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Diplomacia O vizinho amigoNa Colômbia e na Venezuela, o Brasil é Vladimir Netto Na quinta-feira passada, o presidente Fernando Henrique Cardoso embarcou para uma rápida visita a dois parceiros muito especiais, a Venezuela e a Colômbia. A primeira parada foi na Colômbia, onde Fernando Henrique conversou com o presidente Ernesto Samper e assinou acordos sobre combate ao narcotráfico e proteção ao meio ambiente. Depois, o presidente seguiu para a Ilha Margarita, na Venezuela, para participar com outros chefes de Estado da 7ª Reunião de Cúpula Ibero-Americana. Venezuela e Colômbia são países em que Fernando Henrique é recebido com dose extra de cortesia. É que o Brasil vem tratando os dois de maneira inédita na história recente da política externa brasileira. Sem fazer alarde, o Itamaraty intervém com freqüência na vida dos dois países, funcionando como um contrapeso à colossal influência dos Estados Unidos. Considera-se que o presidente da Venezuela, Rafael Caldera, deve boa parte de sua
vitamina política ao Brasil. Eleito em 1993 com apenas 26% dos votos em um país em que
não há segundo turno, Caldera tomou posse sem ter certeza de que permaneceria por muito
tempo na cadeira. Os Estados Unidos não gostavam dele. O sistema financeiro estava
prestes a entrar em colapso. E havia até a ameaça de um golpe militar. Isolado, Caldera
pediu socorro e, em março de 1994, numa viagem preparada às pressas, Itamar Franco e
oito ministros desembarcaram em La Guzmania, no litoral venezuelano, para dar uma
demonstração explícita de apoio a seu governo. "Foi uma atitude que deixou o
governo brasileiro com merecida autoridade entre os venezuelanos", afirma um
empresário com negócios nos dois países. De lá para cá, a situação estabilizou-se,
deixando os Estados Unidos mais aliviados do que incomodados com a interferência
brasileira, e o Brasil ganhou um aliado importante Na Colômbia, a atuação da diplomacia brasileira teve um peso simbólico importante.
Desde que Samper foi acusado por seu tesoureiro de campanha de ter recebido dinheiro do
narcotráfico, o presidente colombiano é visto com tanta antipatia pelos americanos que
pode ser preso se pisar em Miami Em nome da preservação da estabilidade política da região, a diplomacia brasileira está atraindo parceiros comerciais, procurando construir uma posição de liderança do Brasil no continente e aumentando seu cacife diante dos Estados Unidos. "Eles hoje nos respeitam mais e acham correto o papel que estamos assumindo", afirma o embaixador brasileiro em Washington, Paulo Tarso Flecha de Lima. "O mundo mudou e temos de nos prevenir contra problemas que podem afetar-nos em outros países", explica o embaixador Ronaldo Sardenberg, chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos.
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