BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2025

12 de setembro de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Lya Luft
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Reinaldo Azevedo
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Crime
A polícia que não queremos

Mais um caso de desvio de conduta mostra
anarquia em instituições policiais do Rio


Ronaldo Soares


Fabio Gonçalves/AG. O DIA
Erthal: falsa operação e ajuda da noiva na delegacia

No rol dos tormentos urbanos causados pela insegurança, a falsa blitz ocupa um lugar de destaque. Ela é uma armadilha inescapável. Ao ser parado por um indivíduo vestido de policial, não há para o cidadão a opção de fugir. É assustador. Apesar disso, elas continuam surgindo como pragas nas ruas do Rio de Janeiro. Na semana passada, um grupo de policiais fora do horário de expediente e de sua jurisdição usou carros da própria polícia para simular blitze nas ruas de Niterói, na região metropolitana do Rio. Não queriam necessariamente roubar. Estavam se "divertindo", conforme alegou em seu depoimento o mais graduado entre eles, o delegado de polícia civil Célio Erthal, lotado em uma delegacia distante 100 quilômetros de onde estava naquele momento. O divertimento a que se referiu foi um festival de arbitrariedades: truculência, intimidação, violência física e abuso de autoridade. Um motorista chegou a afirmar que teve o dinheiro roubado. Os policiais foram identificados e presos por uma equipe da Polícia Militar. Quando se imaginava um desfecho com uma punição à altura, mais uma vez se fez presente a anarquia que mina a eficiência da polícia fluminense. Na delegacia onde o grupo de policiais foi autuado, a delegada Raíssa Cellis, noiva de Erthal, não se deu por impedida no caso. Tentou convencer os policiais militares responsáveis pela prisão a amenizar as acusações.

Luis Alvarenga / Ag. O Globo
Neto: vítima de atentado, o delegado se notabilizou por denunciar maus policiais

Se cenas desse tipo já são suficientemente assustadoras, pior quando se olha o entorno e se vê o número de crimes quase simultâneos cometidos por policiais. Ainda na semana passada, a polícia fluminense -- a parte que trabalha dentro da lei, fique claro -- prendeu uma quadrilha formada por um PM, um bombeiro e um guarda municipal acusada de praticar seqüestros e extorsões. Na lista de seqüestrados do grupo incluem-se um comerciante e a mulher de um traficante preso. Quando se imaginava que era uma semana ruim, ela ficou pior. Um delegado, Alexandre Neto, sofreu um atentado a tiros. A razão, segundo ele mesmo, teria sido a série de denúncias que fez contra integrantes da cúpula da Polícia Civil no governo passado. Neto responsabilizou nominalmente o ex-chefe de polícia e hoje deputado estadual Álvaro Lins (PMDB-RJ) e a deputada federal Marina Maggessi (PPS-RJ), ex-chefe de investigação da delegacia de entorpecentes.

Não custa lembrar o caso, ocorrido no mês passado, dos dois cabos do Corpo de Bombeiros que tentaram seqüestrar um empresário à luz do dia na Barra da Tijuca. Estavam vestidos de policiais federais. "Muitas pessoas que chegam à polícia não têm uma formação apropriada. Por isso se valem da carteira, do distintivo, para cometer crimes e arbitrariedades", diz a corregedora da Polícia Civil do Rio, Ivanete de Araújo. Trata-se de um evidente problema de gestão. Enquanto não expulsar os bandidos infiltrados nas corporações e criar mecanismos verdadeiramente eficientes de seleção e formação, a polícia do Rio será como uma falsa blitz: parece de verdade, mas não é.

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |