Edição 1964 . 12 de julho de 2006

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VEJA Recomenda

FILME

Transamérica (Transamerica, Estados Unidos, 2005. Estréia nesta sexta-feira no país) – A uma semana da cirurgia que completará sua mudança de sexo, Bree, que já se chamou Stanley, descobre que é mãe (ou, biologicamente, pai) de um rapaz que acaba de ser preso por prostituição. Empurrada por sua psicóloga, ela vai buscá-lo, fazendo-se passar por missionária da "Igreja do Pai Potencial" – que, claro, ela inventa na hora. No road movie que se segue, os dois viajam juntos de Nova York a Los Angeles, enfrentando os inevitáveis cacoetes do cinema independente, mas também vivendo alguns momentos realmente interessantes. Destes, a maioria cabe, como muito já se falou, à atuação de Felicity Huffman. Sem pesar a mão, a atriz da série Desperate Housewives localiza o dilema mais doloroso de Bree, que operação nenhuma pode resolver: o pavor de gostar de alguém, seja de que forma for. Veja cenas.

 

DVDs

Medo (A Tale of Two Sisters, Coréia do Sul, 2003. Europa) – De volta à casa paterna depois do que se deduz ser um longo período de internação psiquiátrica, as irmãs Janghwa e Hongryeon têm de se ver com sua madrasta – e afeição e compreensão não parecem ser os sentimentos dominantes entre o trio. Dos cenários isolados em que a ação se desenrola à sensação de que algo no enredo está fora de esquadro, o diretor sul-coreano Ji-woon Kim segue à risca a cartilha do terror oriental. Com um bônus: ele tem um olho privilegiado para as composições, e aproveita-se disso para investir mais no clima psicológico do que nos batidos fantasmas asiáticos à moda de O Chamado ou O Grito. Sucesso moderado nos Estados Unidos e na Europa, o filme ficou inédito nos cinemas brasileiros.

 

AFP
Scorsese dirige Blues: coisa de quem entende do riscado

Blues, de Martin Scorsese (Focus) – Exibida há três anos pela rede americana PBS, a série Blues foi idealizada por um dos cineastas americanos que mais entendem de música: Martin Scorsese. Ele cuidou pessoalmente do primeiro episódio, deixando os restantes nas mãos dos igualmente consagrados (e eruditos) Mike Figgis, Wim Wenders e Clint Eastwood. O seriado foi lançado em DVD nos Estados Unidos, numa caixa com os sete episódios. No Brasil, optou-se pela divisão em duas caixas. Esta aqui traz a homenagem de Eastwood aos pianistas de blues, mas a surpresa fica por conta de Road to Memphis, episódio dirigido por Richard Pearce. Mais conhecido por trabalhos para a televisão, ele mostra sensibilidade incomum ao narrar a trajetória do guitarrista B.B. King.

 

 

DISCO

 
Stephane de Sakutin/AFP
Clap Your Hands: sucesso na rede  

Clap Your Hands and Say Yeah (Sum Records) – O grupo americano é o primeiro fenômeno gerado pela internet. Surgido há dois anos, o Clap Your Hands and Say Yeah usou a rede para contar a história da banda, informar os locais em que iria se apresentar e – o mais importante – mostrar suas canções a quem quisesse ouvi-las. A estratégia deu tão certo que eles venderam 40.000 unidades do disco de estréia na semana de lançamento e ganharam resenhas elogiosas nos principais jornais e revistas americanos e europeus. O CD soa como uma versão remoçada do punk e da new wave dos anos 70, em especial de Joy Division e Talking Heads – o cantor Alec Ounsworth tem um timbre muito parecido com o de David Byrne, dos Talking Heads. A faixa Let the Cool Goddess Rust Away é obrigatória em qualquer festa que se preze.

 

LIVROS

Lutando na Espanha, de George Orwell (tradução de Ana Helena Souza; Globo; 400 páginas; 45 reais) – Conhecido por seu jornalismo combativo e libertário, o escritor inglês George Orwell (1903-1950) lutou na Guerra Civil Espanhola contra as tropas fascistas de Franco – e também contra os comunistas que esfacelaram a causa republicana. Essa experiência foi fundamental para a crítica que Orwell faria a todas as formas de totalitarismo em livros como 1984. Lutando na Espanha reúne vários ensaios de Orwell sobre a Espanha. Homenagem à Catalunha, suas memórias da guerra, aparece em nova tradução, incorporando revisões que o autor fez pouco antes de morrer. Leia trecho.

Um Espetáculo de Corrupção, de David Liss (tradução de Flávia Rössler; Record; 494 páginas; 52,90 reais) – O primeiro romance de Liss, A Conspiração de Papel, era um thriller histórico que tinha como pano de fundo um escândalo financeiro em Londres no século XVIII. O herói era Benjamin Weaver, um pugilista judeu aposentado que faz as vezes de detetive. Em Um Espetáculo de Corrupção, Weaver retorna, agora para investigar um crime que o leva aos sujos bastidores de uma eleição parlamentar na Inglaterra do rei George. Ao lado de uma trama policial envolvente, Liss compõe um painel fascinante da vida inglesa no século XVIII. Leia trecho.

 

OS MAIS VENDIDOS – CRÍTICA

Há nove semanas na lista de mais vendidos, Labirinto (tradução de Fernanda Abreu; Objetiva; 580 páginas; 49,90 reais) é uma espécie de O Código Da Vinci com uma camada extra de verniz "cultural". Tem até glossário com palavras do dialeto occitano, língua antiga da França meridional. Apresentadora de programas literários nas rádios inglesas, Kate Mosse tomou um mote histórico – a cruzada contra os cátaros, uma seita herética do sul da França, no século XIII – para compor um enredo esotérico que conjuga segredos do Egito antigo e, claro, a busca do Santo Graal. Com duas heroínas atuando em eras diferentes – a Idade Média e os dias de hoje –, o livro tem aquela ação rápida que se exige da literatura de aeroporto. Pena que, entre uma correria e outra, o leitor tenha de engolir pérolas de filosofia holística do tipo "a verdade está em tudo a nossa volta".

Jerônimo Teixeira

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel; Rio: Travessa, Saraiva, Laselva, Sodiler, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; Campo Grande: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Sodiler, Submarino.
 
 
 
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