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Edição 1 717 - 12 de setembro de 2001
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Deu zebra

Na horizontal, na vertical e na diagonal,
as listas dominam a onda de verão

Bel Moherdaui

 
Fotos Sasha Hochstetter

Tudo listado: top e saia preto-e-branco na vertical; vestido de quatro cores na diagonal; terno com traços de várias larguras e mistura de calça e jaqueta com riscas diferentes

Primeiro foi o xadrez, depois a estampa camuflada, agora são as listas. Para onde se olhe, nas vitrines das lojas, tem vestido, calça, blusa, bolsa, pulseira ou sapato listadinhos. Difíceis de vestir e de combinar, mesmo assim as listas caíram no gosto nacional – ou o gosto nacional rendeu-se a elas, visto que, em matéria de modismos, em geral não há como escapar: é usar ou usar. O processo de implantação de uma nova "tendência", para usar o jargão do setor, é bem planejado e organizado. Geralmente, a inspiração vem de fora: uma ou mais marcas põem na passarela ou, antes disso, no figurino de um clipe de uma estrela do tamanho de Madonna uma estampa, um corte ou um detalhe que, naquela temporada, será sua marca registrada. Sua e de meio mundo, já que estilistas e tecelagens dedicam boa parte de seu tempo a detectar o que vem por aí e a pinçar o que vai agradar a seus clientes. "Não basta determinado estilista dizer que alguma coisa vai virar tendência. As idéias são boas quando reúnem os interesses de diversos setores", diz Mario Queiroz, professor de pesquisa e criação de moda da Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo.

São pouquíssimos os estilistas que, como Queiroz, admitem que ao menos parte de sua coleção pode ser palpite de outros, mas é assim que as coisas acontecem. Toda a indústria têxtil vem investindo firme na pesquisa de tendências. Na Vicunha, por exemplo, há uma equipe de mais de vinte pessoas que se dedicam a essa tarefa, investigando o que sai lá fora e o que agrada ao mercado nacional. Foram pesquisas desse tipo que bateram o martelo nas listas de agora, uma edição revisitada da eterna moda marinheiro, dos grafismos em preto-e-branco dos anos 80 e da linha pop, mais colorida. O maior problema de tendências tão avassaladoras é a exaustão do visual. "O Brasil costuma esgotar muito rápido as tendências. Quando um aposta, aposta todo mundo e de modo exagerado. Em pouco tempo ninguém agüenta nem mais ver aquilo", diz João Paulo Ribas, coordenador de moda da rede de lojas C&A. É tão rápido que o modismo de verão agora pode durar menos que um verão.

   
 
   
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