
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
A roda reinventada
Projeto
de 100 milhões de dólares cria
patinete que pretende substituir o carro
AP

Criador
e criatura |
Nem um carro voador, nem um aparelho de teletransporte, nem, menos ainda,
um automóvel movido a hidrogênio, como se especulava na internet.
O projeto supersecreto anunciado com espalhafato no início do ano
como capaz de "mudar a civilização" é um patinete.
Bem, não um patinete qualquer. Uma espécie de scooter elétrico
para um só passageiro, a máquina é recheada de impressionante
parafernália eletrônica. A idéia é que se torne
sucesso de vendas quando chegar às lojas, no próximo ano,
substituindo os carros em pequenos percursos urbanos. Boa parte da expectativa
em torno do projeto de 100 milhões de dólares, que ganhou
nome-código de Ginger e agora foi rebatizado comercialmente de
Segway, deve-se ao homem por detrás da idéia: Dean Kamen,
um dos mais badalados inventores dos Estados Unidos. Ele ficou milionário
com o desenvolvimento da bomba automática de insulina, o aparelho
de diálise portátil e uma cadeira de rodas motorizada capaz
de subir escadas. O presidente Bill Clinton entregou-lhe pessoalmente
o Prêmio Nacional de Tecnologia.
Nada do
que ele fez se compara em ousadia com o projeto Segway. Com esse veículo,
que pesa 35 quilos e anda à velocidade máxima de 20 quilômetros
por hora, três vezes o ritmo de uma caminhada normal, Kamen espera
mudar até mesmo o modo com que o trânsito é organizado
nas grandes cidades. "O Segway significa a mesma evolução
que o automóvel representou em relação às
carroças", diz Kamen. A concepção do patinete é
realmente engenhosa. Sem acelerador nem freio, funciona como se percebesse
a intenção do condutor em seguir em frente, parar ou mesmo
dar marcha à ré. Não é magia, mas a aplicação
prática de um princípio já estudado: o corpo humano
emite pequenos sinais automáticos de suas intenções
de movimento. O sinal de seguir adiante é um leve deslocamento
para a frente. Um movimento no sentido contrário indica a necessidade
de frear. Sensores instalados na plataforma do patinete captam essas nuances
100 vezes por segundo e transferem os dados para dez microprocessadores,
que os traduzem em aceleração ou redução da
marcha. A resposta do equipamento é proporcional à intensidade
com que os movimentos são realizados. Um gesto brusco resulta numa
freada igualmente abrupta. Um repórter da revista Time,
que experimentou o veículo, garante que o sistema funciona.
A maquineta
tem dois motores elétricos, que acionam independentemente cada
roda. Giroscópios ajudam a manter o equilíbrio, evitando
quedas. Econômico, pode ser reabastecido em qualquer tomada e gasta
menos de 10 centavos de dólar por dia em energia elétrica.
Em janeiro, quando uma campanha milionária de marketing revelou
que Kamen trabalhava em um novo sistema de transporte, o presidente da
Apple, Steve Jobs, previu uma revolução equivalente à
da criação do computador pessoal. Jeff Bezos, presidente
da Amazon e um dos criadores do comércio eletrônico, declarou
que o aparelho ia produzir mudanças de comportamento comparáveis
às decorrentes do surgimento da internet. A editora da Universidade
Harvard pagou adiantado 250.000 dólares
pelo direito de publicar um livro sobre o desenvolvimento do projeto.
O uso do veículo está sendo testado pelos Correios e pelo
Departamento de Parques Nacionais dos Estados Unidos e por algumas megaempresas,
como a General Electric. Kamen e seus sócios esperam vender 40
000 veículos no primeiro ano, a 3 000 dólares por peça.
A questão é: o Segway será algum dia algo além
de um brinquedo maravilhoso?
Foto divulgação

|
|
|
 |
|
 |

|
 |