Edição 1926 . 12 de outubro de 2005

Índice
Stephen Kanitz
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"Vou emoldurar essa capa, pois representa o libelo da cidadania contra a máquina opressora do Estado não democrático."
Marcelo Gonçalves Pereira
Nova Friburgo, RJ

Referendo das armas

Finalmente alguém contestou o truque da pergunta sobre o referendo, cuja frase mal formulada vai induzir milhões de eleitores ao erro. Só poderia partir de VEJA, que orgulhosamente assino e cumprimento pela seriedade e transparência com que esclarece seus leitores. Com a reportagem "Referendo da fumaça" (5 de outubro), VEJA conseguiu elucidar dúvidas e elencar os motivos pelos quais se deve votar NÃO. Assim, presta um serviço à população, que tem o direito de ser orientada por meio da verdade dos fatos, e não de demagogia.
Izabel Avallone
São Paulo, SP

VEJA, pioneira nos grandes debates nacionais e corajosa como sempre, marca sua posição diante da questão do desarmamento. Temos de denunciar mais esse engodo, mal embrulhado até na formulação da pergunta para o referendo. Sob a falácia de contribuir para a redução da criminalidade, fecha-se na verdade o triângulo do crime: vitorioso o SIM, toda a sociedade civil estará exposta como vítima em potencial, dadas a falência do sistema de segurança operado pelo poder público e a progressiva motivação dos facínoras.
Paulo Morais
Recife, PE

É lamentável que um dos símbolos da vigilância democrática, guardiã das instituições e defensora de todas as boas causas nacionais e internacionais, se posicione tão equivocadamente. Embora respeitemos a opinião de VEJA, e dentro do princípio da liberdade de pensamento, acreditamos que de ora em diante refletiremos sete ou mais vezes antes de usar os subsídios da revista nas nossas discussões e na formação de opiniões.
Alceu Luiz Pereira
Araçatuba, SP

Foi com imensa satisfação que li a reportagem de VEJA sobre o referendo que será proximamente realizado, sobre a proibição do comércio de armas de fogo e munição. Eu já estava estranhando a ausência dessa revista em tão importante debate. Ao ler o texto, acendeu-se em mim a esperança de que, ao fim de tudo, prevaleça o bom senso.
Mário Ivan
Araújo Bezerra
Militar da reserva
João Pessoa, PB

O autor foi muito feliz, claro e objetivo nas suas teses. Clareou a mente de muitas pessoas. Eu sou professora nos dois níveis de ensino (educação básica – fundamental I e II – e superior, especialista em ensino de história) e levei a reportagem como subsídio para a discussão do assunto em sala de aula. Fiz debate, enquete em quase todas as salas em que leciono, e o NÃO ganhou disparado antes da reportagem – inclusive alguns alunos usaram os mesmos argumentos. Depois da reportagem, a temperatura da discussão elevou-se em 100%.
Maria de Lourdes da Silva
Picos, PI

Leitor assíduo e assinante de VEJA, nesta semana fiquei estarrecido com a capa da revista. No decorrer do tempo VEJA sempre procurou ser uma publicação imparcial em suas matérias e nos temas abordados. Eu esperava que isso se mantivesse com relação ao referendo das armas.
Renato César Bezerra Alves
Fátima do Sul, MS

Necessária a reportagem de VEJA sobre o referendo de 23 de outubro. Estou estudando na Suíça e todos os dias observo a calma e a paz de um país onde praticamente todo cidadão do sexo masculino possui o porte legal de uma arma de fogo. O desarmamento da população brasileira deixará a sociedade ainda mais fragilizada diante dos ataques dos bandidos.
Daniela Pompeu
Berna, Suíça

Poucas vezes tive oportunidade de ler matéria tão lúcida e esclarecedora. Refiro-me às sete razões para votar NÃO no dia 23 de outubro próximo. Desde a forma da pergunta tendenciosa do referendo até as explicações pedagógicas e os comparativos entre países. A cocaína sempre foi proibida e sempre foi consumida. VEJA mais uma vez está de parabéns em tomar um posicionamento responsável e longe das demagogias globais.
Joselito Tanios Hajjar
Londrina, PR

Na última VEJA, na página 83, onde se fala da proibição da venda de armas na Inglaterra, há uma incorreção que precisa ser retificada: "...calibre superior a 22 mm..." O calibre de armas de fogo nos Estados Unidos é dado em fração decimal de polegada: o calibre .22 significa 22 centésimos de polegada, o que, convertido para milímetros, vai dar: 0,22 x 25,4 = 5,59 mm. Quanto à proibição da venda de armas de fogo, sou a favor, já que civil não precisa andar armado. Quanto às armas do mercado negro que caem nas mãos de bandidos, é uma questão policial e deve ser resolvida nesse âmbito.
Tiago Veloso
São José dos Campos, SP

Felizmente, VEJA esclarece todas as dúvidas para o cidadão comum. Não se deve tirar mais um direito do cidadão. O Estado deveria melhorar a segurança nas cidades para que não seja necessária a compra de uma arma para uma pessoa se sentir segura em casa. Afinal, um simples símbolo de paz feito com as mãos não vai impedir um assaltante de usar uma arma contra o cidadão.
Eder Leite
Boa Vista, RR

A revista VEJA mostra sua coragem, independência e visão de futuro. O referendo da mentira vai decidir sobre o comércio legal de armas e munições. E quem vai decidir e impedir o comércio ilegal, que nos deixará, a todos, indefesos diante de bandidos cada vez mais ousados e impunes?
Luiz Carlos Nogueira
Coronel da Polícia Militar
www.adepom.com.br

A reportagem de capa sobre o referendo mostrou falta de compromisso com a sociedade brasileira. Precisamos é de informação e credibilidade dos meios de comunicação para podermos refletir e chegar cada um a sua própria conclusão, e não de respostas "mastigadas" e manipuladoras. O povo não necessita de uma elite pensante para decidir nossos votos. Obrigada pela atenção.
Patrícia Benetti Ikeda
Tupi Paulista, SP

Vi com enorme satisfação a corajosa matéria sobre o absurdo referendo proposto sobre o comércio de armas e munições. Considero essa iniciativa nada menos do que um crime contra a cidadania, o sagrado direito à defesa da vida, uma imposição a súditos, não a cidadãos.
Embaixador Oscar Soto
Lorenzo Fernandez

Por e-mail

A construção de um mundo melhor dependerá de nossa capacidade de reavaliar e mudar atitudes e condutas que vêm sendo ditadas desde que nos conhecemos por gente. Para isso, precisamos ser livres, e não prisioneiros das armas que nos prendem. A violência é fruto da nossa incapacidade de ver pelo menos uma oitava razão que nos permita resolver e lidar com a nossa própria violência.
Francisco Eduardo Gontijo Guimarães
São Carlos, SP

Não é à toa que VEJA é considerada uma das maiores e mais credenciadas revistas do mundo. A coragem, a independência e o compromisso com a verdade afloram como princípios básicos em suas reportagens. Essa atitude de VEJA faz com que até mesmo os leitores mais antigos como eu (sou assinante há mais de quinze anos) se surpreendam (de forma positiva) com seus posicionamentos.
Daniel Ferreira da Rocha
Jaboatão dos Guararapes, PE

A campanha do SIM conta com a participação de vários artistas. Alguns deles têm um verdadeiro exército particular protegendo-os ou às suas propriedades. Eles estão dispostos a abrir mão da sua segurança particular? Ou são da turma do "façam o que eu mando mas não façam o que eu faço"? Ou seriam ainda cidadãos acima dos demais?
Hermann Wecke
Darwin, NT, Austrália

Fiquei muito decepcionada com a matéria sobre o referendo das armas. Sendo um veículo de imprensa, deveria ter mostrado os dois lados quanto à votação, por que votar SIM e por que votar NÃO. Achei a matéria indutiva e desrespeitosa para com as pessoas que acreditam que devem votar SIM.
Simonne P.X. Provin
Cascavel, PR

Parabéns à revista VEJA por romper o bloqueio de vários veículos de comunicação e realizar uma reportagem bastante clara sobre o desarmamento e o que ele trará de prejuízos ao cidadão. Isso demonstra a independência e a responsabilidade desta revista, que muitas vezes já ajudou nosso país a ter as coisas mais claras. Pena não existirem outros com essa capacidade.
João Hallex Har Rolim
Santana do Livramento, RS

 

Colin J. Campbell

Excelente a entrevista com Colin Campbell (Amarelas, 5 de outubro). Já chegou ao fim a era da abundância do petróleo. Os preços do barril não mais refletem situações conjunturais, mas estruturais. Pode-se antever um mundo no qual o escasso recurso deixe de ser queimado para gerar eletricidade ou movimentar carros. Nesse quadro de grandes mudanças, a situação brasileira é de relativo, ou mesmo grande, conforto. Temos para os carros a opção já testada e aprovada do álcool. Nossa produção de eletricidade é, em quase sua totalidade, hidrelétrica. Hidreletricidade é uma energia limpa, barata e renovável, que pode ser produzida com mínimo impacto ambiental.
José Ricardo da Silveira
Foz do Iguaçu, PR

Fiquei impressionado com a quantidade de sandices ditas por Colin J. Campbell. Escudado sob um título de Ph.D. da Universidade de Oxford, o entrevistado, entre outros absurdos, afirma que o volume de produção de campos de petróleo é basicamente controlado pela natureza, não tendo nada a ver com tecnologia ou com investimentos. Continuando, o entrevistado diz que a tecnologia, ao permitir o aumento da produção (incoerente com a afirmação de que a produção só depende da natureza, da pressão da jazida), antecipa o fim da era do petróleo ao esgotar mais rapidamente as jazidas. Ora, qualquer estagiário de companhias de petróleo sabe que os métodos de manutenção da pressão das jazidas, as diversas tecnologias que aumentam o fator de recuperação (enhanced recovery, diria o gringo) fazem com que as reservas aumentem mesmo sem novas descobertas. Arrogante, ele não concorda com as reservas anunciadas pelas companhias de petróleo e cria a sua própria contabilidade. Ora, todas as grandes companhias seguem regras internacionalmente aceitas (SPE, por exemplo) e os produtores árabes, acusados de inflar suas reservas, têm volumes tão extraordinariamente altos que a lógica nos faz crer que somente poderiam ser maquiados para menos, até como forma de reduzir a cobiça de outros países. Enfim, ao anunciar o início do declínio da produção mundial de petróleo, o entrevistado apenas se soma a outros pseudo-especialistas que disseram o mesmo há dez, vinte, trinta ou quarenta anos.
Alfeu Valença
Ex-presidente da Petrobras e presidente da Consultoria e Engenharia de Petróleo Ltda (Conpet)
Por e-mail

 

Aldo Rebelo

Ao ler a reportagem "Operação Saci" (5 de outubro), em que estão objetivamente descritas as "negociações que beiram a desfaçatez" praticadas pelo governo por ocasião da eleição de Aldo Rebelo para a presidência da Câmara dos Deputados, informo ao presidente da República: como cidadão, mereço ser respeitado pelos dirigentes do meu país. Não sou idiota. Espero que a maioria dos eleitores se sinta indignada com o auge do lamaçal e com a prostituição política praticados pelo governo.
Delto Baptista de Oliveira
Rio de Janeiro, RJ

Muito interessante a comparação dos seres do governo com os personagens da literatura brasileira em "Operação Saci". O problema é escolher dentre tantos quem será a Mula-sem-cabeça e o Curupira (que tem os pés voltados para trás).
José Carlos Cavalcanti
Curitiba, PR

Como biógrafos de Monteiro Lobato, temos algumas observações sobre a matéria "Operação Saci", ilustrada com personagens do Sítio do Picapau Amarelo. Quando a analogia para ironizar o governo não é gratuita, ela é fora de propósito. No caso de Tia Nastácia, associada ao presidente Lula, VEJA incorre em preconceito e desinformação, pois a cozinheira representa, na sua simplicidade, a sabedoria popular. Emília, sem dúvida faladeira, raramente diz bobagens. Alter ego do próprio escritor, é a mais crítica, lúcida e perspicaz da turma. Já Aldo Rebelo, na figura do Saci-Pererê, deveria contar com o nosso respeito por suas iniciativas de legislador em defesa do idioma, dos mitos e dos valores que forjam a identidade nacional.
Marcia Mascarenhas Camargos e Vladimir Sacchetta
São Paulo, SP

 

PT

Não deixamos o PT apenas por razões políticas e por causa de prazos eleitorais. Para nós, a questão ética também tem relevância, e negar isso, como o fizeram a matéria "PT? Que PT?" (5 de outubro) e a coluna de Tales Alvarenga, não é correto. Afastamo-nos do PT, que ajudamos a construir durante tantos anos, porque sua cúpula, que continuará majoritária na direção nacional, cedeu ao pragmatismo eleitoral segundo o qual os fins justificam os meios. Agora no Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), continuaremos defendendo que os meios já são os fins, em processo de realização.
Chico Alencar
Deputado federal
Brasília, DF

 

Maria Rita

Parabéns a VEJA por denunciar a abominável prática do jabá ("O mensalinho da filha de Elis", 5 de outubro). Num país onde se compram desde árbitros de futebol até deputados federais, a corrupção de jornalistas para falar bem de uma artista é inadmissível em qualquer época, ainda mais nos dias de hoje. Se quisermos promover a restauração da ética no Brasil, não devemos ser condescendentes com atos como esse. Basta!
André Brandão de Melo
São José dos Campos, SP

Parabéns a VEJA pela coragem e isenção ao denunciar a prática de jabá junto a jornalistas por meio da doação de um iPod no lançamento do novo CD da cantora Maria Rita. Uma vergonha! Ficamos indignados com o comportamento de nossos congressistas, mas reproduzimos na divulgação cultural e em outras situações da vida cotidiana as mesmas práticas de compra de mentes, e da maneira mais baixa. O CD de Maria Rita é superinfeliz, mas eu, um leitor desavisado (de críticos vendidos pelo mensalinho do iPod), acabei comprando-o e pude ouvir as verdades que VEJA sintetizou tão bem: Maria Rita perdeu a graça da novidade de se parecer com sua saudosa e competentíssima mãe.
Vitor Bellis
Curitiba, PR

Foi lamentável o artigo "O mensalinho da filha de Elis", remetendo-nos à podridão da política brasileira, que nada tem a ser comparada com a artista. Se Maria Rita é parecida com a mãe, nada mais normal. Talentosa e dona de estilo próprio provado pelas semelhanças entre o primeiro e o segundo disco, vencedora de três Grammy (o Oscar da música no mundo), é de esperar que se façam comparações com o furacão inesquecível Elis Regina.
Leonardo Moreira
Bertioga, SP

Com relação à reportagem sobre a distribuição de iPods para jornalistas pela gravadora Warner, a propósito do lançamento do CD Segundo, da cantora Maria Rita, esclareço que a revista errou ao me citar na lista dos profissionais que não devolveram o brinde. A reportagem de VEJA não respeitou um princípio básico do jornalismo: ouvir o outro lado. O iPod que recebi foi entregue de volta à assessoria de imprensa da cantora tão prontamente quanto possível.
Jotabê Medeiros
Repórter de O Estado de S. Paulo
São Paulo, SP

 

Máfia do apito

Com relação à "Carta ao leitor" (5 de outubro), esclareço que a CPI do Futebol no Senado Federal, presidida pelo senador Alvaro Dias, diferentemente da CPI da Câmara, teve o relatório aprovado por unanimidade, levando à responsabilização de todos os investigados, bem como gerando implicações no âmbito judicial. A CPI foi fundamental na aprovação da legislação que alterou as normas do futebol brasileiro, como o Estatuto do Torcedor e a Lei de Responsabilidade no Esporte. Tais normas permitem que hoje tenhamos um campeonato brasileiro mais organizado e que consigamos mesmo anular partidas sem desestruturar toda a competição.
André Eduardo Fernandes
Brasília, DF

 

Nando Reis

Presumindo que a continuação da frase "Antes só...", título de matéria de 5 de outubro, seja "do que mal acompanhado", considero temerário sugerir qual das partes (ou se alguma delas) merece tal atributo. Deve-se lembrar que os Titãs (já em quinteto) lançaram o CD inédito Como Estão Vocês, aprovado pela crítica e pelo público, logo após a saída de Nando Reis, e fazem até hoje por merecer a reputação de banda ícone do rock no Brasil. O talentoso Nando Reis merece o reconhecimento que tem recebido, mas não há como negar a vitalidade constantemente revigorada e o espírito de grupo sem par presentes no conjunto Titãs.
Flávio Alves Borges
Belo Horizonte, MG

Foi Nando Reis que se livrou de um péssimo líder, e não os Titãs que se livraram de um péssimo cantor. Ainda bem para nós, fãs desse lindo e maravilhoso cisne, que parecia ser um patinho feio de voz esganiçada, que com suas criações fala direto ao nosso coração, toca no ponto mais sensível de nossa alma. Amo muito esse cara.
Sônia Mendes dos Santos
São Paulo, SP

Estava demorando para Nando Reis ser reconhecido por uma revista conceituada como VEJA. Cantar vai muito além da afinação. Nando Reis canta com a alma e com um entusiasmo tão próprio que consegue passar na letra das suas músicas uma paz de espírito indescritível. Suas letras são facilmente entendidas por quem ouve, e é isso que torna sua música bela. Afinal, música não foi feita para ser cantada por enigmas. Algumas delas não dizem nada e não têm sentido algum.
Gyovanna Pinheiro Soares
Salvador, BA

 

Tubarões

Excelente a reportagem "Risco nos mares" (5 de outubro), sobre a matança indiscriminada de tubarões. Será preciso o extermínio de todas as espécies para o homem reconhecer que não consegue viver sozinho no planeta? Será que o ser humano é incapaz de perceber que a degradação do meio ambiente compromete sua existência na Terra? Até quando teremos de aturar japoneses exterminando baleias, canadenses dizimando populações inteiras de golfinhos e focas, chineses assassinando cruelmente várias espécies de tubarão e brasileiros desmatando covardemente a maior e mais importante floresta do mundo? São perguntas que deveriam ser feitas mais vezes.
Márcio Rahal Costa
Campo Grande, MS

 

Diogo Mainardi

Na semana passada, conversei com o colunista Diogo Mainardi durante sua visita à Câmara. Na ocasião, defendi a reforma política como uma medida indispensável e inadiável para o aprimoramento da democracia brasileira. Mencionei que no projeto de reforma política em curso na Câmara foram tocadas apenas questões que poderiam ser tratadas por meio de alterações na legislação ordinária, deixando de lado mudanças que precisariam ser firmadas por emendas constitucionais. Para exemplificar o que ainda falta ser corrigido, mencionei o problema da grave distorção que existe na representação dos estados na Câmara dos Deputados. Observei que por obra do regime militar o sistema vigente não obedece à proporcionalidade e ao princípio segundo o qual o voto deve ter igual valor para todos os cidadãos. Hoje, o voto de um cidadão em certos estados tem um valor menor do que em outros, causando uma distorção à democracia do país. Dessa maneira, registro que não fiz nenhuma referência aos deputados do Nordeste, até porque não se concentram nessa região do país as maiores distorções na proporcionalidade.
José Eduardo Cardozo
Deputado federal (PT-SP)
Brasília, DF

 

Referendo das armas 2

A citação de meu nome na última edição da revista VEJA (1 925) sugere que eu seja contra a proibição da venda de armas. Sou a favor da proibição. A maior parte das armas que matam mais de 30.000 pessoas por ano no Brasil foi vendida legalmente e acabou nas mãos de bandidos e de cidadãos que fizeram mau uso delas. A proibição é um ingrediente importante no conjunto de medidas para reduzir a violência.
José Vicente da Silva Filho
Coronel da reserva da PM/SP
Ex-secretário nacional de Segurança Pública
São Paulo, SP

Trabalho no Instituto Sou da Paz, cujo símbolo foi reproduzido na capa da revista. Escrevo apenas porque imaginei que alguém pudesse esclarecer qual a necessidade de agredir e desmoralizar uma instituição para defender uma idéia. Era mesmo necessário atacar o Instituto Sou da Paz na capa da revista para defender o "não"? O SDP nasceu em 1997, resultado de uma iniciativa de estudantes de direito do Largo São Francisco. Desde então vem desenvolvendo uma série de projetos, prioritariamente nas regiões mais violentas da cidade. Os projetos hoje envolvem jovens da periferia, policiais, prefeituras e a comunidade em geral. O SDP, entre outras coisas, é apontado como um dos responsáveis pela redução dos índices de violência no Jardim Ângela. O mais importante, no entanto, é que o instituto é formado por pessoas. Jovens, comprometidos com um trabalho desafiador, que acreditam na possibilidade de construir uma sociedade menos violenta e mais justa. A pluralidade de opiniões é muito saudável. É excelente que o debate sobre o desarmamento consiga mobilizar o país dessa maneira. Tornar o tema da segurança pública assunto obrigatório é por si só um grande avanço. Contudo, há muitos modos de fazer isso. Desrespeitar um símbolo e uma instituição é, na verdade, desrespeitar o trabalho das pessoas.
Paula Miraglia e mais nove assinaturas
São Paulo, SP

 

Gilberto Carvalho

VEJA, apoiada no depoimento de um juiz que cumpre pena por venda ilegal de sentenças judiciais, sustenta em três páginas acusações falsas e ilações contra minha pessoa, feitas de forma absolutamente leviana, confessando não ter nenhuma prova. Para "equilibrar" a matéria, restaram à minha defesa apenas as quatro últimas linhas do texto. Gostaria de reafirmar aos leitores da revista que jamais procurei induzir depoimento de testemunhas do crime contra o companheiro Celso Daniel. Durante todo aquele período, minha preocupação era justamente que as pessoas falassem a verdade, sem nenhuma suposição fantasiosa. As fitas a que se refere o juiz-presidiário já foram objeto de reiteradas publicações, sem que nada pudesse me incriminar. Aproveito para informar que estou tomando as devidas medidas judiciais para me defender das calúnias e acusações que pessoas movidas por interesses escusos tentam me imputar sem prova. Sou o maior interessado em que a verdade prevaleça, tanto pela memória de meu amigo Celso Daniel quanto pela minha dignidade, que vem sendo duramente atacada.
Gilberto Carvalho
Brasília, DF

 

Carga pesada


O protesto do caminhoneiro

O leitor João José da Silva, de Itu, em São Paulo, registrou este flagrante na Rodovia dos Bandeirantes e o enviou para VEJA. O motorista do caminhão aparentemente não está feliz com as condições das estradas federais e arrumou um jeito original de fazer seu protesto.

 

Urna errada

Fotos divulgação/TSE
1. A venda de armas deve ser proibida?
2. Opção 1: não
3. Opção 2: sim


Com relação ao referendo do desarmamento, o leitor Fernando Levi Buarque, do Recife, convocado para trabalhar como mesário, chama atenção para um problema relevante, que incomodou vários outros leitores: "No treinamento dado pelo TRE, a urna eletrônica estava com a tela exatamente igual à da foto publicada por VEJA, ou seja, a opção 1 para o SIM e a opção 2 para o NÃO. As opções, na realidade, estão invertidas". É verdade, na urna divulgada inicialmente pelo TSE inverteu-se a ordem. O correto é como aparece na foto ao lado: Opção 1 – Não (o eleitor vota contra a proibição do comércio de armas de fogo). Opção 2 – Sim (o eleitor vota a favor da lei que proíbe a venda de armas).

 

Instituto Bränemark

A reportagem "O milagreiro de Bauru" (28 de setembro), sobre o médico sueco Per-Ingvar Bränemark, que inaugurou recentemente na cidade de Bauru, no interior paulista, a sede brasileira do P-I Bränemark Institute (www.branemark.se/), levou vários leitores a escrever para VEJA, interessados nos trabalhos de implantes e próteses avançados por ele desenvolvidos. O instituto começa a atender plenamente em janeiro, mas as inscrições já podem ser feitas pelo telefone (14) 2106-0006. Como há grande procura, a sugestão é que o paciente entre em contato por carta, informando o número do telefone e fazendo um breve relato de seu caso. O endereço do Instituto Bränemark é Avenida Nações Unidas, 27/28, Bauru, SP, CEP 17012-202.

 
 
 
 
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