Fido,
o Mascote (Fido, Canadá, 2006. Estréia nesta sexta-feira
no país) A humanidade quase se deu mal na Guerra dos Zumbis. Graças
à invenção de uma coleira domesticadora, não só
saiu vitoriosa como ainda colocou os mortos-vivos a seu serviço. O que
acontece, porém, quando o zumbi levado para casa é mais cheio de
vida do que o chato do papai? Esta sátira, passada num subúrbio
dos anos 50, é uma mistura improvável, mas muito criativa, de Madrugada
dos Mortos e Lassie, com uma pitada dos melodramas de Douglas Sirk,
o rei do gênero, para completar o tempero. Há que destacar a contribuição
do elenco, com a encantadora Carrie-Anne Moss, de Matrix, como uma dona-de-casa
desesperada e o escocês Billy Connolly como o galante zumbi Fido. Veja
cenas.
DVD
Aurora
(Sunrise, Estados Unidos, 1927. Versátil) Primeiro dos quatro
filmes que o alemão F.W. Murnau fez nos Estados Unidos, Aurora talvez
concentre mais beleza e influência (sobre outros diretores, já que
o público não o prestigiou) do que qualquer outro filme até
Cidadão Kane, de 1941. Um camponês é seduzido por uma
mundana, que tenta convencê-lo a afogar sua mulher do que ele afinal
se arrepende. Nos diferentes movimentos dessa história, Murnau, como já
fizera no seu antológico Nosferatu, executa proezas técnicas
(como os travelings em que a câmera não apenas segue os personagens,
como às vezes se adianta a eles) e imagens que parecem algo sonhado. Para
quem tem curiosidade sobre a dramaticidade peculiar do cinema mudo, uma espiadela
é indispensável.
LIVROS
O
Exército Iluminado, de David Toscana (tradução de
Michelle Strzoda; Casa da Palavra; 168 páginas; 36 reais) O mexicano
Toscana não esconde a reverência por dois nomes: Juan Rulfo, um dos
maiores prosadores de seu país, e o espanhol Miguel de Cervantes
que dispensa apresentações. Seu estilo, autodefinido como "realismo
desvairado", de fato reflete as influências. O deserto mexicano, cuja atmosfera
Rulfo explorou com mestria, tem presença obsessiva em sua obra. Bem como
as causas insanas de Dom Quixote, o célebre cavaleiro de Cervantes. Neste
romance, Toscana fala de uma guerra fictícia de crianças mexicanas
contra os Estados Unidos pela posse do Texas, perdido para o vizinho no século
XIX.
Nilton
Fukuda/AE
Lygia:
a arte de relembrar
Conspiração
de Nuvens, de Lygia Fagundes Telles (Rocco; 136 páginas; 22 reais)
Um dos grandes nomes da literatura brasileira, a octogenária Lygia
Fagundes Telles extrai da memória a matéria-prima de sua obra. Em
Conspiração de Nuvens, ela lança um olhar tão
nostálgico quanto agudo sobre situações que viveu em vários
períodos da vida. Nos contos e crônicas curtos do livro, entremeia
lembranças da infância com observações sobre a violência
dos dias de hoje. Fala ainda de lugares e personagens que a marcaram da
cidade de Túnis, capital da Tunísia, ao crítico de cinema
e ex-marido Paulo Emilio Salles Gomes (1916-1977).
TELEVISÃO
Roberto
Setton
Barenboim:
várias facetas de seu talento
Barenboim-Mania
(segundas, às 21h; quartas, às 22h; e domingos, às 17h, no
Film & Arts) Uma das grandes personalidades do mundo erudito, Daniel
Barenboim mostra várias facetas de seu talento nesta série que o
canal pago Film & Arts exibe ao longo de setembro. As segundas são
dedicadas ao piano. Barenboim toca as Sonatas para Piano de Beethoven e
interage com músicos jovens como o chinês Lang Lang, um dos
principais nomes da nova geração. Nas quartas, alternam-se dois
documentários, um sobre a West-Eastern Divan Orchestra, que une instrumentistas
judeus e árabes, e outro sobre a violoncelista Jacqueline du Pré,
ex-mulher de Barenboim. A programação de domingo é dedicada
aos concertos Barenboim rege a West Eastern Divan Orchestra e atua como
solista ao lado da Filarmônica de Berlim.
DISCOS
Dilmar
Cavalher/Strana
Paulo
Moura: figura de ponta na música instrumental
Hepteto,
Quarteto e Fibra, Paulo Moura (Brazilmúsica!/Atração)
O saxofonista e pianista Paulo Moura, 74 anos, é figura de ponta
na história da música instrumental brasileira. Ele tem uma discografia
respeitável, que inclui álbuns calcados no choro, na bossa nova
e na música erudita. Todas essas influências estão presentes
em Hepteto (1968), Quarteto (1969) e Fibra (1971), que passaram
anos fora de catálogo. Moura comanda um time de jovens instrumentistas
muitos deles, como o saxofonista Oberdan Magalhães e o trompetista
Márcio Montarroyos, seguiram uma respeitável carreira-solo. Uma
curiosidade é a presença de Milton Nascimento ao piano na faixa
Ana Lia's Blues, do disco Fibra.
No
Place Like Soul, Soulive (Universal) Este grupo foi uma das primeiras
contratações da nova encarnação da Stax, lendário
selo americano de música negra que renasceu depois de duas décadas
de inatividade. A escolha não poderia ser melhor. Liderado pelos irmãos
Alan e Neal Evans (respectivamente, bateria e teclados), o Soulive é um
grupo ortodoxo de funk, com influências que vão de James Brown à
fase mais dançante de Stevie Wonder. No Place Like Soul, seu primeiro
disco pela Stax, marca a entrada do vocalista Toussaint os seis CDs anteriores
do Soulive eram instrumentais. Com voz roufenha, que lembra muito a de Buddy Miles
(cantor e baterista da banda de Jimi Hendrix), Toussaint mostra a que veio em
faixas como o funk Waterfall e o reggae If This World Were a Song.