|
|
VEJA
Recomenda
DVDs
Era
uma Vez no Oeste (Once Upon a Time in the West, Itália/Estados
Unidos, 1968. Paramount) É só fazer as contas.
Cada página de roteiro equivale a um minuto de filme. Era
Uma Vez no Oeste tem 165 minutos de duração
mas, todos juntos, seus diálogos somam meras quinze páginas.
O resto é direção de cena. O diretor italiano
Sergio Leone (1929-1989) confiava na força de suas imagens,
e com razão. Como muitos dos entrevistados nos extras desse
disco duplo bem lembram, Leone filmava as paisagens como se fossem
personagens, e o rosto de seus personagens como se fossem paisagens.
Saído da bem-sucedida trilogia de faroestes-spaghetti protagonizados
por Clint Eastwood (Por um Punhado de Dólares, Por alguns
Dólares a Mais e Três Homens em Conflito), o
diretor inverteu de vez os sinais do western nessa sua megaprodução.
Henry Fonda, o eterno homem íntegro, aqui é o sociopata
que elimina os "obstáculos" leia-se pessoas
no caminho de um magnata das ferrovias. No centro da trama está
uma mulher (Claudia Cardinale). E, no lugar do tom triunfal e da
apologia ao individualismo que vigoravam no gênero, o diretor
instituiu uma visão cínica do Oeste, em que tudo é
movido pela ganância. Leone amava os faroestes americanos
mas, ao revisá-los, operou uma mudança sem
volta: de 1968 em diante, os homenageados é que passaram
a prestar tributo a ele.
The
Essential Clash, The Clash (Sony Music) Encabeçado
pelos guitarristas e vocalistas Joe Strummer e Mick Jones, o The
Clash foi, ao lado do Sex Pistols, uma das principais bandas do
movimento punk inglês. Musicalmente, no entanto, sempre foi
superior aos concorrentes. Esse DVD reúne o melhor da produção
do grupo, que ficou famoso por suas letras politizadas e pelo ecletismo
eles iam do rock pesado ao funk sem constrangimento. A energia
do Clash nas doze músicas dessa compilação
dispensa qualquer jogo de câmera. Vide o lendário clipe
de London Calling, de 1979. The Essential Clash traz
ainda um minidocumentário inédito filmado por Strummer,
morto no ano passado.
LIVROS
Bangcoc
8, de John Burdett (tradução de Beth Vieira;
Objetiva; 372 páginas; 48 reais) Sonchai Jitpleecheep,
herói desse thriller ambientado em Bangcoc, capital da Tailândia,
é uma alma dividida: um tira violento que professa o budismo.
Depois de encontrar um marine americano morto dentro de um Mercedes,
vítima de picadas de serpentes, e de ver seu parceiro morrer
na operação de resgatar o corpo, Sonchai mergulha
no submundo da prostituição e do contrabando para
solucionar o crime. O inglês John Burdett descreve os cenários
e costumes tailandeses com conhecimento de causa: fez uma imersão
na cultura local que incluiu até retiro num mosteiro budista.
O
Inocente, de Ian McEwan (tradução de Alexandre
Hubner; Companhia das Letras; 326 páginas; 42,50 reais)
O jovem inglês Leonard Marnham faz por merecer o título
de "inocente". Funcionário dos Correios realocado para uma
missão secreta na Berlim dividida dos anos 50, Leonard nada
em águas profundas demais para sua pouca experiência
e é difícil dizer se Maria, a alemã
com quem ele se envolve, servirá de bóia ou irá
puxá-lo ainda mais para o fundo. Extremamente hábil
na condução dessa trama noir, o escritor inglês
Ian McEwan a certa altura faz um giro inesperado para o horripilante,
e daí para o drama. Leia
trecho do livro.
Victor Sokolowicz
 |
 |
| Argan:
arte italiana |
|
História
da Arte Italiana, de Giulio Carlo Argan (tradução
de Vilma De Katinszky; Cosac & Naify; 448 a 480 páginas;
89 reais cada volume) Lançada entre 1968 e 1970, essa
obra em três volumes do crítico de arte italiano Giulio
Carlo Argan (1909-1992) tornou-se referência sobre o tema.
A primeira tradução nacional da obra chega às
livrarias com atraso de mais de trinta anos. Argan examina a arte
italiana desde a pré-história até o movimento
futurista, no século XX. São notáveis, sobretudo,
suas análises sobre a obra dos mestres do Renascimento.
DISCOS
The
Curse of Blondie, Blondie (Sony Music) No fim dos
anos 70, a cantora americana Debbie Harry, líder do Blondie,
foi a musa do movimento conhecido como new wave. A banda voltou
à ativa no fim dos anos 90, depois de mais de quinze anos
de silêncio, surpreendentemente em forma: apesar dos quilinhos
a mais, Debbie continuava cantando e compondo com a mesma energia
dos tempos de hits como Hanging on the Telephone e Heart
of Glass. Segundo álbum da banda com músicas inéditas
desde então, The Curse of Blondie reafirma a boa fase
da artista, hoje com 58 anos. É incrível: mesmo fazendo
o pop assobiável e dançante de sempre, o grupo não
soa nem um pouco antiquado, como se comprova em faixas como a excelente
Good
Boys.
Bounce,
Terence Blanchard (EMI) O trompetista americano é
famoso por sua versatilidade. Ex-integrante da banda do lendário
baterista Art Blakey (na qual ele entrou para substituir ninguém
menos que Wynton Marsalis), Terence Blanchard assinou a trilha de
diversas produções do cineasta Spike Lee e gravou
discos dedicados à obra de Billie Holiday e a clássicos
do cinema. Seu novo CD é inspirado na música latina.
Blanchard reuniu um grupo de instrumentistas a fim de experimentar
as diversas vertentes desse gênero. O bom resultado pode ser
saboreado na faixa Azania, em que Blanchard adiciona à
mistura influências de funk, e na belíssima balada
Passionate Courage.
TELEVISÃO
Paulo Jares
 |
| Cabral:
lembranças do poeta |
Recife-Sevilha (domingo, dia 9, às 21h, e segunda,
à 1h, no GNT) Entre julho e setembro de 1999, o poeta
João Cabral de Melo Neto, que morreu em outubro do mesmo
ano, abriu um parêntese no silêncio de seus últimos
anos de vida. Por quatro horas e meia, falou em seu apartamento
no Rio de Janeiro a uma equipe de vídeo chefiada por Bebeto
Abrantes e Belisário Franca. O documentário explora
a relação do poeta com Recife, onde nasceu, e Sevilha,
onde viveu como diplomata. Além de imagens inéditas
da vida pessoal e de viagens de João Cabral, Recife-Sevilha
mostra um lado conversador pouco conhecido do poeta.
|