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Edição 1 730 - 12 de dezembro de 2001
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Os doutores da
juventude

Problemas com seu filho adolescente?
Leve-o a um hebiatra

Karina Pastore


Antonio Milena

Monique, com o hebiatra Souza Lima: pediatra, não


A paulista Monique Lopes, de 15 anos, anda angustiada com as transformações que ocorreram em seu corpo nos últimos tempos. "Vejo um monte de defeitos em mim", choraminga ela. Preocupada com a crise de auto-estima de sua filha, a fotógrafa Giovanna Nucci resolveu buscar ajuda. Assim como tantos outros pais na mesma situação, marcou uma consulta com o pediatra da família. Afinal de contas, ele havia acompanhado os primeiros anos de Monique e poderia explicar-lhe que as suas aflições eram infundadas. Que ela era uma jovem igual às demais. "De jeito nenhum vou ao pediatra. A sala de espera é decorada com bichinhos na parede. Lá não é lugar para mim", protestou a moça. Depois de alguma pesquisa, Giovanna descobriu que havia médicos especializados no atendimento a adolescentes. São os hebiatras (o nome é uma referência a Hebe, a deusa da juventude na mitologia grega). A hebiatria foi reconhecida pela Associação Médica Brasileira em 1998. Para adquirir o título de especialista em adolescentes, o profissional tem de ser pediatra e passar por um exame que aborda, entre outros assuntos, crescimento, nutrição e sexualidade.

Desde que esse ramo da clínica foi reconhecido no país, 200 médicos se tornaram hebiatras. A especialidade começou a ganhar corpo na década de 50, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Ela surgiu da constatação de que, do ponto de vista biológico, nenhuma época da vida é marcada por tantas mudanças quanto a adolescência. Para se ter uma idéia, nessa fase a pessoa adquire 25% de sua estatura final e 50% de seu peso total. As metamorfoses psicológicas também são determinantes para moldar a personalidade do adulto. Por tudo isso, a atenção ao desenvolvimento físico e psíquico dos adolescentes é tão importante quanto a dispensada ao das crianças. Acrescentem-se a esses dados essenciais as circunstâncias enfrentadas hoje pelos jovens. Mais do que nunca, eles se mostram influenciados pelos modelos de beleza e de comportamento veiculados pela televisão e pelo cinema. Em busca de um corpo dos sonhos, os meninos recorrem à musculação e as meninas fazem dietas radicais. A falta de orientação nesse processo aumenta os riscos de eles terem problemas de crescimento e de elas padecerem de distúrbios alimentares graves – anorexia e bulimia, principalmente. Para não falar, é claro, das doenças sexualmente transmissíveis e da gravidez precoce, dois dos maiores pesadelos dos pais de adolescentes.

Um hebiatra não só pode prevenir tais problemas, como ajudar o adolescente a enfrentar seus tormentos existenciais. Inclusive, se for o caso, encaminhando-o a um psicólogo. A primeira consulta é sempre acompanhada pelos pais. O jovem passa por um questionário, é pesado, medido e informado de que, ao contrário do que supunha, ainda terá de tomar algumas vacinas – contra tétano, difteria, hepatite B e catapora. A partir da segunda sessão, o paciente pode entrar sozinho na sala do médico. "Sem os pais ao lado, ele tem liberdade para tocar em assuntos delicados e fundamentais, como o da sexualidade", constata o especialista Maurício de Souza Lima. Só de uma coisa um hebiatra não é capaz: de fazer um adolescente ficar menos "aborrescente".



   
 
   
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