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Edição 1 717 - 12 de setembro de 2001
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Tudo por Roseana

PFL aposta as fichas na governadora
e a fará estrela de uma campanha
publicitária digna de cervejaria

Malu Gaspar

O PFL anda tonto de tão feliz. Na corrida sucessória para 2002, o partido vinha desempenhando papel quase subalterno, enquanto os outros dois parceiros da tríplice aliança, tucanos e peemedebistas, achavam que tinham mais músculos para indicar o candidato governista. Pela segunda semana consecutiva, uma pesquisa nacional mostrou que a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, está com seu balaio de popularidade até a borda. Há duas semanas, foi a vez de uma pesquisa do Instituto Sensus apontar Roseana com 14% da preferência do eleitorado, o que a colocou num segundo lugar, junto com Ciro Gomes, candidato do PPS. Agora, saiu o levantamento do Vox Populi. Outra vez, Roseana aparece em segundo lugar, com idênticos 14%, e novamente em situação de empate técnico com Ciro Gomes. Como a ascensão da governadora nas pesquisas é resultado do fato de ter estrelado o programa do PFL em todo o país, somando trinta minutos no vídeo durante o mês de agosto, o partido resolveu aumentar a dose. E que dose.

Na semana passada, a cúpula nacional do PFL reuniu-se em Brasília com representantes do partido nos Estados. O cacique da legenda, Jorge Bornhausen, apresentou uma proposta à platéia. Pediu para que cada diretório estadual cedesse pelo menos um terço de seu tempo de televisão no segundo semestre a Roseana. Os 25 diretórios presentes concordaram. Melhor que isso: os do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Mato Grosso do Sul resolveram dar à governadora a metade, e não apenas um terço, de seu horário político na televisão. Se a promessa for cumprida por todos, Roseana ficará, pelo menos, três horas e 45 minutos falando aos brasileiros de norte a sul do país até o fim do ano. É um tempo monumental. Só os grandes da publicidade fazem campanhas de duração maior. A estratégia do PFL é parecida com a de um bom anunciante. "Não é uma campanha de Antarctica ou de Brahma, mas é semelhante à de uma Schincariol", compara, com bom humor, José Roberto Berni, diretor-geral da agência de publicidade DM9DDB.

É uma aposta prever o efeito que essa campanha terá para Roseana Sarney e o PFL, mas a exibição da governadora em agosto foi sucesso em vários aspectos. A pesquisa do Vox Populi mostrou que 56% dos entrevistados a viram no vídeo – o que indica alta penetração da campanha. Mas o melhor veio depois. Entre os entrevistados que assistiram ao programa, a esmagadora maioria gostou do que viu: 49% consideraram seu desempenho excelente e 42% classificaram-no como bom. Quando o Vox Populi exibiu a lista de possíveis candidatos a presidente apenas para os que viram Roseana na televisão, a preferência pela governadora pulou de 14% para 20%. Neste caso, ela ficou em segundo lugar, isolada, com 5 pontos porcentuais à frente de Ciro e atrás somente do líder, Luís Inácio Lula da Silva, do PT.

No âmbito da aliança governista, Roseana também corre à frente do ministro da Saúde, o tucano José Serra. Numa outra simulação, na pesquisa de duas semanas atrás, Serra estava com 8,4% da preferência do eleitorado, ficando em sexto lugar. Nesse cenário, Roseana ficava em quarto, com 11,2%. Na pesquisa de agora, ele também está em sexto lugar, mas com 6%. "Roseana tem mais potencial para crescer que Serra, por ter vantagens que o ministro não tem: é mulher, filha de Sarney, um dos ex-presidentes mais populares do país atualmente, e tem um governo bem avaliado", diz Marcos Coimbra, do Vox Populi. Na mesma pesquisa, 64% disseram que votariam numa mulher para presidente e a maior parte considerou que a mulher, na política, é mais "confiável", "honesta", "competente", "capaz" e "responsável" que o homem – só não é mais "firme". "Mesmo assim, ainda é cedo para considerá-la um fato definitivo no cenário político", alerta Marcos Coimbra.

Na semana passada, Roseana mandou dizer à cúpula do PFL que agradece o tempo de televisão que os Estados lhe cederão e que está à disposição "para fortalecer o partido". A governadora insiste, porém, que não será candidata a vice – ou sai para presidente ou, então, optará por concorrer ao Senado. "Ninguém vota em vice-presidente, em vice-governador ou vice-prefeito. Ninguém vota em vice", diz ela. Seja como for, o PFL já a escalou para participar de eventos partidários em pelo menos cinco capitais – Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, Goiânia e Belo Horizonte. Agradecida, Roseana diz que vai aonde for necessário. Sempre, é claro, em nome do "fortalecimento do partido".

 
 

 

Marcos Mendes/AE

 

   
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