Imagem da Semana
Vai dar em filme
No novo papel de herói e com ajuda de um
amigo produtor,
Clinton salva moças bonitas

Vilma Gryzinski
Danny Meloshok/Reuters
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Foi uma cena tão bonita que ninguém pensou em fazer
a piadinha óbvia: Bill Clinton tirou as duas jornalistas das garras
da Coreia do Norte e o problema passou a ser quem iria tirar as belas mulheres
das garras de... bem, deixemos para lá. O ex-presidente estava tão
à vontade no papel de herói salvador que se permitiu até
enlaçar paternalmente uma das suas beneficiadas, Euna Lee, por sua vez
abraçada, em prantos, à filhinha Hana. A colega dela, igualmente
presa na fronteira e depois anistiada, é Laura Ling. Cena e papel não
são palavras que surgem ao acaso. A missão resgate foi financiada
por um produtor de cinema amigo do casal Clinton, Steve Bing (rico, bonitão
e malfalado porque a atriz Elizabeth Hurley precisou fazer DNA para comprovar
que ele era o pai do filho dela), e coordenada por uma grande firma de relações
públicas. E, claro, estava tudo combinado com a Coreia do Norte
aí o único elemento imponderável, considerando-se o grau
de alucinação com que funciona o mais indecifrável país
do planeta. Mas deu certo. Clinton chegou no avião de Bing e pediu: levem-me
a seu líder. Enfrentou um Kim Jong-il sorridente, pescocinho afinando
dentro da gola um derrame no ano passado e agora câncer de pâncreas,
dizem os principais interessados, os sul-coreanos. A única crítica
que a oposição republicana conseguiu fazer foi que o governo Obama,
via Clinton, concedeu uma vitória a Kim no campo da propaganda. Bobagem,
considerando-se que a Coreia do Norte já vive num reino propagandístico
de faz de conta. No máximo, foi uma forcinha
à especulada transmissão de poder à terceira geração
da atual dinastia: Kim Jong-il
estaria planejando unir nome a destino e
fazer de seu caçula, Kim Jong-un, o
próximo número um. |