Fred Prouser/
Reuters
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Artigo
O desafio de criar novas regras
"A
falta de normas globais sobre privacidade na internet tem consequências
nefastas. Perdem os indivíduos, que não sabem se
seus dados estão
seguros. E há também incerteza nos negócios"
À medida que a era da informação avança, as tecnologias
que a alimentam se tornam mais úteis e sofisticadas. As oportunidades são
imensas. Mas esses avanços às vezes nos fazem sentir como peixes
num aquário digital. Câmeras registram nossas compras e nossas viagens.
Celulares seguem nossos movimentos. E-mails deixam rastros de nossas conversas.
As últimas tendências da internet blogs, redes sociais e sites
para a troca de vídeos nos levam um passo adiante. Com um clique
no mouse, é possível compartilhar quase tudo fotografias,
vídeos, e os pensamentos mais íntimos com quase todos. Por
isso, é fundamental definir novas regras em torno do tema privacidade,
para regular um mundo cada vez mais transparente. E, quando digo novas regras,
não quero dizer necessariamente novas leis. A autorregulação
com frequência funciona melhor que a legislação, sobretudo
em mercados altamente competitivos nos quais as pessoas podem trocar de serviço
simplesmente digitando algumas letras num computador.
O mercado de buscas
é um bom exemplo. Sites como o Google mantêm registros das pesquisas
dos clientes. Por que guardar essas informações? Há vários
motivos, mas os mais importantes são melhorar nosso serviço e manter
a segurança de nossos sistemas. Quando alguém digita "David
Bekam" e o Google pergunta "Você quis dizer: David Beckham",
essa correção é o resultado da análise dos registros
deixados pelos usuários. Da mesma forma, quanto maior for o entendimento
de nossos engenheiros sobre os diferentes padrões de pesquisa que ocorrem
no site, mais chance teremos de combater fraudes e páginas falsas criadas
para influenciar os resultados da busca. No Google há pessoas dedicadas
ao estudo do comportamento dos usuários. Nosso objetivo é entender
o que fazem, saber do que gostam e assim lhes oferecer melhores produtos e serviços.
Compreendemos que nem todos se sentirão confortáveis em compartilhar
conosco esse tipo de informação. E é por isso que acreditamos
que dar escolha aos clientes é fundamental.
É claro que a
legislação tem lugar no estabelecimento de regras mínimas
de privacidade. Por enquanto, contudo, a maioria das nações não
possui nenhum tipo de regra para proteção de dados. Onde existe
legislação, ela é tipicamente emaranhada. A falta de normas
globais sobre privacidade na internet tem consequências nefastas. Perdem
os indivíduos, que não sabem se seus dados estão seguros
onde quer que estejam armazenados. Há também incerteza nos
negócios. Como uma empresa global, por exemplo, sabe qual padrão
de proteção de dados aplicar em cada mercado no qual opera? Por
isso, o Google advoga uma abordagem nova do tema da privacidade e pede
mais coordenação da comunidade internacional.
A velocidade
e a escala da revolução digital são tão grandes que
poucos ainda lembram como era a vida antes de podermos nos comunicar ou buscar
informações 24 horas por dia, sete dias por semana. Também
os benefícios desse novo mundo são de tal magnitude que quem quer
que se recorde de nosso passado analógico não gostaria de voltar
a ele. Encaramos uma tarefa dupla: aumentar a confiança das pessoas na
internet prevenindo abusos e fomentando inovações. Critérios
universais de proteção da privacidade são essenciais para
atingir esses objetivos. Pela prosperidade econômica, pela boa governança
e pela liberdade individual, devemos acelerar nossos esforços para implementá-los.
Eric
Schmidt é presidente do Google
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