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Edição 1 717 - 12 de setembro de 2001
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Guerra no ar

Japoneses, europeus e americanos
brigam para ver quem vai vender
a TV digital ao Brasil

Guido Orgis

 
Fotos Raul Junior/divulgação

Os novos aparelhos: imagens muito mais nítidas

As primeiras transmissões da nova tecnologia da TV digital no Brasil devem começar daqui a dois anos, mas o movimento nos bastidores pela implementação do sistema no país já esquentou. Nos próximos meses, o Ministério das Comunicações promete anunciar qual o sistema de transmissões digitais que as emissoras deverão adotar. Existem três alternativas disponíveis hoje no mercado – o padrão americano, o japonês e o europeu. A escolha de um ou outro sistema não mudará significativamente a vida do telespectador. Qualquer que seja a decisão, o consumidor terá acesso, num futuro próximo, a uma tecnologia capaz de gerar imagens com definição até treze vezes melhor que a dos aparelhos atuais. Já para os outros envolvidos na história – as emissoras de TV, os fabricantes de aparelhos e os donos das tecnologias –, a decisão tem uma importância estratégica que alimenta o clima de guerra comercial. Um dos lances dessa batalha é a chegada ao país na semana que vem de uma comissão de representantes da indústria americana. Em Brasília, eles vão reunir deputados, senadores e membros do governo para uma exibição das maravilhas do sistema digital americano.

A bolada em jogo é considerável. De acordo com os especialistas, a introdução do sistema digital no Brasil implicará gastos da ordem de 250 bilhões de reais nos próximos anos. Nessa conta entram os custos das emissoras, dos fabricantes e dos consumidores para trocar ou adaptar seus equipamentos à nova tecnologia. As emissoras brasileiras de TV, capitaneadas pela Rede Globo, são favoráveis à adoção do sistema japonês. Segundo elas, esse modelo exige menos gastos na fase de transição. Além disso, tem algumas vantagens técnicas sobre os demais, por ser menos sujeito a interferências durante as transmissões. Os concorrentes dizem que o padrão japonês nunca foi testado em larga escala. Os europeus é que se encontram na fase mais avançada de implantação, com transmissões regulares em vários países (veja quadro).

A pressão mais forte vem dos Estados Unidos. Os defensores do padrão americano reconhecem que o sistema tem custo mais alto que o dos concorrentes, mas dizem que suas vantagens compensam o preço. Como a Argentina já entrou na onda do padrão americano, o Brasil, caso adote a mesma plataforma digital, poderia incrementar a exportação de televisores para os vizinhos. Outro argumento utilizado é o de que essa tecnologia facilitaria a vida das emissoras que compram os enlatados americanos. No início das discussões, o governo brasileiro esperava escolher em conjunto com os países do continente um sistema-padrão. Como os argentinos se anteciparam, as cartas voltaram a ficar embaralhadas. Por isso, os lobbies de americanos, europeus e japoneses estão mais ativos que nunca em Brasília.

 

Mudanças na tela

Em breve, o Brasil deverá entrar para o grupo de países onde a TV digital já é uma realidade. Veja como o sistema está funcionando no exterior:

Estados Unidos
Quase 70% do país já recebe o sinal de pelo menos um canal digital.

Europa
O sistema já funciona na Espanha, Suécia e Reino Unido. Até dezembro, deve entrar em operação na Itália.

Japão
As primeiras transmissões começaram em dezembro. Até 2010, todas as emissoras devem migrar para o sistema.



   
 
   
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