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Os doutores da
juventude
Problemas
com seu filho adolescente?
Leve-o a um hebiatra

Karina Pastore
Antonio Milena

Monique, com o hebiatra Souza Lima: pediatra, não
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A paulista Monique Lopes, de 15 anos, anda angustiada com as transformações
que ocorreram em seu corpo nos últimos tempos. "Vejo um monte de
defeitos em mim", choraminga ela. Preocupada com a crise de auto-estima
de sua filha, a fotógrafa Giovanna Nucci resolveu buscar ajuda.
Assim como tantos outros pais na mesma situação, marcou
uma consulta com o pediatra da família. Afinal de contas, ele havia
acompanhado os primeiros anos de Monique e poderia explicar-lhe que as
suas aflições eram infundadas. Que ela era uma jovem igual
às demais. "De jeito nenhum vou ao pediatra. A sala de espera é
decorada com bichinhos na parede. Lá não é lugar
para mim", protestou a moça. Depois de alguma pesquisa, Giovanna
descobriu que havia médicos especializados no atendimento a adolescentes.
São os hebiatras (o nome é uma referência a Hebe,
a deusa da juventude na mitologia grega). A hebiatria foi reconhecida
pela Associação Médica Brasileira em 1998. Para adquirir
o título de especialista em adolescentes, o profissional tem de
ser pediatra e passar por um exame que aborda, entre outros assuntos,
crescimento, nutrição e sexualidade.
Desde que
esse ramo da clínica foi reconhecido no país, 200 médicos
se tornaram hebiatras. A especialidade começou a ganhar corpo na
década de 50, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Ela surgiu da
constatação de que, do ponto de vista biológico,
nenhuma época da vida é marcada por tantas mudanças
quanto a adolescência. Para se ter uma idéia, nessa fase
a pessoa adquire 25% de sua estatura final e 50% de seu peso total. As
metamorfoses psicológicas também são determinantes
para moldar a personalidade do adulto. Por tudo isso, a atenção
ao desenvolvimento físico e psíquico dos adolescentes é
tão importante quanto a dispensada ao das crianças. Acrescentem-se
a esses dados essenciais as circunstâncias enfrentadas hoje pelos
jovens. Mais do que nunca, eles se mostram influenciados pelos modelos
de beleza e de comportamento veiculados pela televisão e pelo cinema.
Em busca de um corpo dos sonhos, os meninos recorrem à musculação
e as meninas fazem dietas radicais. A falta de orientação
nesse processo aumenta os riscos de eles terem problemas de crescimento
e de elas padecerem de distúrbios alimentares graves anorexia
e bulimia, principalmente. Para não falar, é claro, das
doenças sexualmente transmissíveis e da gravidez precoce,
dois dos maiores pesadelos dos pais de adolescentes.
Um hebiatra
não só pode prevenir tais problemas, como ajudar o adolescente
a enfrentar seus tormentos existenciais. Inclusive, se for o caso, encaminhando-o
a um psicólogo. A primeira consulta é sempre acompanhada
pelos pais. O jovem passa por um questionário, é pesado,
medido e informado de que, ao contrário do que supunha, ainda terá
de tomar algumas vacinas contra tétano, difteria, hepatite
B e catapora. A partir da segunda sessão, o paciente pode entrar
sozinho na sala do médico. "Sem os pais ao lado, ele tem liberdade
para tocar em assuntos delicados e fundamentais, como o da sexualidade",
constata o especialista Maurício de Souza Lima. Só de uma
coisa um hebiatra não é capaz: de fazer um adolescente ficar
menos "aborrescente".
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