É mesmo o fim

Armageddon, outro filme com jeito de videoclipe

O fim do mundo está próximo — pelo menos no que depender de Hollywood. Nos últimos meses, foram lançados dois filmes sobre o tema. O primeiro foi Impacto Profundo, no qual um cometa entra em rota de colisão com a Terra. O segundo é Armageddon, em cartaz em circuito nacional, no qual aparece um meteoro ameaçador. O filme é inverossímil, tem roteiro ruim e elenco irregular — mas não dá para perceber todos esses defeitos. O que se vê, na tela, é um videoclipe alucinante, em que seqüências de destruição se sucedem. A montagem é tão rápida que nenhuma cena dura mais do que quarenta segundos. Isso faz com que o espectador entre numa espécie de transe e não consiga raciocinar. Sábia estratégia do diretor. Afinal, se o espectador pudesse pensar, sairia do cinema e iria para casa fazer algo mais útil do que assistir a mais um filme sobre o fim do mundo.

Com seu ritmo frenético, Armageddon é um pouco mais divertido do que o chatíssimo Impacto Profundo. Tanto que está tendo um desempenho melhor nas bilheterias. Deve arrecadar 250 milhões de dólares nos Estados Unidos, contra 150 milhões de seu oponente. Tem-se tornado uma tradição na Hollywood atual lançar quase simultaneamente filmes sobre o mesmo assunto. Recentemente, houve dois Robin Hood, dois filmes sobre a descoberta da América (Cristóvão Colombo e 1492) e dois bangue-bangues recontando a famosa história de Wyatt Earp e Doc Holliday. De uma maneira geral, o que é lançado primeiro fica com a maior parte da bilheteria. Armageddon é a exceção que confirma a regra.

Curvas — A maior decepção do filme é o par romântico formado por duas estrelas em ascensão em Hollywood, Liv Tyler e Ben Affleck. No papel de astronauta, Affleck — o parceiro de Matt Damon no roteiro de Gênio Indomável, premiado com o Oscar — prova que é melhor quando usa a caneta do que quando bota sua cara espinhenta na telona. Já Liv Tyler só provoca frisson quando exibe aquelas curvas de deixar macarrão al dente que mostrou em Beleza Roubada, passado na Itália. Quando atua vestida, fica muito evidente sua falta de talento. É possível que Liv Tyler tenha sido convidada como um agrado ao pai, Steven, o veterano líder do conjunto de rock Aerosmith, que comparece com quatro canções na trilha sonora. Sem exagero, a música de Steven é mais importante para Armageddon do que a plástica da filha. Num filme que parece um videoclipe, o som de rock pauleira é essencial para dar o efeito grandiloqüente almejado, juntamente com as cenas de destruição. O resto é acessório. Atores inclusive.

Rubens Ewald Filho




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