão muito mal nas pesquisas eleitorais, um grupo de cinqüenta
deputados federais, todos do PSDB, está começando a acenar
com o nome de Aécio Neves, presidente da Câmara. Na maioria,
são deputados de primeiro mandato, sem expressão nacional,
mas com forte influência no comando do partido em seus Estados
e, portanto, com um balaio de votos na convenção. A turma,
que se autobatizou de "União e Vitória", tem feito reuniões
semanais, algumas com a presença de Aécio, e até
já mandou imprimir 1.000 adesivos com
o nome do deputado. Aécio desconversa, mas está viajando
o Brasil inteiro, sempre acompanhado de algum expoente da "União
e Vitória". Nesta semana, vai a Porto Alegre para uma palestra
sobre ética na política. Na seguinte, visitará o
Rio de Janeiro, onde deve ser recebido com trio elétrico e faixas
pelos correligionários. Como se vê, a bulha no PSDB não
acaba tão cedo.
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