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Edição 2025

12 de setembro de 2007
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Carta ao leitor
Em defesa da grandeza

Lula Marques/Folha Imagem
Reunião do Conselho de Ética do Senado: placar de 11 a 4 em favor da cassação de Renan Calheiros

O Conselho de Ética do Senado aprovou o relatório que pede a cassação do senador Renan Calheiros, atual presidente da Casa, por quebra de decoro parlamentar. O placar foi arrasador: 11 votos a 4. Antes de ser encaminhado para votação em plenário, o que deverá ocorrer nesta quarta-feira, o relatório foi examinado pela Comissão de Constituição e Justiça, que avalizou o documento. O veredicto da comissão refere-se a apenas uma das diversas revelações de conduta imprópria de Renan feitas por VEJA e outros órgãos de imprensa: a de que o senador teve despesas pessoais pagas por um lobista de uma grande empreiteira. Não abordou outros fatos igualmente graves relacionados ao senador: o favorecimento a uma cervejaria em apuros fiscais, o uso de laranjas para comprar um jornal e emissoras de rádio em Alagoas e sua sociedade com um segundo lobista em negociatas e pagamento de propinas.

Acuado pelas notícias nada edificantes a seu respeito, Renan Calheiros optou pela saída tradicional dos políticos malfeitores: culpar a "mídia". O senador José Nery, do PSOL, partido que impetrou a ação por quebra de decoro contra o presidente do Senado, resumiu magnificamente a situação: "Desde o aparecimento das denúncias na imprensa, o elemento importante a ser observado na defesa do senador Renan Calheiros é sua luta incessante contra os fatos". Essa batalha inglória de Renan Calheiros contra todas as evidências se prolongou até a undécima hora, quando voltou a atacar jornais e revistas e especialmente a Abril, que publica VEJA. Os integrantes do Conselho de Ética, contudo, não se deixaram contaminar por tal manobra. Espera-se que, no momento em que a cassação de Renan Calheiros for colocada em votação no plenário, a maioria dos senadores tenha o mesmo comportamento de seus pares no conselho. Que eles honrem a secular grandeza do Senado da República. Que, assim como os ministros do Supremo Tribunal Federal o fizeram, ao abrir processo contra os mensaleiros, dêem alento aos cidadãos cansados de tanta impunidade. Que votem em favor da esperança. Da esperança de um Brasil melhor.

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