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Edição 1 717 - 12 de setembro de 2001
Brasil Minas Gerais

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Brasil
 

O lobby das companhias aéreas
O que Itamar diz não é o que ele faz
Complica-se a situação do subprocurador Guskow
O fim do reino das medidas provisórias
O PFL faz tudo por Roseana Sarney
Processo de cassação de Jader Barbalho à vista

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O bom de verbo

Levantamento mostra que, com Itamar,
não valem nem o dito nem o escrito

José Edward

Wilton Junior/AE
Itamar: discurso para um lado, ações para o outro

O governador de Minas Gerais, Itamar Franco, ataca o que chama de "corrupção endêmica" do governo central e a "falta de sensibilidade social" do presidente Fernando Henrique Cardoso, que, segundo ele, promove uma "ostensiva discriminação" contra Minas Gerais. Um levantamento feito pela bancada estadual mineira do PT compromete esse discurso. O estudo compara promessas, declarações e críticas do governador com seus atos no Palácio da Liberdade. O resultado é uma goleada de contradições. Em doze afirmações importantes de Itamar, a prática é diferente da oratória. Mesmo eliminando as promessas de campanha e os discursos em cima do palanque eleitoral – situações em que qualquer político exagera –, sobram quatro itens importantes em que Itamar diz uma coisa mas faz outra domesticamente. "Ele é bom de retórica, entretanto não tem a mesma qualidade na hora de governar", afirma o líder do PT na Assembléia Legislativa, Adelmo Carneiro Leão.

Uma das conclusões do estudo é que, apesar das hostilidades contra o Planalto, Itamar mantém boa parte de suas ações com recursos repassados pela União. No ano passado, as verbas federais aplicadas em Minas aumentaram 7%, enquanto a receita do Estado cresceu só 5,4%. Na área de assistência social, os investimentos federais somaram 12,4 milhões de reais – três vezes mais que o valor liberado por Itamar. O governador dá corda ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e até já condecorou militantes do grupo. Mas sua reforma agrária se resume a gastar menos de 1% do prometido em projetos de irrigação nos assentamentos e a desembolsar 4,5 milhões de reais pagando desapropriações para as quais o orçamento reservava um vigésimo disso.

No início deste ano, em meio à ameaça de apagão, o governo mineiro veiculou uma propaganda nos jornais dizendo que Minas estava construindo nove usinas hidrelétricas "para o Brasil não economizar em desenvolvimento". Na verdade, são só quatro usinas, projetadas no governo anterior. As outras cinco estão em projeto. Detalhe: nos próximos dois anos, Minas Gerais, que consome cerca de 11% da energia elétrica do país, vai contribuir com apenas 2,8% no aumento da geração, conforme dados do Ministério das Minas e Energia. "Itamar é um populista típico", analisa o cientista político Ricardo Guedes, do Instituto Sensus. "Age à direita e discursa à esquerda." Há duas semanas, a assessoria do governador foi informada da lista sobre seus ditos e feitos. Desta vez, Itamar preferiu ficar de boca fechada.

 

 
 
   
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