Sumário
Brasil
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Tudo
por Roseana
PFL
aposta as fichas na governadora
e a fará estrela de uma campanha
publicitária digna de cervejaria
Malu
Gaspar
O
PFL anda tonto de tão feliz. Na corrida sucessória para 2002,
o partido vinha desempenhando papel quase subalterno, enquanto os outros
dois parceiros da tríplice aliança, tucanos e peemedebistas,
achavam que tinham mais músculos para indicar o candidato governista.
Pela segunda semana consecutiva, uma pesquisa nacional mostrou que a governadora
do Maranhão, Roseana Sarney, está com seu balaio de popularidade
até a borda. Há duas semanas, foi a vez de uma pesquisa do
Instituto Sensus apontar Roseana com 14% da preferência do eleitorado,
o que a colocou num segundo lugar, junto com Ciro Gomes, candidato do PPS.
Agora, saiu o levantamento do Vox Populi. Outra vez, Roseana aparece em
segundo lugar, com idênticos 14%, e novamente em situação
de empate técnico com Ciro Gomes. Como a ascensão da governadora
nas pesquisas é resultado do fato de ter estrelado o programa do
PFL em todo o país, somando trinta minutos no vídeo durante
o mês de agosto, o partido resolveu aumentar a dose. E que dose.
Na semana passada, a cúpula nacional do PFL reuniu-se em Brasília
com representantes do partido nos Estados. O cacique da legenda, Jorge
Bornhausen, apresentou uma proposta à platéia. Pediu para
que cada diretório estadual cedesse pelo menos um terço
de seu tempo de televisão no segundo semestre a Roseana. Os 25
diretórios presentes concordaram. Melhor que isso: os do Rio de
Janeiro, de São Paulo e de Mato Grosso do Sul resolveram dar à
governadora a metade, e não apenas um terço, de seu horário
político na televisão. Se a promessa for cumprida por todos,
Roseana ficará, pelo menos, três horas e 45 minutos falando
aos brasileiros de norte a sul do país até o fim do ano.
É um tempo monumental. Só os grandes da publicidade fazem
campanhas de duração maior. A estratégia do PFL é
parecida com a de um bom anunciante. "Não é uma campanha
de Antarctica ou de Brahma, mas é semelhante à de uma Schincariol",
compara, com bom humor, José Roberto Berni, diretor-geral da agência
de publicidade DM9DDB.
É
uma aposta prever o efeito que essa campanha terá para Roseana
Sarney e o PFL, mas a exibição da governadora em agosto
foi sucesso em vários aspectos. A pesquisa do Vox Populi mostrou
que 56% dos entrevistados a viram no vídeo o que indica alta
penetração da campanha. Mas o melhor veio depois. Entre
os entrevistados que assistiram ao programa, a esmagadora maioria gostou
do que viu: 49% consideraram seu desempenho excelente e 42% classificaram-no
como bom. Quando o Vox Populi exibiu a lista de possíveis candidatos
a presidente apenas para os que viram Roseana na televisão, a preferência
pela governadora pulou de 14% para 20%. Neste caso, ela ficou em segundo
lugar, isolada, com 5 pontos porcentuais à frente de Ciro e atrás
somente do líder, Luís Inácio Lula da Silva, do PT.
No âmbito da aliança governista, Roseana também corre
à frente do ministro da Saúde, o tucano José Serra.
Numa outra simulação, na pesquisa de duas semanas atrás,
Serra estava com 8,4% da preferência do eleitorado, ficando em sexto
lugar. Nesse cenário, Roseana ficava em quarto, com 11,2%. Na pesquisa
de agora, ele também está em sexto lugar, mas com 6%. "Roseana
tem mais potencial para crescer que Serra, por ter vantagens que o ministro
não tem: é mulher, filha de Sarney, um dos ex-presidentes
mais populares do país atualmente, e tem um governo bem avaliado",
diz Marcos Coimbra, do Vox Populi. Na mesma pesquisa, 64% disseram que
votariam numa mulher para presidente e a maior parte considerou que a
mulher, na política, é mais "confiável", "honesta",
"competente", "capaz" e "responsável" que o homem só
não é mais "firme". "Mesmo assim, ainda é cedo para
considerá-la um fato definitivo no cenário político",
alerta Marcos Coimbra.
Na semana passada, Roseana mandou dizer à cúpula do PFL
que agradece o tempo de televisão que os Estados lhe cederão
e que está à disposição "para fortalecer o
partido". A governadora insiste, porém, que não será
candidata a vice ou sai para presidente ou, então, optará
por concorrer ao Senado. "Ninguém vota em vice-presidente, em vice-governador
ou vice-prefeito. Ninguém vota em vice", diz ela. Seja como for,
o PFL já a escalou para participar de eventos partidários
em pelo menos cinco capitais Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza,
Goiânia e Belo Horizonte. Agradecida, Roseana diz que vai aonde
for necessário. Sempre, é claro, em nome do "fortalecimento
do partido".
|
|
 |