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A CBF perde votação
de goleada
Devassa
no futebol termina incriminando
dezessete cartolas e agora só falta
pegar o homem da mala
Alexandre
Oltramari
Eduardo Monteiro

Teixeira,
presidente da CBF: se for condenado, mais de nove anos de cadeia |
Quem será
João Guilherme dos Santos Almeida?
Na semana
passada, o Senado aprovou o relatório final da CPI do Futebol,
responsável pela maior devassa já feita no esporte em todos
os tempos. O documento, que revela o arsenal de fraudes dos principais
cartolas brasileiros, incrimina dezessete pessoas e foi aprovado com uma
goleada 12 a 0 , um placar raríssimo em CPIs. Entre
os indiciados há empresários como Reinaldo Pitta, que fez
fortuna comprando jogadores e depois os vendendo a clubes estrangeiros.
Há dirigentes de times, como o deputado federal Eurico Miranda,
do Vasco, e Edmundo Santos Silva, do Flamengo. Há também
presidentes de federações estaduais, como Eduardo José
Farah, de São Paulo, Elmer Guilherme, de Minas Gerais, e Eduardo
Viana, do Rio de Janeiro. O campeão de acusações,
contudo, é o presidente da Confederação Brasileira
de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. É acusado de crimes como lavagem
de dinheiro, sonegação de impostos, apropriação
indébita e evasão de divisas.
Mas quem
será João Guilherme dos Santos Almeida?
Como a documentação
à disposição dos senadores era farta, nenhum dos
integrantes da CPI ficou contra o indiciamento da cartolagem. Apenas o
senador Gilvam Borges, do PMDB do Amapá, amigão de Ricardo
Teixeira, criticou o relatório. Ainda assim, acabou votando a favor.
"A verdade é demolidora. Não há resistência
capaz de suportar provas documentais incontestáveis", afirmou o
senador Álvaro Dias, do PDT do Paraná, que presidiu a CPI.
"Nem os aliados de Ricardo Teixeira tiveram coragem de defendê-lo",
comemorou o senador Geraldo Althoff, do PFL de Santa Catarina, que relatou
o caso. Nesta semana, a papelada será encaminhada ao procurador-geral
da República, Geraldo Brindeiro, que deverá processar criminalmente
os acusados. Era o que Ricardo Teixeira mais temia. Se for considerado
culpado de todos os crimes dos quais é acusado, o cartola será
condenado a, no mínimo, nove anos e seis meses de cadeia. Pior:
já condenado a seis anos de prisão por sonegação,
sentença da qual está recorrendo, Teixeira perde o benefício
da liberdade concedido aos réus primários. Se sair sentença
incriminando-o, vai mesmo para o xilindró.
Mas,
afinal, quem é João Guilherme dos Santos Almeida?
João
Guilherme dos Santos Almeida é um nome que não apareceu
no relatório final da CPI, mas é o suspeito de tentar sabotá-la.
Até a semana passada, a Polícia Federal procurava o elemento,
mas já tinha duas certezas a seu respeito. A primeira: João
Guilherme é o nome com o qual se apresentou em Santa Catarina,
há duas semanas, o homem que tentou subornar o relator da CPI do
Futebol, senador Geraldo Althoff, para livrar a cara de Ricardo Teixeira
no relatório. No dia 25 passado, Althoff estava em sua casa, na
cidade de Tubarão, interior de Santa Catarina, preparando o relatório
final da CPI, quando foi procurado por um suposto enviado da CBF. O senador
não o recebeu. Preferiu despachar um assessor, que, mais tarde,
relatou ter ouvido uma proposta de suborno para que Althoff suavizasse
a situação de Ricardo Teixeira. Em troca, receberia dinheiro
para financiar sua campanha em 2002. Althoff chamou a polícia,
que investiga o caso há duas semanas. A tentativa de suborno já
foi confirmada pelo assessor de Althoff em depoimento à PF em Santa
Catarina. A dúvida era saber se o autor da tentativa de suborno
falava, de fato, em nome da CBF. Eis que aí surge a segunda certeza
da polícia.
Depois
de se encontrar com o assessor de Althoff, de quem ouviu um sonoro não
como resposta à proposta de suborno, João Guilherme se recolheu
a seu quarto no hotel San Silvestre, em Tubarão. Dali, telefonou
para um número no Rio de Janeiro, que pertence a Carlos Eugênio
Lopes. A ligação durou um minuto e 56 segundos. Foi o único
telefonema realizado por João Guilherme durante sua estada em Santa
Catarina. E quem é Carlos Eugênio Lopes? Ninguém menos
que o diretor do departamento jurídico da CBF. O delegado da PF
encarregado do caso, Roberto Schweitzer, não comenta o assunto,
mas já tem em mãos o primeiro indício de que o misterioso
João Guilherme pode ter sido mesmo enviado a Santa Catarina pela
cartolagem da CBF. Quando se trata da atual administração
da CBF, é difícil dizer onde está o fundo do poço,
mesmo depois de uma CPI. Ao que tudo indica, está mais longe do
que se imagina.
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