Atentado frustrado
na Alemanha expõe o risco do terror feito por europeus
Diogo
Schelp
Michael
Probst/AP
Acima
e no detalhe, os três terroristas presos na Alemanha, na semana passada. Com treinamento
no Paquistão, dois deles são alemães convertidos ao Islã. Foi o quarto ataque
evitado no país desde 2001
Na Europa, a cada tentativa frustrada de atentados organizados por terroristas
islâmicos, a reação geral oscila entre dois sentimentos: o
de alívio, por motivos óbvios, e o de preocupação.
De quantos ataques fracassados os terroristas precisam até conseguir sucesso
em seu objetivo de cometer um grande massacre? Até que ponto a polícia
e os serviços de inteligência conhecem e monitoram o fanatismo que
prolifera à sombra das grandes comunidades muçulmanas existentes
no continente? Como se viu nos atentados cometidos na Inglaterra, existe a agravante
de muitos terroristas serem cidadãos europeus. Essas questões estão
na ordem do dia na Alemanha. Na semana passada, a polícia alemã
prendeu três muçulmanos às vésperas de cometer uma
série de atentados no país. Já tinham armazenado 700 quilos
de peróxido de hidrogênio, a matéria-prima dos explosivos
usados nos ataques de 2004 em Madri e de 2005 em Londres. O local da matança
ainda estava por decidir, mas e-mails e telefonemas trocados entre eles, interceptados
pela polícia, mostram algumas das opções: o aeroporto de
Frankfurt, a base militar americana em Ramstein e casas noturnas. As prisões
ocorreram um dia depois de a polícia da Dinamarca ter evitado outro ataque
terrorista com a prisão de oito jovens muçulmanos nos subúrbios
de Copenhague.
Thomas
Kienzle/AP
Os
tonéis com peróxido de hidrogênio: misturado a acetona, um
explosivo poderoso
Conspirações terroristas na Alemanha e na Escandinávia não
chegam a ser surpresa. Os dinamarqueses evitaram três atentados nos últimos
três anos. A Alemanha frustrou outros três desde 2001. Por não
ter tropas no Iraque, a Alemanha sente-se menos vulnerável ao terrorismo
islâmico. Os eventos da semana passada mostram a precariedade do sentimento
de segurança. Dois dos três presos são alemães convertidos
ao Islã. Eles treinaram no Paquistão e parecem ter vínculos
com um grupo terrorista do Usbequistão. A polícia alemã monitora
de perto três centenas de terroristas potenciais, na maioria imigrantes.
Identificar os fanáticos perigosos entre os convertidos é mais complicado.
Muitos deles são até orientados a esconder a conversão para
não chamar atenção.
A célula terrorista recém-revelada na Alemanha só começou
a ser investigada nove meses atrás porque Fritz, de 28 anos, um dos presos,
foi surpreendido rondando uma base militar americana. O rapaz converteu-se ao
Islã com 18 anos de idade e, no ano passado, esteve no Paquistão
com outros dois conspiradores. Outro preso, Daniel, 21 anos, converteu-se aos
19 anos. Estima-se que haja mais de 20.000 alemães convertidos ao islamismo.
A maioria muda de religião para poder se casar com um dos 3 milhões
de turcos e turcas que vivem no país. Essa parcela dos convertidos é
a menos propensa ao radicalismo. O risco maior está naqueles que recorrem
ao islamismo para dar vazão ao sentimento antiamericano ou para compensar
alguma incapacidade pessoal de se adaptar ao círculo social em que nasceram.