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Edição 1 730 - 12 de dezembro de 2001
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Buenos Aires não é aqui

AFP

Crise argentina: o inferno econômico do vizinho ficou do outro lado da fronteira

Como naquela anedota que diz tanto sobre a falta de conhecimento de geografia dos americanos, para boa parte dos analistas a capital do Brasil continuava sendo Buenos Aires. De algumas semanas para cá, aprofundou-se a percepção de que o Brasil é diferente de seus vizinhos da América Latina e, em especial, de seu sócio principal no Mercosul, a Argentina. Enquanto na semana passada o governo argentino se contorcia para adiar o desenlace de sua crise, o dólar no Brasil era negociado na quinta-feira em sua cotação mais baixa em quatro meses. Enquanto os títulos emitidos pelo governo argentino só encontravam compradores no exterior com a promessa de pagar 40% de juros acima da taxa cobrada nos Estados Unidos, os papéis brasileiros eram aceitos por compradores em troca de uma remuneração de 8% acima do custo do dinheiro nos EUA. Como no caso do dólar, essa diferença de tratamento é uma indicação significativa de que o mercado não está mais associando o Brasil à Argentina com o automatismo pavloviano de antes.

É uma excelente notícia para os brasileiros. Essa nova situação não garante imunidade contra as ondas de choque do anunciado desastre argentino. Certamente, o desenlace da crise platina vai tumultuar a vida econômica no Brasil. Mas há uma quase unanimidade entre os analistas de que seus efeitos negativos, ainda que fortes, serão passageiros. Por paradoxal que pareça, esse divórcio de imagem entre Brasil e Argentina é um passo necessário para a inevitável e, felizmente, desejável convergência das economias latino-americanas. Nos próximos anos, os países latinos terão de defrontar com o desafio da criação de um bloco comercial continental com a presença hegemônica dos Estados Unidos. Nesse cenário, o reconhecimento do Brasil como um país sólido politicamente e de economia mais estável que as dos vizinhos somadas será muito vantajoso para todos. Em contrapartida, a liderança vai atrair críticas e exigir de governo e oposições um compromisso muito maior com a governabilidade. Veja reportagem.

 
 
   
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