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VEJA Recomenda FILME
Transamérica (Transamerica,
Estados Unidos, 2005. Estréia nesta sexta-feira no país)
A uma semana da cirurgia que completará sua mudança de sexo, Bree,
que já se chamou Stanley, descobre que é mãe (ou, biologicamente,
pai) de um rapaz que acaba de ser preso por prostituição. Empurrada
por sua psicóloga, ela vai buscá-lo, fazendo-se passar por missionária
da "Igreja do Pai Potencial" que, claro, ela inventa na hora. No road movie
que se segue, os dois viajam juntos de Nova York a Los Angeles, enfrentando os
inevitáveis cacoetes do cinema independente, mas também vivendo
alguns momentos realmente interessantes. Destes, a maioria cabe, como muito já
se falou, à atuação de Felicity Huffman. Sem pesar a mão,
a atriz da série Desperate Housewives localiza o dilema mais doloroso
de Bree, que operação nenhuma pode resolver: o pavor de gostar de
alguém, seja de que forma for. Veja
cenas. DVDs
Medo (A Tale of Two Sisters,
Coréia do Sul, 2003. Europa) De volta à casa paterna depois
do que se deduz ser um longo período de internação psiquiátrica,
as irmãs Janghwa e Hongryeon têm de se ver com sua madrasta
e afeição e compreensão não parecem ser os sentimentos
dominantes entre o trio. Dos cenários isolados em que a ação
se desenrola à sensação de que algo no enredo está
fora de esquadro, o diretor sul-coreano Ji-woon Kim segue à risca a cartilha
do terror oriental. Com um bônus: ele tem um olho privilegiado para as composições,
e aproveita-se disso para investir mais no clima psicológico do que nos
batidos fantasmas asiáticos à moda de O Chamado ou O Grito.
Sucesso moderado nos Estados Unidos e na Europa, o filme ficou inédito
nos cinemas brasileiros. AFP
 | | Scorsese
dirige Blues: coisa de quem entende do riscado |
Blues,
de Martin Scorsese (Focus) Exibida há três anos pela rede
americana PBS, a série Blues foi idealizada por um dos cineastas
americanos que mais entendem de música: Martin Scorsese. Ele cuidou pessoalmente
do primeiro episódio, deixando os restantes nas mãos dos igualmente
consagrados (e eruditos) Mike Figgis, Wim Wenders e Clint Eastwood. O seriado
foi lançado em DVD nos Estados Unidos, numa caixa com os sete episódios.
No Brasil, optou-se pela divisão em duas caixas. Esta aqui traz a homenagem
de Eastwood aos pianistas de blues, mas a surpresa fica por conta de Road to
Memphis, episódio dirigido por Richard Pearce. Mais conhecido por trabalhos
para a televisão, ele mostra sensibilidade incomum ao narrar a trajetória
do guitarrista B.B. King. DISCO
Stephane
de Sakutin/AFP
 |  | | Clap
Your Hands: sucesso na rede | |
Clap
Your Hands and Say Yeah (Sum Records) O grupo americano é
o primeiro fenômeno gerado pela internet. Surgido há dois anos, o
Clap Your Hands and Say Yeah usou a rede para contar a história da banda,
informar os locais em que iria se apresentar e o mais importante
mostrar suas canções a quem quisesse ouvi-las. A estratégia
deu tão certo que eles venderam 40.000 unidades do disco de estréia
na semana de lançamento e ganharam resenhas elogiosas nos principais jornais
e revistas americanos e europeus. O CD soa como uma versão remoçada
do punk e da new wave dos anos 70, em especial de Joy Division e Talking Heads
o cantor Alec Ounsworth tem um timbre muito parecido com o de David Byrne,
dos Talking Heads. A faixa Let the Cool Goddess Rust Away é obrigatória
em qualquer festa que se preze. LIVROS
Lutando
na Espanha, de George Orwell (tradução de Ana Helena Souza;
Globo; 400 páginas; 45 reais) Conhecido por seu jornalismo combativo
e libertário, o escritor inglês George Orwell (1903-1950) lutou na
Guerra Civil Espanhola contra as tropas fascistas de Franco e também
contra os comunistas que esfacelaram a causa republicana. Essa experiência
foi fundamental para a crítica que Orwell faria a todas as formas de totalitarismo
em livros como 1984. Lutando na Espanha reúne vários
ensaios de Orwell sobre a Espanha. Homenagem à Catalunha, suas memórias
da guerra, aparece em nova tradução, incorporando revisões
que o autor fez pouco antes de morrer. Leia
trecho. Um
Espetáculo de Corrupção, de David Liss (tradução
de Flávia Rössler; Record; 494 páginas; 52,90 reais)
O primeiro romance de Liss, A Conspiração de Papel, era um
thriller histórico que tinha como pano de fundo um escândalo financeiro
em Londres no século XVIII. O herói era Benjamin Weaver, um pugilista
judeu aposentado que faz as vezes de detetive. Em Um Espetáculo de Corrupção,
Weaver retorna, agora para investigar um crime que o leva aos sujos bastidores
de uma eleição parlamentar na Inglaterra do rei George. Ao lado
de uma trama policial envolvente, Liss compõe um painel fascinante da vida
inglesa no século XVIII. Leia
trecho.
OS
MAIS VENDIDOS CRÍTICA
Há
nove semanas na lista de mais vendidos, Labirinto (tradução
de Fernanda Abreu; Objetiva; 580 páginas; 49,90 reais) é uma espécie
de O Código Da Vinci com uma camada extra de verniz "cultural".
Tem até glossário com palavras do dialeto occitano, língua
antiga da França meridional. Apresentadora de programas literários
nas rádios inglesas, Kate Mosse tomou um mote histórico a
cruzada contra os cátaros, uma seita herética do sul da França,
no século XIII para compor um enredo esotérico que conjuga
segredos do Egito antigo e, claro, a busca do Santo Graal. Com duas heroínas
atuando em eras diferentes a Idade Média e os dias de hoje ,
o livro tem aquela ação rápida que se exige da literatura
de aeroporto. Pena que, entre uma correria e outra, o leitor tenha de engolir
pérolas de filosofia holística do tipo "a verdade está em
tudo a nossa volta". Jerônimo
Teixeira | | |