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Edição 2086

12 de novembro de 2008
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Assuntos mais comentados

Remédios — 43
Ambiente — 21
Demétrio Magnoli (Entrevista) — 15
Stephen Kanitz — 10
Livro de Larry Rohter — 9

 

Remédios

Perfeita! Essa é minha avaliação, como farmacêutica, da reportagem "Remédios: sustos difíceis de engolir" (5 de novembro). Há muito que espero uma reportagem como essa. Abrangente, didática, esclarecedora, enfim, completa. Facilita o dia-a-dia do profissional de saúde, que às vezes tenta alertar os pacientes sobre os riscos de alguns medicamentos e a importância de ler a bula, mas que nem sempre é ouvido, tamanha a credibilidade conquistada pelas megaindústrias farmacêuticas.
Renata de Fraia D. Guedes
Farmacêutica
Guarulhos, SP

Infelizmente a importância dos estudos clínicos para o lançamento de um novo medicamento – passando pelas quatro fases – está sendo banalizada, e, por ser o maior financiador de pesquisas de novas drogas, a indústria farmacêutica sofre uma pressão econômica muito grande, preocupando-se em recuperar os investimentos feitos (bilhões de dólares) a qualquer custo. É importante lembrar que o fundamento básico da pesquisa clínica é verificar a segurança e a eficácia de um novo medicamento, e que a responsabilidade de convidar pesquisadores que estejam realmente comprometidos com o bem-estar dos pacientes é do laboratório farmacêutico.
Gláucio Spinelli
Clinical Research Coordinator do Hospital do Rim e Hipertensão – Unifesp
São Paulo, SP

Embora afirme inicialmente haver "algo de nebuloso no universo dos remédios", a própria reportagem fornece informações e comentários de especialistas que evidenciam a transparência e os cuidados que cercam o processo de desenvolvimento, testes prévios e acompanhamento permanente da segurança e eficácia dos medicamentos que chegam ao mercado. Pode-se, sim, confiar nos laboratórios. Atualmente, centenas de princípios ativos estão em diferentes fases de pesquisa e desenvolvimento em indústrias farmacêuticas nos EUA, na Europa e no Brasil, a um custo anual superior a 75 bilhões de dólares, como parte de uma dinâmica que produziu medicamentos importantes para o controle ou a cura de doenças graves como aids, câncer, cardiopatias etc. A medicina e a indústria farmacêutica, bem como seus procedimentos e sistemas de controle, avançaram muito nas últimas décadas, mas, infelizmente, ainda não são infalíveis.
Ciro Mortella
Presidente executivo da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica
Por e-mail

Os farmacêuticos de farmácias públicas ou particulares informam a Anvisa sobre casos suspeitos de efeitos adversos e queixas técnicas de medicamentos, minimizando problemas ou mesmo antecipando-se a eles. Existem farmácias comunitárias que prestam um serviço diferenciado – e que em breve estará disponível em todas: a atenção farmacêutica. Trata-se de um procedimento que permite aos pacientes (principalmente de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão) ser acompanhados e orientados por farmacêuticos sobre interações medicamentosas, efeitos colaterais e posologia. Esse serviço busca sempre otimizar o tratamento desses pacientes, com atuação conjunta de equipe multidisciplinar de médicos e nutricionistas, entre outros. Por isso, saliento a importância de procurar sempre o farmacêutico nos estabelecimentos de saúde. Trata-se de um profissional habilitado a orientar sobre o uso seguro e racional dos fármacos.
Viviany Nicolau de Paula Dias Coelho
Coordenadora do curso de farmácia do Centro Universitário Unieuro
Brasília, DF

 

Jodi hilton/Corbis/Latinstock
Relação promíscua
A médica Marcia Angell acusa: conselheiros da FDA estão na lista de pagamento dos laboratórios

Os medicamentos inibidores de COX-2 retirados do mercado pela Anvisa são mais seguros que outros antiinflamatórios antigos. Essa medida é contraditória e questionável. Remédios mais antigos, vendidos muitas vezes sem controle e sem prescrição médica, são muito mais danosos, apresentam muito mais efeitos colaterais e reações graves do que os inibidores de COX-2. No entanto, continuam sendo vendidos livremente no mercado. Não existe medicação sem riscos. Até vegetais são venenosos. Toda e qualquer droga, em determinado paciente, pode apresentar um efeito colateral que não apresentaria nos demais. Por isso, a medicina é uma ciência individualizada, em que cada prescrição serve apenas para aquele enfermo. Entendo que a Anvisa necessita realizar seu papel fiscalizador, mas deve também promover com o Ministério da Saúde campanhas contra a automedicação, que é responsável pela maior parte das internações por intoxicação medicamentosa no país, originando gastos com tratamento no SUS que poderiam ser plenamente evitados.
Carlos Fabian Seixas de Oliveira
Médico
Campos dos Goytacazes, RJ

As indústrias entraram no mercado de forma agressiva, desacreditando a manipulação feita pelos farmacêuticos, situação que hoje já se reverteu em parte. Em parte, porque as escolas de medicina deixaram praticamente de ensinar os médicos a formular, ou seja, a prescrever fórmulas. Além de incentivarem o uso das especialidades farmacêuticas em detrimento do uso das formulações, as indústrias criaram equipes de visitação médica, cheias de colorido, de conversas floreadas, que oferecem supostas vantagens aos pacientes e reais vantagens aos doutores. Muitos não aceitam. Na experimentação de um novo medicamento, são feitas pesquisas em animais, cada vez mais limitadas pela militância que os defende. Os testes em voluntários humanos também são feitos em número limitado. Isso significa que um efeito colateral importante que ocorra, por exemplo, em apenas um entre 10.000 pacientes poderá não ser detectado nas pesquisas feitas pela indústria antes da comercialização do medicamento. Isso significa que somos cobaias em potencial, no nosso dia-a-dia.
Isabel C. C. Bulhões
Farmacêutica
Por e-mail

"A população pede respeito, trabalho limpo e sensibilidade às indústrias farmacêuticas. Confiamos nossa vida a seus medicamentos!"
Carlos Eduardo Gadelha
João Pessoa, PB

 

Ambiente

Qualquer criança sabe que não pode gastar com balas mais do que recebe de mesada, mas parece difícil para a humanidade, tão desenvolvida, dominadora das mais diversas inovações técnico-científicas, perceber que está consumindo mais do que o ambiente pode prover. Espécies em extinção, furacões, maremotos, desertificações. O que mais será necessário para nos darmos conta de que há algo errado? ("A Terra não agüenta", 5 de novembro)
Mariana Albuquerque Rabelo
Goiânia, GO

Seguramente, o maior débito da humanidade é com a natureza. O passivo ambiental é impagável e vem sendo cobrado de forma assustadora. Sabemos que a renda da população e o consumo estão fortemente relacionados. Entretanto, vislumbramos alguns fatores que poderão minorar os problemas futuros: fim do risco de explosão demográfica; substituição dos combustíveis fósseis por outras fontes de energia mais limpas; preocupação crescente da sociedade e de seus dirigentes em relação ao meio ambiente; introdução de sistemas de cultivo mais ecológicos; produção de alimentos mais ricos. Portanto, a conservação e a preservação dos recursos naturais no dia-a-dia transcendem a cidadania e passam a ser imprescindíveis para a sobrevivência da humanidade. VEJA, em vários números, apresenta à sua legião de leitores essa preocupação, que deve ser de todos. Parabéns, portanto!
Manuel Souza Neto
Fortaleza, CE

Tenho apenas 16 anos e fico triste ao saber que a humanidade está consumindo mais do que a Terra pode fornecer. Se a minha geração já está sentindo as conseqüências, como será a vida dos meus filhos e netos?
João Antônio Almeida Bezerra da Rocha
Itabuna, BA

 

Demétrio Magnoli

Excelente a entrevista com o sociólogo e geógrafo Demétrio Magnoli (Amarelas, 5 de novembro). A clareza e a objetividade com que ele trata a realidade política do país, desmistificando um partido que se perdeu no engodo de sua própria ideologia e que bateu o recorde de escândalos nunca antes visto em nossa história recente, são dignas de nota. Parabéns, VEJA, por nos deleitar com tão agradável entrevista.
Jean Carlos Costa Soares
Parnaíba, PI

Com relação à entrevista de Demétrio Magnoli, gostaria de informar que a afirmação do sociólogo não considerou que o assunto RCTV foi exaustivamente debatido no Senado, no ano passado. No dia 24 de maio, foi aprovado na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional um requerimento de iniciativa do senador Eduardo Azeredo, e do qual fui um dos signatários, encaminhando um apelo ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para que fosse mantida "em funcionamento a rede privada RCTV, cuja licença não estava sendo renovada". Em 30 de maio, a decisão da CRE foi ratificada pelo plenário do Senado Federal, ocasião em que reiterei meu apoio ao inteiro conteúdo do referido requerimento.
Senador Eduardo Matarazzo Suplicy
Brasília, DF

Caríssimo Suplicy: sei bem que você é contrário ao ato de Hugo Chávez de fechamento da RCTV e conheço a história do requerimento no Senado. Contudo, na entrevista que concedi a VEJA, referi-me especificamente à resolução oficial do PT de apoio ao ato de Chávez. É, na minha opinião, uma resolução gravíssima, pois evidencia a facilidade com que o PT descarta os princípios democráticos. Não conheço uma manifestação sua de protesto contra aquela resolução. Até onde sei, você não escreveu artigo na imprensa e não organizou uma resistência no interior do PT. Creio que sempre é tempo de fazer isso. É o que espero do senador por São Paulo, que também é uma das mais destacadas lideranças nacionais petistas. Um grande abraço.
Demétrio Magnoli
São Paulo, SP

 

Deu no New York Times

Li a excelente reportagem "Deu no New York Times" (5 de novembro) e comprei o livro. Ao se basear numa lei da ditadura, o governo quase fez de Larry Rohter um Vito Miracapillo. Lula continua bebendo e Larry Rohter escrevendo: Deu no New York Times.
Illya Nathasje
Imperatriz, MA

Entre todos os assuntos que foram tratados na reportagem, a morte do prefeito Celso Daniel é certamente o mais intrigante. Será que, no vigésimo aniversário da nossa "Constituição Cidadã", justamente no momento em que a imprensa brasileira está assumindo e exercendo de fato seu papel de quarto poder na democracia brasileira, nós ainda dependeremos da astúcia e coragem de um estrangeiro para denunciar um crime que envolve a mais alta cúpula do partido do presidente da República?
Lucas Ribeiro Gonçalves Dias
Campo Grande, MS

 

Stephen Kanitz

Estava faltando uma análise como a de Stephen Kanitz, no artigo "O fim dos homens alfa" (5 de novembro). Nenhum alfa brasileiro previu essa crise. Antes de maio, todos tinham uma só voz: o índice Bovespa chegaria a um patamar entre 70.000 e 80.000 pontos, no fim de 2008. Quando estourou a crise, todos mudaram o discurso, afirmando que a situação iria piorar, e, como verdadeiros alfa, ajudaram no estouro da manada.
Antonio Guilherme Martins
Osasco, SP

Muito sensata a posição do senhor Kanitz. Não se vêem colocações desse tipo, tentando segurar o pânico induzido por governantes incapazes e homens alfa que só se preocupam com seu umbigo.
Eduardo Barros Millen
São Paulo, SP

 

Romero Jucá

1) O ministro Cezar Peluso determinou o arquivamento do Inquérito nº 2 221-7 a pedido do procurador-geral da República, que reconheceu estar prescrita, como deveras está, a pretensão punitiva, nos termos do art. 107, IV, do Código Penal. É claríssimo, portanto, que a iniciativa não foi nem poderia ser do ministro, como se insinuou; 2) Quando se consuma prescrição, reconhecida, aliás, pelo procurador-geral da República, o Supremo Tribunal Federal não tem alternativa senão pronunciá-la, declarando extinta a punibilidade e determinando conseqüente arquivamento do inquérito, pois, ainda quando não a pronunciasse, não se aplicaria o disposto no art. 28 do Código de Processo Penal, em sendo o procurador-geral da República titular exclusivo da ação penal e a última instância do Ministério Público Federal; 3) A decisão de arquivamento não foi proferida "sem alarde", nem clandestinamente, porque, como sucede com todas as decisões da corte, foi já divulgada, na íntegra, no Diário da Justiça Eletrônico, que é o órgão oficial de publicações do Supremo, já no dia 31 de outubro, com o número de identificação do inquérito, o nome dos denunciados e dos advogados; 4) Tudo isso compõe quadro de procedimento legal velho, rotineiro e conhecidíssimo do Supremo Tribunal Federal. 
Ministro Antonio Cezar Peluso
Brasília, DF

 

Veja Essa

O presidente Lula, ao dizer que o time dele foi para a segunda divisão porque era o único título que o Palmeiras tinha e o Corinthians não, provou mais uma vez o seu desconhecimento, pois o Palmeiras é campeão da Libertadores da América, título que o "Timão" até hoje não conseguiu. Gostei mais da declaração do Citadini na mesma página (Veja Essa, 5 de novembro).
José Roberto Marques
Santos, SP

 

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