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Leitor
Remédios Perfeita! Essa é
minha avaliação, como farmacêutica, da
reportagem "Remédios: sustos difíceis de
engolir" (5 de novembro). Há muito que espero
uma reportagem como essa. Abrangente, didática, esclarecedora,
enfim, completa. Facilita o dia-a-dia do profissional de saúde,
que às vezes tenta alertar os pacientes sobre os riscos
de alguns medicamentos e a importância de ler a bula,
mas que nem sempre é ouvido, tamanha a credibilidade
conquistada pelas megaindústrias farmacêuticas. Infelizmente a importância
dos estudos clínicos para o lançamento de um
novo medicamento passando pelas quatro fases
está sendo banalizada, e, por ser o maior financiador
de pesquisas de novas drogas, a indústria farmacêutica
sofre uma pressão econômica muito grande, preocupando-se
em recuperar os investimentos feitos (bilhões de dólares)
a qualquer custo. É importante lembrar que o fundamento
básico da pesquisa clínica é verificar
a segurança e a eficácia de um novo medicamento,
e que a responsabilidade de convidar pesquisadores que estejam
realmente comprometidos com o bem-estar dos pacientes é
do laboratório farmacêutico. Embora afirme inicialmente
haver "algo de nebuloso no universo dos remédios",
a própria reportagem fornece informações
e comentários de especialistas que evidenciam a transparência
e os cuidados que cercam o processo de desenvolvimento, testes
prévios e acompanhamento permanente da segurança
e eficácia dos medicamentos que chegam ao mercado.
Pode-se, sim, confiar nos laboratórios. Atualmente,
centenas de princípios ativos estão em diferentes
fases de pesquisa e desenvolvimento em indústrias farmacêuticas
nos EUA, na Europa e no Brasil, a um custo anual superior
a 75 bilhões de dólares, como parte de uma dinâmica
que produziu medicamentos importantes para o controle ou a
cura de doenças graves como aids, câncer, cardiopatias
etc. A medicina e a indústria farmacêutica, bem
como seus procedimentos e sistemas de controle, avançaram
muito nas últimas décadas, mas, infelizmente,
ainda não são infalíveis. Os farmacêuticos
de farmácias públicas ou particulares informam
a Anvisa sobre casos suspeitos de efeitos adversos e queixas
técnicas de medicamentos, minimizando problemas ou
mesmo antecipando-se a eles. Existem farmácias comunitárias
que prestam um serviço diferenciado e que em
breve estará disponível em todas: a atenção
farmacêutica. Trata-se de um procedimento que permite
aos pacientes (principalmente de doenças crônicas,
como diabetes e hipertensão) ser acompanhados e orientados
por farmacêuticos sobre interações medicamentosas,
efeitos colaterais e posologia. Esse serviço busca
sempre otimizar o tratamento desses pacientes, com atuação
conjunta de equipe multidisciplinar de médicos e nutricionistas,
entre outros. Por isso, saliento a importância de procurar
sempre o farmacêutico nos estabelecimentos de saúde.
Trata-se de um profissional habilitado a orientar sobre o
uso seguro e racional dos fármacos.
Os medicamentos
inibidores de COX-2 retirados do mercado pela Anvisa são
mais seguros que outros antiinflamatórios antigos.
Essa medida é contraditória e questionável.
Remédios mais antigos, vendidos muitas vezes sem controle
e sem prescrição médica, são muito
mais danosos, apresentam muito mais efeitos colaterais e reações
graves do que os inibidores de COX-2. No entanto, continuam
sendo vendidos livremente no mercado. Não existe medicação
sem riscos. Até vegetais são venenosos. Toda
e qualquer droga, em determinado paciente, pode apresentar
um efeito colateral que não apresentaria nos demais.
Por isso, a medicina é uma ciência individualizada,
em que cada prescrição serve apenas para aquele
enfermo. Entendo que a Anvisa necessita realizar seu papel
fiscalizador, mas deve também promover com o Ministério
da Saúde campanhas contra a automedicação,
que é responsável pela maior parte das internações
por intoxicação medicamentosa no país,
originando gastos com tratamento no SUS que poderiam ser plenamente
evitados. As indústrias
entraram no mercado de forma agressiva, desacreditando a manipulação
feita pelos farmacêuticos, situação que
hoje já se reverteu em parte. Em parte, porque as escolas
de medicina deixaram praticamente de ensinar os médicos
a formular, ou seja, a prescrever fórmulas. Além
de incentivarem o uso das especialidades farmacêuticas
em detrimento do uso das formulações, as indústrias
criaram equipes de visitação médica,
cheias de colorido, de conversas floreadas, que oferecem supostas
vantagens aos pacientes e reais vantagens aos doutores. Muitos
não aceitam. Na experimentação de um
novo medicamento, são feitas pesquisas em animais,
cada vez mais limitadas pela militância que os defende.
Os testes em voluntários humanos também são
feitos em número limitado. Isso significa que um efeito
colateral importante que ocorra, por exemplo, em apenas um
entre 10.000 pacientes poderá não ser detectado
nas pesquisas feitas pela indústria antes da comercialização
do medicamento. Isso significa que somos cobaias em potencial,
no nosso dia-a-dia. "A população
pede respeito, trabalho limpo e sensibilidade às indústrias
farmacêuticas. Confiamos nossa vida a seus medicamentos!"
Ambiente Qualquer criança
sabe que não pode gastar com balas mais do que recebe
de mesada, mas parece difícil para a humanidade, tão
desenvolvida, dominadora das mais diversas inovações
técnico-científicas, perceber que está
consumindo mais do que o ambiente pode prover. Espécies
em extinção, furacões, maremotos, desertificações.
O que mais será necessário para nos darmos conta
de que há algo errado? ("A Terra não agüenta",
5 de novembro) Seguramente, o maior
débito da humanidade é com a natureza. O passivo
ambiental é impagável e vem sendo cobrado de
forma assustadora. Sabemos que a renda da população
e o consumo estão fortemente relacionados. Entretanto,
vislumbramos alguns fatores que poderão minorar os
problemas futuros: fim do risco de explosão demográfica;
substituição dos combustíveis fósseis
por outras fontes de energia mais limpas; preocupação
crescente da sociedade e de seus dirigentes em relação
ao meio ambiente; introdução de sistemas de
cultivo mais ecológicos; produção de
alimentos mais ricos. Portanto, a conservação
e a preservação dos recursos naturais no dia-a-dia
transcendem a cidadania e passam a ser imprescindíveis
para a sobrevivência da humanidade. VEJA, em vários
números, apresenta à sua legião de leitores
essa preocupação, que deve ser de todos. Parabéns,
portanto! Tenho apenas 16
anos e fico triste ao saber que a humanidade está consumindo
mais do que a Terra pode fornecer. Se a minha geração
já está sentindo as conseqüências,
como será a vida dos meus filhos e netos?
Demétrio Magnoli Excelente a entrevista
com o sociólogo e geógrafo Demétrio Magnoli
(Amarelas, 5 de novembro). A clareza e a objetividade com
que ele trata a realidade política do país,
desmistificando um partido que se perdeu no engodo de sua
própria ideologia e que bateu o recorde de escândalos
nunca antes visto em nossa história recente, são
dignas de nota. Parabéns, VEJA, por nos deleitar com
tão agradável entrevista. Com relação
à entrevista de Demétrio Magnoli, gostaria de
informar que a afirmação do sociólogo
não considerou que o assunto RCTV foi exaustivamente
debatido no Senado, no ano passado. No dia 24 de maio, foi
aprovado na Comissão de Relações Exteriores
e Defesa Nacional um requerimento de iniciativa do senador
Eduardo Azeredo, e do qual fui um dos signatários,
encaminhando um apelo ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez,
para que fosse mantida "em funcionamento a rede privada
RCTV, cuja licença não estava sendo renovada".
Em 30 de maio, a decisão da CRE foi ratificada pelo
plenário do Senado Federal, ocasião em que reiterei
meu apoio ao inteiro conteúdo do referido requerimento. Caríssimo
Suplicy: sei bem que você é contrário
ao ato de Hugo Chávez de fechamento da RCTV e conheço
a história do requerimento no Senado. Contudo, na entrevista
que concedi a VEJA, referi-me especificamente à resolução
oficial do PT de apoio ao ato de Chávez. É,
na minha opinião, uma resolução gravíssima,
pois evidencia a facilidade com que o PT descarta os princípios
democráticos. Não conheço uma manifestação
sua de protesto contra aquela resolução. Até
onde sei, você não escreveu artigo na imprensa
e não organizou uma resistência no interior do
PT. Creio que sempre é tempo de fazer isso. É
o que espero do senador por São Paulo, que também
é uma das mais destacadas lideranças nacionais
petistas. Um grande abraço.
Deu no New York Times Li a excelente reportagem
"Deu no New York Times" (5 de novembro) e
comprei o livro. Ao se basear numa lei da ditadura, o governo
quase fez de Larry Rohter um Vito Miracapillo. Lula continua
bebendo e Larry Rohter escrevendo: Deu no New York Times. Entre todos os assuntos
que foram tratados na reportagem, a morte do prefeito Celso
Daniel é certamente o mais intrigante. Será
que, no vigésimo aniversário da nossa "Constituição
Cidadã", justamente no momento em que a imprensa
brasileira está assumindo e exercendo de fato seu papel
de quarto poder na democracia brasileira, nós ainda
dependeremos da astúcia e coragem de um estrangeiro
para denunciar um crime que envolve a mais alta cúpula
do partido do presidente da República?
Stephen Kanitz Estava faltando
uma análise como a de Stephen Kanitz, no artigo "O
fim dos homens alfa" (5 de novembro). Nenhum alfa brasileiro
previu essa crise. Antes de maio, todos tinham uma só
voz: o índice Bovespa chegaria a um patamar entre 70.000
e 80.000 pontos, no fim de 2008. Quando estourou a crise,
todos mudaram o discurso, afirmando que a situação
iria piorar, e, como verdadeiros alfa, ajudaram no estouro
da manada. Muito sensata a
posição do senhor Kanitz. Não se vêem
colocações desse tipo, tentando segurar o pânico
induzido por governantes incapazes e homens alfa que só
se preocupam com seu umbigo.
Romero Jucá 1) O ministro Cezar
Peluso determinou o arquivamento do Inquérito nº
2 221-7 a pedido do procurador-geral da República,
que reconheceu estar prescrita, como deveras está,
a pretensão punitiva, nos termos do art. 107, IV, do
Código Penal. É claríssimo, portanto,
que a iniciativa não foi nem poderia ser do ministro,
como se insinuou; 2) Quando se consuma prescrição,
reconhecida, aliás, pelo procurador-geral da República,
o Supremo Tribunal Federal não tem alternativa senão
pronunciá-la, declarando extinta a punibilidade e determinando
conseqüente arquivamento do inquérito, pois, ainda
quando não a pronunciasse, não se aplicaria
o disposto no art. 28 do Código de Processo Penal,
em sendo o procurador-geral da República titular exclusivo
da ação penal e a última instância
do Ministério Público Federal; 3) A decisão
de arquivamento não foi proferida "sem alarde",
nem clandestinamente, porque, como sucede com todas as decisões
da corte, foi já divulgada, na íntegra, no Diário
da Justiça Eletrônico, que é o órgão
oficial de publicações do Supremo, já
no dia 31 de outubro, com o número de identificação
do inquérito, o nome dos denunciados e dos advogados;
4) Tudo isso compõe quadro de procedimento legal velho,
rotineiro e conhecidíssimo do Supremo Tribunal Federal.
Veja Essa O presidente Lula,
ao dizer que o time dele foi para a segunda divisão
porque era o único título que o Palmeiras tinha
e o Corinthians não, provou mais uma vez o seu desconhecimento,
pois o Palmeiras é campeão da Libertadores da
América, título que o "Timão"
até hoje não conseguiu. Gostei mais da declaração
do Citadini na mesma página (Veja Essa, 5 de novembro).
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