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Edição 1 730 - 12 de dezembro de 2001
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A adrenalina deles
cresce e aparece

Continua a disputa no PSDB, só que agora
mais acelerada do que nunca

Maurício Lima

 
Marcos Ribolli/Folha Imagem
O ministro José Serra, da Saúde, em visita a um posto médico batizado com seu nome: agenda de candidato dentro e fora do partido

Desde que os tucanos perceberam que a escolha de seu candidato ao Palácio do Planalto não seria feita no sossego dos chás de academia, os bastidores do partido estão numa bulha danada. Na semana passada, quem reinou foi o ministro José Serra, da Saúde, que disputa a indicação com o governador do Ceará, Tasso Jereissati. Em sua campanha eleitoral pelos bastidores, Serra nunca se movera de forma tão intensa, e tão explícita, quanto nas últimas semanas. Cabalando votos dentro do partido, o ministro viajou para Minas Gerais, para discursar a empresários e apertar a mão de correligionários, repetindo o percurso que Tasso fez há um mês, e ainda compareceu a uma homenagem ao ex-governador Mário Covas, em Brasília. Em busca de aliados fora do partido, jantou com Michel Temer, presidente do PMDB, e almoçou com Jorge Bornhausen, do PFL, a quem pediu que tentasse moderar a língua do deputado Inocêncio Oliveira – que disse que Serra não serve nem para vice da governadora Roseana Sarney, a aposta pefelista para a sucessão presidencial.

Além de circular dentro e fora do partido, Serra se empenhou em conquistar a simpatia do eleitor. No domingo, voltou a estrelar, dessa vez com uma aparição de oito minutos, o programa de Gugu Liberato, do SBT, falando, de novo, sobre um menino portador de uma doença rara, conhecida como "ossos de vidro". No dia seguinte, esteve no Recife, inaugurando uma fábrica de medicamentos, e aproveitou para dar um pulo no Rio Grande do Norte, onde assinou convênio para a construção de um hospital em Ceará-Mirim, cidade administrada pela mulher do líder do PSDB no Senado, Geraldo Melo. Apesar da faina, o ministro, fiel a seu estilo de ocupar todos os espaços vazios, não se descuidou de ampliar seus domínios dentro do próprio governo. Tinha todas as chances de emplacar seu devoto escudeiro, Roberto Vieira da Costa, como novo titular da Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto e guerreou, dessa vez sem sucesso, para fazer o sucessor no comando do BNDES. "Se Fernando Henrique não se cuidar, o Serra assume o governo antes mesmo das eleições", ironizava um líder dos tucanos.

A azáfama de Serra é resultado direto da ascensão da pefelista Roseana Sarney nas pesquisas eleitorais, nas quais aparece em segundo lugar, atrás apenas de Luís Inácio Lula da Silva, do PT. Não fosse isso, o governo gostaria de escolher seu candidato lá por abril, prolongando ao máximo o mandato de Fernando Henrique. A subida de Roseana Sarney, no entanto, obrigou o tucanato a antecipar seus planos. Nesta semana, o comando do partido deve decidir que fará uma pré-convenção para escolher seu candidato em 16 e 17 de fevereiro do ano que vem. Votarão 779 convencionais, reunindo a bancada federal e membros indicados pelos diretórios regionais. A definição dos convencionais vem acontecendo em eleições que começaram no mês passado e só terminarão em janeiro. Enquanto o colégio eleitoral se define, Tasso e Serra estarão embrenhados na caça aos votos dos convencionais. A disputa se concentrará nos três Estados com maior número de delegados: São Paulo, Minas Gerais e Paraná. "É hora de contar soldadinho", diz o líder do governo no Senado, senador Artur da Távola.

 
Antonio Milena
José Paulo Lacerda/AE
Tasso inicia viagem aos Estados do Sul: em busca de votos Aécio Neves, na homenagem a Covas: com a turma da União e Vitória

Tasso Jereissati também está mergulhado nessa batalha. Esteve nas duas últimas semanas nos Estados Unidos, onde fez um check-up, mas desembarca de volta empenhado no combate eleitoral. Há quinze dias, colheu uma vitória em São Paulo. Elegeu um aliado para o comando do diretório municipal do PSDB. Neste fim de semana, tem boas chances de eleger outro aliado à presidência do diretório estadual do partido, também em São Paulo. Em Minas Gerais, também área vital na disputa, Tasso arrancou apoios numa visita há quatro semanas. Ganhou a simpatia do ex-governador Eduardo Azeredo e do ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. Juntos, Azeredo e Pimenta controlam cerca de 70% dos votos que os mineiros levarão à convenção tucana. Agora, ao voltar dos EUA, Tasso planeja visitar os três Estados do Sul até o Natal – incluindo, é claro, o poderoso Paraná. "Quem imagina que Serra controla o partido vai se surpreender com Tasso", diz o senador Lúcio Alcântara, seu aliado.

Como não há vácuo em política, e Serra e Tasso até agora vão muito mal nas pesquisas eleitorais, um grupo de cinqüenta deputados federais, todos do PSDB, está começando a acenar com o nome de Aécio Neves, presidente da Câmara. Na maioria, são deputados de primeiro mandato, sem expressão nacional, mas com forte influência no comando do partido em seus Estados – e, portanto, com um balaio de votos na convenção. A turma, que se autobatizou de "União e Vitória", tem feito reuniões semanais, algumas com a presença de Aécio, e até já mandou imprimir 1.000 adesivos com o nome do deputado. Aécio desconversa, mas está viajando o Brasil inteiro, sempre acompanhado de algum expoente da "União e Vitória". Nesta semana, vai a Porto Alegre para uma palestra sobre ética na política. Na seguinte, visitará o Rio de Janeiro, onde deve ser recebido com trio elétrico e faixas pelos correligionários. Como se vê, a bulha no PSDB não acaba tão cedo.

 
 
   
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