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Guerra no ar
Japoneses,
europeus e americanos
brigam para ver quem vai vender
a TV digital ao Brasil
Guido Orgis
Fotos Raul Junior/divulgação

Os
novos aparelhos: imagens muito mais nítidas |
As primeiras
transmissões da nova tecnologia da TV digital no Brasil devem começar
daqui a dois anos, mas o movimento nos bastidores pela implementação
do sistema no país já esquentou. Nos próximos meses,
o Ministério das Comunicações promete anunciar qual
o sistema de transmissões digitais que as emissoras deverão
adotar. Existem três alternativas disponíveis hoje no mercado
o padrão americano, o japonês e o europeu. A escolha
de um ou outro sistema não mudará significativamente a vida
do telespectador. Qualquer que seja a decisão, o consumidor terá
acesso, num futuro próximo, a uma tecnologia capaz de gerar imagens
com definição até treze vezes melhor que a dos aparelhos
atuais. Já para os outros envolvidos na história
as emissoras de TV, os fabricantes de aparelhos e os donos das tecnologias
, a decisão tem uma importância estratégica
que alimenta o clima de guerra comercial. Um dos lances dessa batalha
é a chegada ao país na semana que vem de uma comissão
de representantes da indústria americana. Em Brasília, eles
vão reunir deputados, senadores e membros do governo para uma exibição
das maravilhas do sistema digital americano.
A bolada
em jogo é considerável. De acordo com os especialistas,
a introdução do sistema digital no Brasil implicará
gastos da ordem de 250 bilhões de reais nos próximos anos.
Nessa conta entram os custos das emissoras, dos fabricantes e dos consumidores
para trocar ou adaptar seus equipamentos à nova tecnologia. As
emissoras brasileiras de TV, capitaneadas pela Rede Globo, são
favoráveis à adoção do sistema japonês.
Segundo elas, esse modelo exige menos gastos na fase de transição.
Além disso, tem algumas vantagens técnicas sobre os demais,
por ser menos sujeito a interferências durante as transmissões.
Os concorrentes dizem que o padrão japonês nunca foi testado
em larga escala. Os europeus é que se encontram na fase mais avançada
de implantação, com transmissões regulares em vários
países (veja quadro).
A pressão
mais forte vem dos Estados Unidos. Os defensores do padrão americano
reconhecem que o sistema tem custo mais alto que o dos concorrentes, mas
dizem que suas vantagens compensam o preço. Como a Argentina já
entrou na onda do padrão americano, o Brasil, caso adote a mesma
plataforma digital, poderia incrementar a exportação de
televisores para os vizinhos. Outro argumento utilizado é o de
que essa tecnologia facilitaria a vida das emissoras que compram os enlatados
americanos. No início das discussões, o governo brasileiro
esperava escolher em conjunto com os países do continente um sistema-padrão.
Como os argentinos se anteciparam, as cartas voltaram a ficar embaralhadas.
Por isso, os lobbies de americanos, europeus e japoneses estão
mais ativos que nunca em Brasília.
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Mudanças
na tela
Em
breve, o Brasil deverá entrar para o grupo de países
onde a TV digital já é uma realidade. Veja como o
sistema está funcionando no exterior:
Estados
Unidos
Quase
70% do país já recebe o sinal de pelo menos um canal
digital.
Europa
O sistema
já funciona na Espanha, Suécia e Reino Unido. Até
dezembro, deve entrar em operação na Itália.
Japão
As primeiras
transmissões começaram em dezembro. Até 2010,
todas as emissoras devem migrar para o sistema.
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