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12 de setembro de 2007
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CINEMA

Fido, o Mascote (Fido, Canadá, 2006. Estréia nesta sexta-feira no país) – A humanidade quase se deu mal na Guerra dos Zumbis. Graças à invenção de uma coleira domesticadora, não só saiu vitoriosa como ainda colocou os mortos-vivos a seu serviço. O que acontece, porém, quando o zumbi levado para casa é mais cheio de vida do que o chato do papai? Esta sátira, passada num subúrbio dos anos 50, é uma mistura improvável, mas muito criativa, de Madrugada dos Mortos e Lassie, com uma pitada dos melodramas de Douglas Sirk, o rei do gênero, para completar o tempero. Há que destacar a contribuição do elenco, com a encantadora Carrie-Anne Moss, de Matrix, como uma dona-de-casa desesperada e o escocês Billy Connolly como o galante zumbi Fido. Veja cenas.

 

DVD

Aurora (Sunrise, Estados Unidos, 1927. Versátil) – Primeiro dos quatro filmes que o alemão F.W. Murnau fez nos Estados Unidos, Aurora talvez concentre mais beleza e influência (sobre outros diretores, já que o público não o prestigiou) do que qualquer outro filme até Cidadão Kane, de 1941. Um camponês é seduzido por uma mundana, que tenta convencê-lo a afogar sua mulher – do que ele afinal se arrepende. Nos diferentes movimentos dessa história, Murnau, como já fizera no seu antológico Nosferatu, executa proezas técnicas (como os travelings em que a câmera não apenas segue os personagens, como às vezes se adianta a eles) e imagens que parecem algo sonhado. Para quem tem curiosidade sobre a dramaticidade peculiar do cinema mudo, uma espiadela é indispensável.

 

LIVROS

O Exército Iluminado, de David Toscana (tradução de Michelle Strzoda; Casa da Palavra; 168 páginas; 36 reais) – O mexicano Toscana não esconde a reverência por dois nomes: Juan Rulfo, um dos maiores prosadores de seu país, e o espanhol Miguel de Cervantes – que dispensa apresentações. Seu estilo, autodefinido como "realismo desvairado", de fato reflete as influências. O deserto mexicano, cuja atmosfera Rulfo explorou com mestria, tem presença obsessiva em sua obra. Bem como as causas insanas de Dom Quixote, o célebre cavaleiro de Cervantes. Neste romance, Toscana fala de uma guerra fictícia de crianças mexicanas contra os Estados Unidos pela posse do Texas, perdido para o vizinho no século XIX.

 
Nilton Fukuda/AE
Lygia: a arte de relembrar  

Conspiração de Nuvens, de Lygia Fagundes Telles (Rocco; 136 páginas; 22 reais) – Um dos grandes nomes da literatura brasileira, a octogenária Lygia Fagundes Telles extrai da memória a matéria-prima de sua obra. Em Conspiração de Nuvens, ela lança um olhar tão nostálgico quanto agudo sobre situações que viveu em vários períodos da vida. Nos contos e crônicas curtos do livro, entremeia lembranças da infância com observações sobre a violência dos dias de hoje. Fala ainda de lugares e personagens que a marcaram – da cidade de Túnis, capital da Tunísia, ao crítico de cinema e ex-marido Paulo Emilio Salles Gomes (1916-1977).

 

TELEVISÃO

 

Roberto Setton
Barenboim: várias facetas de seu talento

Barenboim-Mania (segundas, às 21h; quartas, às 22h; e domingos, às 17h, no Film & Arts) – Uma das grandes personalidades do mundo erudito, Daniel Barenboim mostra várias facetas de seu talento nesta série que o canal pago Film & Arts exibe ao longo de setembro. As segundas são dedicadas ao piano. Barenboim toca as Sonatas para Piano de Beethoven e interage com músicos jovens – como o chinês Lang Lang, um dos principais nomes da nova geração. Nas quartas, alternam-se dois documentários, um sobre a West-Eastern Divan Orchestra, que une instrumentistas judeus e árabes, e outro sobre a violoncelista Jacqueline du Pré, ex-mulher de Barenboim. A programação de domingo é dedicada aos concertos – Barenboim rege a West Eastern Divan Orchestra e atua como solista ao lado da Filarmônica de Berlim.

 

DISCOS

 

Dilmar Cavalher/Strana
Paulo Moura: figura de ponta na música instrumental  

Hepteto, Quarteto e Fibra, Paulo Moura (Brazilmúsica!/Atração) – O saxofonista e pianista Paulo Moura, 74 anos, é figura de ponta na história da música instrumental brasileira. Ele tem uma discografia respeitável, que inclui álbuns calcados no choro, na bossa nova e na música erudita. Todas essas influências estão presentes em Hepteto (1968), Quarteto (1969) e Fibra (1971), que passaram anos fora de catálogo. Moura comanda um time de jovens instrumentistas – muitos deles, como o saxofonista Oberdan Magalhães e o trompetista Márcio Montarroyos, seguiram uma respeitável carreira-solo. Uma curiosidade é a presença de Milton Nascimento ao piano na faixa Ana Lia's Blues, do disco Fibra.

No Place Like Soul, Soulive (Universal) – Este grupo foi uma das primeiras contratações da nova encarnação da Stax, lendário selo americano de música negra que renasceu depois de duas décadas de inatividade. A escolha não poderia ser melhor. Liderado pelos irmãos Alan e Neal Evans (respectivamente, bateria e teclados), o Soulive é um grupo ortodoxo de funk, com influências que vão de James Brown à fase mais dançante de Stevie Wonder. No Place Like Soul, seu primeiro disco pela Stax, marca a entrada do vocalista Toussaint – os seis CDs anteriores do Soulive eram instrumentais. Com voz roufenha, que lembra muito a de Buddy Miles (cantor e baterista da banda de Jimi Hendrix), Toussaint mostra a que veio em faixas como o funk Waterfall e o reggae If This World Were a Song.

Fontes: Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Saraiva; Campinas: Laselva, Fnac; Campo Grande: Leitura; Curitiba: Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense; Fortaleza: Laselva; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Manaus: Laselva; Natal: Laselva; Navegantes: Laselva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Porto Seguro: Laselva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Rio de Janeiro: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva, Travessa; São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva; Teresina: Laselva; Vitória: Laselva, Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Submarino.
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