Para provar que seus lápis são os melhores do
mundo, o conde Anton Wolfgang von Faber-Castell convidou quinze
jornalistas ao castelo de sua família, em Stein, na
Alemanha, para testemunhar uma prova de resistência.
Do topo de uma das
torres, a 30 metros de altura, atirou 144 lápis. Nenhum
se quebrou, segundo ele. "Nem a internet é capaz de
eliminá-los", diz. A história dos lápis
Faber-Castell começou em 1761, quando o bisavô
de seu trisavô, o marceneiro Kaspar Faber, fabricou
o primeiro lápis de chumbo. De passagem por São
Paulo, o conde falou à repórter Anna Paula Buchalla.
O QUE O LEVA
A ACREDITAR QUE OS LÁPIS NÃO ESTÃO FADADOS
A DESAPARECER? Eu acredito na invencibilidade dos lápis.
O acessório de escrita mais usado no mundo é
também o mais barato. Um único lápis
pode escrever cerca de 80 quilômetros. Seu suporte técnico
é um simples apontador. Você pode deixá-lo
de lado por 100 anos e ele ainda escreverá. Os lápis
são indispensáveis, sobretudo, se pensarmos
a educação nos países em desenvolvimento.
A Faber-Castell do Brasil é a maior fabricante do mundo.
Produz 1,8 bilhão de unidades por ano. É onde
temos também o maior número de funcionários,
cerca de 3.000, o que a torna empresa líder no mercado
nacional. Os lápis coloridos, em especial, têm
se revelado extremamente importantes no estímulo da
criatividade das crianças. Eles são um ativador
do desenvolvimento do cérebro infantil. Há uma
tendência nas escolas de incentivar o uso dos lápis
de cor bem cedo.
NA SUA OPINIÃO,
O COMPUTADOR NÃO REPRESENTA UMA AMEAÇA?
De forma nenhuma. Um não substitui o outro. Há
vinte anos, eu temia pelo pior. Hoje, já não
tenho mais medo. Há um enorme número de escritores,
pensadores, arquitetos e músicos que não se
desvencilham do lápis, mesmo tendo à disposição
a mais alta tecnologia. No caso deles, o lápis os ajuda
a formular as primeiras idéias seja o desenho
de um carro, seja o esboço de uma pintura. Além
disso, o lápis tem seu papel na era da eletrônica.
Você será capaz de usar o computador melhor no
futuro se na infância desenvolveu suas habilidades mentais
com a ajuda dos lápis. Isso sem falar nos bilhões
de pessoas que não usam computador. Repito: não
há substituto para a praticidade e para o custo de
um lápis.
EM QUE SITUAÇÕES
O SENHOR DISPENSA O USO DO LÁPIS? Só uso
o computador para ler meus e-mails e para me comunicar com
os diversos países nos quais temos operações.
Carrego sempre no meu bolso um Perfect Pencil. É um
lápis feito de cedro californiano, com acabamento canelado,
que vem acompanhado de um extensor com banho de platina. Além
de proteger a ponta do lápis, esse extensor possui
um apontador embutido. Com uma única peça, é
possível escrever, corrigir e apontar. Com ele posso
escrever em qualquer lugar, seja numa mesa de restaurante,
seja no avião. Em casa, guardo meu lápis de
estimação, que tem pelo menos 140 anos.
ASSIM COMO AS
CANETAS, OS LÁPIS PODEM SER ARTIGOS DE LUXO? Sim,
claro. Temos lápis de alta performance, feitos com
materiais preciosos. Foi meu trisavô, o barão
Lothar von Faber, que, ao assumir os negócios da família,
em 1839, possibilitou pela primeira vez que o lápis
pudesse se tornar um acessório de qualidade superior.
Tomei como desafio pessoal a redescoberta de produtos do passado
e o resultado foi a coleção Graf von Faber-Castell.
São lápis, canetas e acessórios que combinam
materiais selecionados, como platina e madeiras raras, e alto
grau de funcionalidade. A imagem da empresa ganhou muito com
essa coleção. Mostrou que temos condições
de fazer não só produtos para crianças,
como também peças com design e tecnologia compatíveis
com os de uma caneta Montblanc.
UM NEGÓCIO
DE FAMÍLIA QUE DURA OITO GERAÇÕES É
UMA RARIDADE. COMO FOI POSSÍVEL MANTER ATÉ HOJE
DESCENDENTES NO COMANDO DOS NEGÓCIOS? Bem, homens
espertos casam-se com mulheres espertas e geram filhos espertos...
A verdade é que é preciso se reinventar sempre.
Os desafios mudam de geração para geração.
Quando assumi o negócio, em 1978, vi-me obrigado a
fazer da Faber-Castell uma marca global em sintonia com o
meio ambiente. Criamos recentemente o ecolápis, um
produto desenvolvido com madeira reflorestada e fabricado
segundo normas socioambientais rígidas.