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O
bom de verbo
Levantamento mostra que, com Itamar,
não
valem nem o dito nem o escrito
José
Edward
Wilton Junior/AE
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Itamar: discurso para um lado, ações
para o outro |
O
governador de Minas Gerais, Itamar Franco, ataca o que chama de "corrupção
endêmica" do governo central e a "falta de sensibilidade social"
do presidente Fernando Henrique Cardoso, que, segundo ele, promove uma
"ostensiva discriminação" contra Minas Gerais. Um levantamento
feito pela bancada estadual mineira do PT compromete esse discurso. O
estudo compara promessas, declarações e críticas
do governador com seus atos no Palácio da Liberdade. O resultado
é uma goleada de contradições. Em doze afirmações
importantes de Itamar, a prática é diferente da oratória.
Mesmo eliminando as promessas de campanha e os discursos em cima do palanque
eleitoral situações em que qualquer político exagera
, sobram quatro itens importantes em que Itamar diz uma coisa mas faz
outra domesticamente. "Ele é bom de retórica, entretanto
não tem a mesma qualidade na hora de governar", afirma o líder
do PT na Assembléia Legislativa, Adelmo Carneiro Leão.
Uma das conclusões do estudo é que, apesar das hostilidades
contra o Planalto, Itamar mantém boa parte de suas ações
com recursos repassados pela União. No ano passado, as verbas federais
aplicadas em Minas aumentaram 7%, enquanto a receita do Estado cresceu
só 5,4%. Na área de assistência social, os investimentos
federais somaram 12,4 milhões de reais três vezes mais
que o valor liberado por Itamar. O governador dá corda ao Movimento
dos Trabalhadores Sem Terra e até já condecorou militantes
do grupo. Mas sua reforma agrária se resume a gastar menos de 1%
do prometido em projetos de irrigação nos assentamentos
e a desembolsar 4,5 milhões de reais pagando desapropriações
para as quais o orçamento reservava um vigésimo disso.
No início deste ano, em meio à ameaça de apagão,
o governo mineiro veiculou uma propaganda nos jornais dizendo que Minas
estava construindo nove usinas hidrelétricas "para o Brasil não
economizar em desenvolvimento". Na verdade, são só quatro
usinas, projetadas no governo anterior. As outras cinco estão em
projeto. Detalhe: nos próximos dois anos, Minas Gerais, que consome
cerca de 11% da energia elétrica do país, vai contribuir
com apenas 2,8% no aumento da geração, conforme dados do
Ministério das Minas e Energia. "Itamar é um populista típico",
analisa o cientista político Ricardo Guedes, do Instituto Sensus.
"Age à direita e discursa à esquerda." Há duas semanas,
a assessoria do governador foi informada da lista sobre seus ditos e feitos.
Desta vez, Itamar preferiu ficar de boca fechada.
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