Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 730 - 12 de dezembro de 2001
Geral Crime
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Brasil
Geral
 

Com medo de viajar, os ricos gastam aqui mesmo
Hotéis ecológicos nos melhores refúgios naturais do país
A depressão é comum, mas ainda causa preconceito
Hebiatra, o médico do adolescente
Imagens inéditas de quatro dos maiores artistas do país
Lipoaspiração é a campeã das cirurgias plásticas
Americano reinventa patinete para substituir o carro
Velejador neozelandês é assassinado no Amapá

Economia e Negócios
Especial
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
VEJA on-line
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Literatura brasileira
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Digite uma ou mais palavras:

Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Reportagens de capa 2000 | 2001
Entrevistas
2000 | 2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Assassinado no Brasil

Ladrões matam a tiros, na
Amazônia, Peter Blake, o maior
navegador da atualidade

Leonardo Coutinho


AFP

Peter Blake: fim da viagem


Peter Blake era um herói para os neozelandeses, que comparam seus feitos nas águas à proeza realizada em 1953 por seu conterrâneo Edmund Hillary, o primeiro homem a escalar o Monte Everest. O herói foi morto a tiros em Macapá, a capital do Amapá, na quarta-feira passada, por um grupo de assaltantes que invadiu um dos veleiros mais sofisticados do mundo para roubar um bote inflável, um motor de popa e um punhado de relógios. O médico-legista que examinou o corpo informa que o mais famoso navegador da atualidade, o grande campeão do iatismo mundial e um ídolo que chegou a ser condecorado pela rainha da Inglaterra tomou dois tiros pelas costas. Armado com um rifle de calibre 38, ele reagiu ao assalto e tentava esconder-se do revide dos bandidos ao ser acertado. Blake apareceu no convés logo que os piratas subiram ao barco e estavam tentando render outros tripulantes. Havia uma pequena comemoração no grupo, pelo fim de uma etapa da viagem. Um dos tiros ficou alojado na musculatura do tronco de Blake. Outro atravessou o corpo, rompendo uma artéria e produzindo a morte por hemorragia em menos de três minutos. Os assaltantes foram presos na sexta-feira. Integravam uma das quadrilhas que agem na orla do Amapá assaltando embarcações. Esses ratos-d'água, como são conhecidos, fizeram 43 vítimas em torno na área de Macapá apenas no mês de novembro.

Blake e o grupo de pesquisadores que viajava no veleiro Seamaster tinham ancorado à tarde numa das enseadas mais bonitas da região, atraídos pela mansidão e limpeza das águas e pela brancura da areia. Estavam a 200 metros da Praia da Fazendinha, a 17 quilômetros de Macapá, um ponto que atrai muitos turistas -- e ratos-d'água. No dia seguinte, zarpariam para a Venezuela. Vinham do interior da Amazônia, encerrando mais um estágio da expedição que o navegador iniciou no ano passado com a intenção de explorar os principais ecossistemas do planeta. Na primeira etapa a bordo do superveleiro construído especialmente para essa aventura, o herói neozelandês explorou a Antártica. Ao passar pela Amazônia, chegou a receber a visita a bordo da primeira-ministra de seu país, Helen Clark, em Manaus. Ela passou vinte horas no Seamaster e definiu esse encontro como o ponto alto de sua viagem à América do Sul. "É terrível saber que mataram uma pessoa como Blake por coisas tão irrisórias", disse a primeira-ministra ao saber do crime. Em Macapá, iniciou-se logo depois do homicídio o jogo de empurra entre autoridades para livrar-se da responsabilidade por permitir que o barco parasse num lugar tão perigoso. A Polícia Civil informava que o navegador chegou à cidade sem avisar. A Polícia Federal, cujo posto foi visitado por tripulantes do veleiro para desembaraço de documentos, garantia que eles foram genericamente alertados sobre o risco de assalto. Paulo Matos, um brasileiro que estava a bordo, comunica que, na verdade, foi seguida a indicação de um oficial da Marinha, que os orientou a não ficar no porto, por ser uma área visada por ladrões.

Três homens abordaram o Seamaster enquanto um ficou aguardando ao volante de uma pequena embarcação. Eles tinham planejado o roubo depois de ver o barco ancorado na enseada. Todo de alumínio, o veleiro tem 36 metros de comprimento. Pode navegar em áreas muito rasas e também em mares agitados. Dotado dos mais modernos sistemas de navegação e filmagem subaquática, o barco serviu de inspiração para o novo modelo construído pelo navegador brasileiro Amyr Klink. Os bandidos, que tinham notado a passagem de parte da tripulação em terra durante o dia, chegaram gritando "money" apenas. No tiroteio, feriram outros dois pesquisadores neozelandeses. Um dos assaltantes teve a falange de um dos dedos arrancada por um disparo feito por Blake. A Polícia Federal diz que mais três homens deram apoio logístico à ação dos piratas. Blake, segundo amigos, já tinha enfrentado outros assaltos no mar e, supostamente, sabia como reagir em situações como essa.

Todo o mundo da vela atribui a Blake a profissionalização desse esporte. Em 1990, ele venceu a regata Whitbread de modo pouco usual no iatismo que se praticava até então. Os outros grupos eram compostos de amigos que se juntavam para fazer da volta ao mundo um grande passeio. O capitão tinha uma equipe profissional, com contratos de longo prazo. Planejava cada parte dos deslocamentos, queria recordes, tinha patrocinador que cobrava resultados. "Blake colocava todo mundo na linha sem tirar das pessoas o entusiasmo nem o prazer de velejar", recorda o iatista brasileiro Cacau Peters, que integrou uma equipe instruída pelo herói neozelandês. Entre outros feitos, Blake venceu em 1995 a America's Cup, a copa do mundo do iatismo. Foi a segunda vez que a prova não acabou vencida por americanos, em 145 anos de história. Em 2000, liderou a equipe da Nova Zelândia nessa mesma competição e venceu de novo. Quando decidiu abandonar as provas em nome do projeto ecológico, apoiado pela Organização das Nações Unidas, começou a realização de um sonho. "Agora, sim, estou na regata que importa", disse recentemente. "É uma corrida para ajudar o planeta." Blake tinha apenas 53 anos.

 

Os feitos de Blake

Navegou o suficiente para dar 28 voltas em torno da Terra

Venceu duas America's Cup, a copa do mundo do iatismo

Recebeu o título de Cavaleiro do Império Britânico

Bateu o recorde da regata Whitbread, de volta ao mundo com escalas

Bateu o recorde do Troféu Júlio Verne, de volta ao mundo sem escalas

Realizava havia um ano o projeto de navegar pelos principais ecossistemas do planeta

 

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS