Com sua voz possante
e seu jeito bonachão,
Luciano Pavarotti foi um popstar da ópera
The New York Times
Pavarotti em ação
nos anos 90: derrota para o câncer aos 71 anos
O tenor italiano Luciano
Pavarotti, morto na sexta passada de câncer no pâncreas,
foi a personificação da ópera no fim
do século XX. Ele não tinha a extensão
vocal de um Enrico Caruso (1873-1921), primeira estrela do
ramo, nem a erudição do espanhol Plácido
Domingo, seu maior rival. Ainda assim, Pavarotti deu à
ópera uma visibilidade sem precedentes. Para além
de seu timbre possante, isso se deveu a uma estratégia
comercial bem-sucedida. Pavarotti gravou versões celebradas
de óperas famosas. Mas fez sucesso sobretudo com discos
em que investia somente em árias conhecidas. Com esse
enfoque pop, atingiu ouvintes numa escala nunca vista. Os
Três Tenores, projeto que dividiu com Domingo
e Jose Carreras em 1990, resultou num dos álbuns mais
vendidos da música clássica. Pavarotti esteve
ainda à frente de concertos filantrópicos ao
lado de roqueiros como Elton John, Sting e Bono Vox
todos também transformados em CDs de sucesso. Entre
seus projetos-solo e tais parcerias, vendeu 70 milhões
de discos. Com seu corpanzil e seu estilo bon vivant, Pavarotti
foi uma figura exuberante. Era especialista em cancelar récitas
em cima da hora e certa vez foi vaiado impiedosamente pelos
italianos por desafinar no palco. Noutra ocasião, fez
uso de playback num recital em Nova York. Filho de um padeiro
que foi tenor diletante e da funcionária de uma fábrica
de cigarros, atingiu o estrelato em 1963, ao interpretar Rodolfo
numa montagem de La Bohème no Covent Garden
londrino. Nos últimos anos, os problemas de saúde
forçaram-no a deixar os palcos. Ao adoecer de câncer,
no ano passado, passou por uma operação e várias
internações. Morreu em sua casa, na cidade italiana
de Modena, aos 71 anos.