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• Livros: O Andar do Bêbado, de Leonard MlodinowTelevisãoBela, a estranhaO novo folhetim da Record destoa do tom sisudo
das produções
da rede.
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Fotos Divulgação/TV Rrecord/Tiago Queiroz/AE![]() |
As novelas da Record sempre foram meio sisudas. Embora algumas até exibam núcleos cômicos, o tom geral é de excesso dramático e tome tiroteios, iluminação sombria, temas musicais dilacerantes. Humor, mesmo, só o involuntário, como o da recém-finada saga dos mutantes. Nesse universo, Bela, a Feia é um corpo estranho. O folhetim é a versão brasileira para o sucesso surgido na Colômbia há dez anos e exportado para vinte países. Todas as regravações obedecem à mesma fórmula: uma fábula sobre uma mocinha horrenda que conquista o patrão playboy. Mas há nuances. O original colombiano tem uma pitada a mais de romantismo: culmina com a transformação da personagem num cisne que fisga o coração do chefe. Na americana Ugly Betty, uma série cômica, tudo indica que a personagem continuará feia mesmo e não vai se envolver com o patrão. Embora sua fonte oficial seja a versão da rede mexicana Televisa, a novela da Record bebe despudoradamente da similar americana. Trata-se de uma comédia rasgada, cujo cenário moderninho é idêntico ao americano, ainda que o ambiente seja uma agência de publicidade (Ugly Betty se passa na redação de uma revista de moda). Mesmo assim, o folhetim tem um pé na tradição dos melodramas nacionais: a protagonista (que aqui se chama Bela, e não Betty) vive num meio de sambistas cariocas que é a cara dos núcleos popularescos de Glória Perez. Em sua semana de estreia, esse coquetel tropical não disse a que veio: na quarta-feira, a novela amargou míseros 9 pontos de ibope em São Paulo (a Record esperava 20).
Bela, a Feia também foge daquele tom solene de sermão dos bispos do Fala que Eu Te Escuto por abraçar outro aspecto da versão americana: é uma novela muito gay. Entre seus personagens, há um editor de moda negro cheio de trejeitos que, ao que se sugere, tem um rolo com um personal trainer loiro e o tio cabeleireiro de Bela, com seu assistente enrustido. O colorido GLS vigora também na caracterização do "mundinho fashion" e da própria Bela. O visual da atriz Giselle Itié foi desconstruído (veja o quadro) pelo amazonense Márcio Farache, que se define como "visagista" ("cuido da estética de forma holística", explica). Só para chegar ao aparelho dentário ideal, ele garante ter visitado 27 clínicas odontológicas. "Não é um aparelho normal. É artístico", diz. Giselle usa ainda um macacão de enchimentos que a faz saltar do manequim 38 para o 44. Ela enverga um sutiã que faz seus seios dobrar de volume. Essa moça é uma santa.