Edição 1926 . 12 de outubro de 2005

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Carta ao leitor
Sintonia com os leitores

Além de bater o recorde de cartas enviadas à redação, a reportagem de capa da semana passada conseguiu uma confortável maioria de aprovação entre seus leitores – 59% ficaram a favor da tomada de posição de VEJA contra a proibição da comercialização de armas, enquanto 32% não se convenceram dos argumentos apresentados. Uma maioria ainda mais expressiva dos leitores, independentemente de suas opiniões sobre as armas em si, reafirmou em suas cartas a tese central defendida na reportagem: o referendo é um embuste, uma inutilidade do ponto de vista prático e não deveria sequer ter sido convocado.

Uma nova reportagem sobre o tema publicada na presente edição aprofunda a questão da democracia direta. Ela mostra que os referendos, instrumentos válidos de aferição da vontade popular, são cada vez mais freqüentes no mundo atual. Seu sucesso, porém, depende da sabedoria na escolha do tema consultado. Não é o caso da questão do comércio e porte de armas. A reportagem demonstra que as consultas diretas bem-sucedidas foram aquelas que visaram a arbitrar conflitos entre diferentes grupos de interesses na sociedade ou a chancelar reformas constitucionais. Entre mais de 1.500 referendos e plebiscitos estudados pelos repórteres da revista – metade deles feita nos últimos 25 anos –, apenas um era uma consulta sobre o direito do governo de proibir os indivíduos de usar armas. Ele foi realizado no minúsculo principado de Liechtenstein (33.000 habitantes). O governo perdeu.

 

 
 
 
 
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