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12 de setembro de 2007
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Internacional
Ameaça dos convertidos

Atentado frustrado na Alemanha expõe
o risco do terror feito por europeus


Diogo Schelp

 
Michael Probst/AP 
Acima e no detalhe, os três terroristas presos na Alemanha, na semana passada. Com treinamento no Paquistão, dois deles são alemães convertidos ao Islã. Foi o quarto ataque evitado no país desde 2001

Na Europa, a cada tentativa frustrada de atentados organizados por terroristas islâmicos, a reação geral oscila entre dois sentimentos: o de alívio, por motivos óbvios, e o de preocupação. De quantos ataques fracassados os terroristas precisam até conseguir sucesso em seu objetivo de cometer um grande massacre? Até que ponto a polícia e os serviços de inteligência conhecem e monitoram o fanatismo que prolifera à sombra das grandes comunidades muçulmanas existentes no continente? Como se viu nos atentados cometidos na Inglaterra, existe a agravante de muitos terroristas serem cidadãos europeus. Essas questões estão na ordem do dia na Alemanha. Na semana passada, a polícia alemã prendeu três muçulmanos às vésperas de cometer uma série de atentados no país. Já tinham armazenado 700 quilos de peróxido de hidrogênio, a matéria-prima dos explosivos usados nos ataques de 2004 em Madri e de 2005 em Londres. O local da matança ainda estava por decidir, mas e-mails e telefonemas trocados entre eles, interceptados pela polícia, mostram algumas das opções: o aeroporto de Frankfurt, a base militar americana em Ramstein e casas noturnas. As prisões ocorreram um dia depois de a polícia da Dinamarca ter evitado outro ataque terrorista com a prisão de oito jovens muçulmanos nos subúrbios de Copenhague.

 

Thomas Kienzle/AP
Os tonéis com peróxido de hidrogênio: misturado a acetona, um explosivo poderoso

Conspirações terroristas na Alemanha e na Escandinávia não chegam a ser surpresa. Os dinamarqueses evitaram três atentados nos últimos três anos. A Alemanha frustrou outros três desde 2001. Por não ter tropas no Iraque, a Alemanha sente-se menos vulnerável ao terrorismo islâmico. Os eventos da semana passada mostram a precariedade do sentimento de segurança. Dois dos três presos são alemães convertidos ao Islã. Eles treinaram no Paquistão e parecem ter vínculos com um grupo terrorista do Usbequistão. A polícia alemã monitora de perto três centenas de terroristas potenciais, na maioria imigrantes. Identificar os fanáticos perigosos entre os convertidos é mais complicado. Muitos deles são até orientados a esconder a conversão para não chamar atenção.

A célula terrorista recém-revelada na Alemanha só começou a ser investigada nove meses atrás porque Fritz, de 28 anos, um dos presos, foi surpreendido rondando uma base militar americana. O rapaz converteu-se ao Islã com 18 anos de idade e, no ano passado, esteve no Paquistão com outros dois conspiradores. Outro preso, Daniel, 21 anos, converteu-se aos 19 anos. Estima-se que haja mais de 20.000 alemães convertidos ao islamismo. A maioria muda de religião para poder se casar com um dos 3 milhões de turcos e turcas que vivem no país. Essa parcela dos convertidos é a menos propensa ao radicalismo. O risco maior está naqueles que recorrem ao islamismo para dar vazão ao sentimento antiamericano ou para compensar alguma incapacidade pessoal de se adaptar ao círculo social em que nasceram.

 

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