Edição 1828 . 12 de novembro de 2003

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DVDs

Era uma Vez no Oeste (Once Upon a Time in the West, Itália/Estados Unidos, 1968. Paramount) – É só fazer as contas. Cada página de roteiro equivale a um minuto de filme. Era Uma Vez no Oeste tem 165 minutos de duração – mas, todos juntos, seus diálogos somam meras quinze páginas. O resto é direção de cena. O diretor italiano Sergio Leone (1929-1989) confiava na força de suas imagens, e com razão. Como muitos dos entrevistados nos extras desse disco duplo bem lembram, Leone filmava as paisagens como se fossem personagens, e o rosto de seus personagens como se fossem paisagens. Saído da bem-sucedida trilogia de faroestes-spaghetti protagonizados por Clint Eastwood (Por um Punhado de Dólares, Por alguns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito), o diretor inverteu de vez os sinais do western nessa sua megaprodução. Henry Fonda, o eterno homem íntegro, aqui é o sociopata que elimina os "obstáculos" – leia-se pessoas – no caminho de um magnata das ferrovias. No centro da trama está uma mulher (Claudia Cardinale). E, no lugar do tom triunfal e da apologia ao individualismo que vigoravam no gênero, o diretor instituiu uma visão cínica do Oeste, em que tudo é movido pela ganância. Leone amava os faroestes americanos – mas, ao revisá-los, operou uma mudança sem volta: de 1968 em diante, os homenageados é que passaram a prestar tributo a ele.

The Essential Clash, The Clash (Sony Music) – Encabeçado pelos guitarristas e vocalistas Joe Strummer e Mick Jones, o The Clash foi, ao lado do Sex Pistols, uma das principais bandas do movimento punk inglês. Musicalmente, no entanto, sempre foi superior aos concorrentes. Esse DVD reúne o melhor da produção do grupo, que ficou famoso por suas letras politizadas e pelo ecletismo – eles iam do rock pesado ao funk sem constrangimento. A energia do Clash nas doze músicas dessa compilação dispensa qualquer jogo de câmera. Vide o lendário clipe de London Calling, de 1979. The Essential Clash traz ainda um minidocumentário inédito filmado por Strummer, morto no ano passado.

 

LIVROS

Bangcoc 8, de John Burdett (tradução de Beth Vieira; Objetiva; 372 páginas; 48 reais) – Sonchai Jitpleecheep, herói desse thriller ambientado em Bangcoc, capital da Tailândia, é uma alma dividida: um tira violento que professa o budismo. Depois de encontrar um marine americano morto dentro de um Mercedes, vítima de picadas de serpentes, e de ver seu parceiro morrer na operação de resgatar o corpo, Sonchai mergulha no submundo da prostituição e do contrabando para solucionar o crime. O inglês John Burdett descreve os cenários e costumes tailandeses com conhecimento de causa: fez uma imersão na cultura local que incluiu até retiro num mosteiro budista.

O Inocente, de Ian McEwan (tradução de Alexandre Hubner; Companhia das Letras; 326 páginas; 42,50 reais) – O jovem inglês Leonard Marnham faz por merecer o título de "inocente". Funcionário dos Correios realocado para uma missão secreta na Berlim dividida dos anos 50, Leonard nada em águas profundas demais para sua pouca experiência – e é difícil dizer se Maria, a alemã com quem ele se envolve, servirá de bóia ou irá puxá-lo ainda mais para o fundo. Extremamente hábil na condução dessa trama noir, o escritor inglês Ian McEwan a certa altura faz um giro inesperado para o horripilante, e daí para o drama. Leia trecho do livro.

 
Victor Sokolowicz
Argan: arte italiana  

História da Arte Italiana, de Giulio Carlo Argan (tradução de Vilma De Katinszky; Cosac & Naify; 448 a 480 páginas; 89 reais cada volume) – Lançada entre 1968 e 1970, essa obra em três volumes do crítico de arte italiano Giulio Carlo Argan (1909-1992) tornou-se referência sobre o tema. A primeira tradução nacional da obra chega às livrarias com atraso de mais de trinta anos. Argan examina a arte italiana desde a pré-história até o movimento futurista, no século XX. São notáveis, sobretudo, suas análises sobre a obra dos mestres do Renascimento.

 

DISCOS

The Curse of Blondie, Blondie (Sony Music) – No fim dos anos 70, a cantora americana Debbie Harry, líder do Blondie, foi a musa do movimento conhecido como new wave. A banda voltou à ativa no fim dos anos 90, depois de mais de quinze anos de silêncio, surpreendentemente em forma: apesar dos quilinhos a mais, Debbie continuava cantando e compondo com a mesma energia dos tempos de hits como Hanging on the Telephone e Heart of Glass. Segundo álbum da banda com músicas inéditas desde então, The Curse of Blondie reafirma a boa fase da artista, hoje com 58 anos. É incrível: mesmo fazendo o pop assobiável e dançante de sempre, o grupo não soa nem um pouco antiquado, como se comprova em faixas como a excelente Good Boys.

Bounce, Terence Blanchard (EMI) – O trompetista americano é famoso por sua versatilidade. Ex-integrante da banda do lendário baterista Art Blakey (na qual ele entrou para substituir ninguém menos que Wynton Marsalis), Terence Blanchard assinou a trilha de diversas produções do cineasta Spike Lee e gravou discos dedicados à obra de Billie Holiday e a clássicos do cinema. Seu novo CD é inspirado na música latina. Blanchard reuniu um grupo de instrumentistas a fim de experimentar as diversas vertentes desse gênero. O bom resultado pode ser saboreado na faixa Azania, em que Blanchard adiciona à mistura influências de funk, e na belíssima balada Passionate Courage.

 

TELEVISÃO

Paulo Jares
Cabral: lembranças do poeta


Recife-Sevilha
(domingo, dia 9, às 21h, e segunda, à 1h, no GNT) – Entre julho e setembro de 1999, o poeta João Cabral de Melo Neto, que morreu em outubro do mesmo ano, abriu um parêntese no silêncio de seus últimos anos de vida. Por quatro horas e meia, falou em seu apartamento no Rio de Janeiro a uma equipe de vídeo chefiada por Bebeto Abrantes e Belisário Franca. O documentário explora a relação do poeta com Recife, onde nasceu, e Sevilha, onde viveu como diplomata. Além de imagens inéditas da vida pessoal e de viagens de João Cabral, Recife-Sevilha mostra um lado conversador pouco conhecido do poeta.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel; Belém: Nobel, Laselva.
 
 
 
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