Ciências
Circuitos independentes
Cientistas
comprovam que coceira não é dor atenuada
Ian Boddy/SPL/Latinstock
 |
| O CAMINHO DA COCEIRA pode estar na espinha dorsal, diz
pesquisa |
Durante décadas
os cientistas acreditaram que a coceira e a dor eram variações da
mesma sensação corporal. A ideia era que ambas utilizavam as mesmas
terminações nervosas na pele e os mesmos circuitos neuronais. Pensava-se,
portanto, que elas deveriam ter o mesmo tratamento terapêutico. Essa hipótese
começou a mudar quando, há dois anos, os cientistas descobriram
que as duas sensações estão relacionadas a genes diferentes.
Era o caminho para a conclusão a que se chegou agora. Na semana passada
foi anunciado o resultado de um estudo que separa definitivamente as duas sensações.
Coordenada pelo pesquisador Zhou-Feng Chen, da Escola de Medicina da Universidade
de Washington, a pesquisa encontrou evidências de que, embora as terminações
nervosas capazes de identificar as duas sensações estejam localizadas
na pele da mesma forma, elas utilizam caminhos diferentes do sistema nervoso para
chegar ao cérebro. Trabalhando com ratos, os cientistas encontraram circuitos
específicos para a coceira. O avanço é notável. O
que se conseguiu foi bloquear a sensação de coceira sem afetar a
sensibilidade dos roedores à dor, uma proteção natural do
corpo.
Há mais de cinquenta doenças catalogadas que podem
produzir coceiras desesperadoras. Eczemas, psoríase, alergias e infecções
são algumas delas. Daí a importância de descobrir os mecanismos
específicos que regem a sensação de prurido. A dificuldade
é que o sistema nervoso é um emaranhado. Nos organismos mais complexos,
como o corpo humano, as sensações táteis são suportadas
por uma extensa teia de terminações nervosas. Para identificar as
diferenças, a equipe de Cheng por sinal, a mesma que fez o sequenciamento
genético da coceira trabalhou por mais de dez anos. Agora aponta
para o alívio de um problema que aflige cotidianamente milhões de
pessoas. |