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Edição
1 717 - 12 de setembro de 2001 |
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Eles
decidiram falar. Nesta semana, o procurador-geral da República,
Geraldo Brindeiro, deverá receber uma papelada escaldante. São
os depoimentos de cinco empresários que, para receber financiamento
da extinta Sudam, montaram um festival de mutretas para desviar o dinheiro
e, agora, resolveram entregar a identidade do chefe do covil: ele
mesmo, Jader Barbalho, presidente licenciado do Senado. Dos cinco empresários
que decidiram entregar o senador, dois estão sob proteção
da Polícia Federal (PF), por causa de ameaças de morte que
vêm recebendo. Os outros três estão negociando garantia
de vida com a PF. Os depoimentos deverão ser levados a Brindeiro
porque, desde o início das investigações sobre as
fraudes na Sudam, é a primeira vez que aparece, com todas as letras,
o envolvimento de Jader Barbalho e só o procurador-geral
pode investigar um senador.
Um dos depoimentos é do empresário Carlos Antônio
Domingos de Oliveira, dono da JCA Agroindustrial, que há três
anos conseguiu aprovar um projeto de 4,3 milhões de reais na Sudam
para criar peixes e crustáceos no Pará. A empresa só
recebeu a primeira parcela, de 1,3 milhão, porque era uma usina
de fraudes. Há duas semanas, Oliveira contou à PF como tudo
aconteceu. Ele financiara a campanha de Agnaldo Sobrinho, do PMDB, à
prefeitura de Uruará, no Pará. O candidato perdeu e, para
compensar seu financiador, levou-o a Jader. O senador mandou o empresário
tomar 600.000 reais de um agiota, Regivaldo Pereira Galvão, e montar
um projeto qualquer junto à Sudam. Assim foi feito. À custa
de notas frias, a JCA recebeu 1,3 milhão de reais, em janeiro de
2000. E onde entra Jader? O empresário afirma que, ao receber o
dinheiro da Sudam, teve de entregar um cheque de 400.000 reais de propina.
O dinheiro, diz ele, foi pago a um assessor do deputado José Priante,
primo de Jader.
Outro depoimento revela as conexões eleitorais com a Sudam. Um
empresário cujo nome VEJA omite porque ele está sob
ameaça de morte contou à PF que, às vésperas
da eleição municipal de 2000, compareceu a uma reunião
de vários donos de projetos na Sudam com o deputado José
Priante. O deputado fez discurso à platéia e, depois, numa
sala reservada, pediu aos empresários que ajudassem na campanha
de Domingos Juvenil, que se elegeu prefeito de Altamira. "Quem tem parcela
para liberar na Sudam tem de colaborar, senão o senador Jader Barbalho
vai saber disso e as parcelas não sairão", disse Priante.
Cada empresário ficou de desembolsar 20.000 reais por projeto financiado
pela Sudam. Assim se fez. A PF já tem cópia de cinco cheques,
todos de 20.000 reais, dados nessa ocasião. E onde a PF achou os
cheques? Na casa de Regivaldo Pereira Galvão, o agiota amigo do
senador Jader Barbalho.

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