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Amazônia
Fotos Araquém Alcântara

FRONTEIRA
VERDE
As árvores
escondem animais, insetos e mistérios que fascinam os visitantes:
no meio da floresta, há também hotéis que permitem conhecer de perto
a maior reserva natural do planeta |
Não
há cenário igual no mundo, mas é preciso saber olhar
para ele. Frondosa e entrecortada de rios, a maior floresta do planeta
tem cantos escuros, besouros de 20 centímetros, peixes que o homem
ainda não catalogou, plantas que curam e lagos profundos e mais
largos que o horizonte. Derrotou as tentativas de penetração
dos colonizadores, enriqueceu e depois destruiu os barões da borracha,
devorou uma das maiores estradas da Terra, a Rodovia Transamazônica,
e continua alimentando sonhos grandiosos e demolindo ambições,
como a do Projeto Jari. No turismo, a floresta vem sendo uma boa
parceira de quem a respeita. Há pelo menos duas dezenas de empreendimentos
espalhados pela selva, dos mais simples flutuantes que abrigam pescadores
a sofisticados complexos que lembram os tais delírios amazônicos.
Cada um atende a um tipo de público, mas quase todos proporcionam
contato seguro com muitas belezas e com mistérios da região.
O turista pode fazer trilhas na mata, com guias que mostram árvores
duras como ferro e sonoras como um sino, cachoeiras e nascentes, cipós
cheios de água, anestésicos ou venenosos, raízes
mais altas que uma casa, aranhas de todas as cores e tamanhos, caboclos
que vivem dois séculos atrás, mantendo casas de farinha,
macacos barulhentos, araras idem, ruídos indecifráveis.
De barco, pode-se experimentar a pesca do valente tucunaré, ver
cardumes de botos, com alguma sorte também os grandes e rosados,
procurar jacarés com o dobro do tamanho dos pantaneiros, entrar
pelos canais estreitos, chamados igarapés, e nas áreas alagadas,
os igapós, berçários que a cheia amazônica
constrói para 3 000 espécies de peixe. A maioria dos hotéis
de selva fica em áreas especiais, próximas de reservas ecológicas.
Um desses parques, o do Jaú, tem 2 milhões de hectares,
quase o tamanho da Bélgica. Um segredo da hospedagem na Amazônia
é a localização próxima a rios de águas
negras, que têm poucos mosquitos. Esse é só mais um
segredo amazônico.
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HOTÉIS
Divulgação
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O
hotel Ariaú Towers (foto) já é famoso
no mundo todo. Erguido sobre palafitas, em prédios de vários
andares interligados por passarelas, proporciona infra-estrutura
entre o exótico e o luxuoso. Tem quatro bares e torres que
permitem enxergar a floresta de cima para baixo. Oferece salas de
vídeo e alguns quartos com ar-condicionado, tem flores de
plástico espalhadas pelos ambientes e animais silvestres
semidomesticados rondando mesas e objetos que brilham. Fica num
local belíssimo, a duas horas de barco de Manaus, e já
hospedou o rei Juan Carlos, da Espanha, e o dono da Microsoft, Bill
Gates, entre outras celebridades. As diárias começam
em 600 reais. Mais integrado ao ambiente, o Amazon Lodge (três
dias por 495 dólares) apresenta seis módulos flutuantes
num lago. Os quartos têm ventilador, o máximo de bagagem
permitida é 5 quilos e os banheiros são coletivos.
A natureza em volta e os passeios estão entre os melhores
da Amazônia. Opções a considerar são
também o Acajatuba Jungle Tower (390 reais, dois dias), com
banheiros privativos e vista panorâmica no restaurante, o
Amazon Eco Park (410 reais, dois dias), que
está a 6 quilômetros de Manaus
e por isso tem chuveiro e frigobar, e o Aldeia dos Lagos (368 dólares,
quatro dias), distante, mas acessível de carro.
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