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Carta ao leitor Sintonia
com os leitores Além de bater o recorde
de cartas enviadas à redação, a reportagem de capa da semana
passada conseguiu uma confortável maioria de aprovação entre
seus leitores 59% ficaram a favor da tomada de posição de
VEJA contra a proibição da comercialização de armas,
enquanto 32% não se convenceram dos argumentos apresentados. Uma maioria
ainda mais expressiva dos leitores, independentemente de suas opiniões
sobre as armas em si, reafirmou em suas cartas a tese central defendida na reportagem:
o referendo é um embuste, uma inutilidade do ponto de vista prático
e não deveria sequer ter sido convocado.
Uma nova reportagem sobre o tema publicada na presente edição aprofunda
a questão da democracia direta. Ela mostra que os referendos, instrumentos
válidos de aferição da vontade popular, são cada vez
mais freqüentes no mundo atual. Seu sucesso, porém, depende da sabedoria
na escolha do tema consultado. Não é o caso da questão do
comércio e porte de armas. A reportagem demonstra que as consultas diretas
bem-sucedidas foram aquelas que visaram a arbitrar conflitos entre diferentes
grupos de interesses na sociedade ou a chancelar reformas constitucionais. Entre
mais de 1.500 referendos e plebiscitos estudados pelos repórteres da revista
metade deles feita nos últimos 25 anos , apenas um era uma
consulta sobre o direito do governo de proibir os indivíduos de usar armas.
Ele foi realizado no minúsculo principado de Liechtenstein (33.000 habitantes).
O governo perdeu. |