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Edição 1 717 - 12 de setembro de 2001
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Certo, mano?

Raps ajudam a contar a
história de As Filhas da Mãe

Silvia Rogar

 
Nando Chiappetta
Eugenia Eudread

Rap da Alessandra
(A atriz Beth Coelho)

Alessandra é a mais nova
Filha das filhas da mãe
Ela quer ser escritora
E não é só isso... Ela quer mais
Escrever um best-seller
Em níveis internacionais
Foi pra Roma procurar
Fontes de inspiração
Mas talento que é bom
Essa moça não tem não

Rap da Tatiana
(A atriz Andréa Beltrão)

Tatiana é a mais velha
Filha das filhas da mãe
Foi pra Europa pra tentar
Ser diretora de cinema
França, Espanha e Holanda
Ela era o seu problema
Acabou indo pra Londres
Pra abafar sua ambição
Porque até agora ela
Só arrumou foi confusão

Desde 1983, com a estréia de Guerra dos Sexos, o horário das 7 firmou-se na Rede Globo como palco de experiências. "Esse horário é fantástico como laboratório, porque atinge diversos tipos de público", diz Silvio de Abreu, um veterano das 7 que volta à cena com A Incrível Batalha das Filhas da Mãe no Jardim do Éden, nome oficial de As Filhas da Mãe. A sua nova novela pega emprestada a linguagem dos videoclipes, tais como rapidíssimas sobreposições de imagens e recursos gráficos que parecem transformar a tela da TV num monitor de computador. Mas o truque mais original é o uso de raps para marcar passagens de cena ou chamar a atenção para um personagem. As letras são bobinhas, as rimas ridículas, mas a coisa funciona. "Tudo serve para manter ágil o andamento da trama", explica Silvio de Abreu. Primeiramente, o autor pensou em usar o cordel. Mas, como a novela se passa em São Paulo, convenceu-se de que um ritmo urbano, como o rap, seria mais apropriado e atrairia a audiência dos espectadores mais jovens.

A equipe encarregada de criar as musiquinhas é encabeçada pelo produtor Mu Carvalho. Para a cantoria, escalaram Paulinho Soledade – filho de Paulo Soledade, compositor de Estão Voltando as Flores. Os manos da periferia – os rappers de verdade, enfim – ficaram enfezados com essa escolha. "Seguinte: deveriam chamar quem entende do assunto. Certo?", diz Rhossi, vocalista do grupo Pavilhão 9. Há, em média, cinco raps por capítulo. Isso significa que, até o final da novela, cerca de 1.000 vinhetas musicais desse tipo serão usadas. As composições ajudam também na atmosfera cômica de As Filhas da Mãe, que vem agradando ao público. Desde a estréia, há duas semanas, a novela mantém audiência de 34 pontos, com picos de 42 pontos. É um ótimo começo.

   
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