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Edição 1 730 - 12 de dezembro de 2001
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Amazônia


Fotos Araquém Alcântara

FRONTEIRA VERDE
As árvores escondem animais, insetos e mistérios que fascinam os visitantes: no meio da floresta, há também hotéis que permitem conhecer de perto a maior reserva natural do planeta


Não há cenário igual no mundo, mas é preciso saber olhar para ele. Frondosa e entrecortada de rios, a maior floresta do planeta tem cantos escuros, besouros de 20 centímetros, peixes que o homem ainda não catalogou, plantas que curam e lagos profundos e mais largos que o horizonte. Derrotou as tentativas de penetração dos colonizadores, enriqueceu e depois destruiu os barões da borracha, devorou uma das maiores estradas da Terra, a Rodovia Transamazônica, e continua alimentando sonhos grandiosos e demolindo ambições, como a do Projeto Jari. No turismo, a floresta vem sendo uma boa parceira de quem a respeita. Há pelo menos duas dezenas de empreendimentos espalhados pela selva, dos mais simples flutuantes que abrigam pescadores a sofisticados complexos que lembram os tais delírios amazônicos. Cada um atende a um tipo de público, mas quase todos proporcionam contato seguro com muitas belezas e com mistérios da região. O turista pode fazer trilhas na mata, com guias que mostram árvores duras como ferro e sonoras como um sino, cachoeiras e nascentes, cipós cheios de água, anestésicos ou venenosos, raízes mais altas que uma casa, aranhas de todas as cores e tamanhos, caboclos que vivem dois séculos atrás, mantendo casas de farinha, macacos barulhentos, araras idem, ruídos indecifráveis. De barco, pode-se experimentar a pesca do valente tucunaré, ver cardumes de botos, com alguma sorte também os grandes e rosados, procurar jacarés com o dobro do tamanho dos pantaneiros, entrar pelos canais estreitos, chamados igarapés, e nas áreas alagadas, os igapós, berçários que a cheia amazônica constrói para 3 000 espécies de peixe. A maioria dos hotéis de selva fica em áreas especiais, próximas de reservas ecológicas. Um desses parques, o do Jaú, tem 2 milhões de hectares, quase o tamanho da Bélgica. Um segredo da hospedagem na Amazônia é a localização próxima a rios de águas negras, que têm poucos mosquitos. Esse é só mais um segredo amazônico.

 

HOTÉIS

 
Divulgação

O hotel Ariaú Towers (foto) já é famoso no mundo todo. Erguido sobre palafitas, em prédios de vários andares interligados por passarelas, proporciona infra-estrutura entre o exótico e o luxuoso. Tem quatro bares e torres que permitem enxergar a floresta de cima para baixo. Oferece salas de vídeo e alguns quartos com ar-condicionado, tem flores de plástico espalhadas pelos ambientes e animais silvestres semidomesticados rondando mesas e objetos que brilham. Fica num local belíssimo, a duas horas de barco de Manaus, e já hospedou o rei Juan Carlos, da Espanha, e o dono da Microsoft, Bill Gates, entre outras celebridades. As diárias começam em 600 reais. Mais integrado ao ambiente, o Amazon Lodge (três dias por 495 dólares) apresenta seis módulos flutuantes num lago. Os quartos têm ventilador, o máximo de bagagem permitida é 5 quilos e os banheiros são coletivos. A natureza em volta e os passeios estão entre os melhores da Amazônia. Opções a considerar são também o Acajatuba Jungle Tower (390 reais, dois dias), com banheiros privativos e vista panorâmica no restaurante, o Amazon Eco Park (410 reais, dois dias), que está a 6 quilômetros de Manaus e por isso tem chuveiro e frigobar, e o Aldeia dos Lagos (368 dólares, quatro dias), distante, mas acessível de carro.

 

 

   
 
   
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