Edição 1964 . 12 de julho de 2006

Índice
Millôr
Lya Luft
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Gente
Veja.com
Veja essa
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"A reportagem auxilia no cuidado contra males que podem atingir a todos os que estão expostos aosraios de sol. Parabéns a VEJA!"
Valdirene Bonatto Mendonça Coelho
Santo André, SP

Pele

VEJA acertou com mais uma rica matéria de utilidade pública, pois com a pele, que é a nossa principal roupa, não se brinca ("Questões de pele", 5 de julho). Sendo leitora dessa revista desde a adolescência, gostaria de dar também a minha contribuição como esteticista e instrutora de curso na área de cosmetologia. Só faltou lembrar que tanto as peles melanodérmicas (morenas e negras) quanto as mais claras encontram no mercado produtos específicos e aclimatados. Parabéns a VEJA por me auxiliar também em meu trabalho.
Rosimere Valduga
Cascavel, PR  

Quero cumprimentá-los pelas excelentes reportagens que vêm sendo publicadas na área de saúde e bem-estar. A matéria de capa desta semana, sobre os dezesseis tipos de pele, merece elogios. Só tenho uma ressalva a fazer sobre o tom da chamada da capa, que pode dar a entender que tudo o que foi feito até agora em relação aos cuidados com a pele estava errado. A própria reportagem em seu escopo desmente isso, ao enfatizar o tom de evolução da pesquisa, muito mais do que revolução, uma vez que as análises conjunturais múltiplas já vêm sendo feitas há muito tempo pelos dermatologistas, levando em consideração os fatores ambientais e hereditários dos pacientes.
Fernando Bezerra
Dermatologista
Por e-mail

 

Lentes de contato

A reportagem "Vermelhos, ardentes e lacrimejantes" (5 de julho), sobre o uso inadequado das lentes de contato, foi bastante esclarecedora para que os usuários saibam como manter a vida útil da lentes e a saúde dos olhos.
Maria Dilma Ponte de Brito
Parnaíba, PI  

É importante dizer que a cegueira provocada pela catarata é de caráter reversível, enquanto doenças como glaucoma e retinopatia diabética podem causar lesões, com perda irreversível, total ou parcial da visão.
Eduardo Ribeiro
Médico oftalmologista
Petrolina, PE

 

Justiça

A portaria do Ibama para operar fiscalização é legal. A tentativa de anular multas faz parte da campanha da Associação de Fiscais do Meio Ambiente (Anfema) pela criação do cargo de fiscal. A reivindicação pode até ser legítima, mas inexeqüível pelas implicações orçamentárias. A Procuradoria Federal Especializada junto ao Ibama tem conhecimento de uma única decisão liminar favorável ao infrator que questionou a legalidade do auto lavrado por um servidor designado pela portaria. A procuradoria recorre da decisão. Os servidores designados para a atividade de fiscalização são treinados previamente ("Devastação financeira", 5 de julho).
Marcus Barros
Presidente do Ibama
Brasília, DF

Excelente a reportagem na qual o jornalista Leonardo Coutinho, de forma clara e imparcial, aborda a situação esdrúxula com que o órgão responsável pela "fiscalização" da mais importante fonte de sobrevivência do planeta, o meio ambiente, trata a questão em nosso país. Na condição de advogado que ajuizou e patrocina a ação judicial objeto da matéria, em tramitação na 13ª Vara Federal do Distrito Federal, sentimos que essa reportagem muito contribuirá para sensibilizar os responsáveis pelo aperfeiçoamento da legislação ambiental. As condutas humanas permissivas decorrem da falta de seriedade na elaboração das normas jurídicas, da inexistência de vontade para aperfeiçoá-las e da ausência de meios para atuar e capacitar os servidores públicos, o que conduz, muitas vezes, à impunidade ou à arbitrariedade.
Mário André Carvalho Machado
Brasília, DF

 

Bioterrorismo

Como representante da região cacaueira na Câmara Federal no período da introdução criminosa do fungo nas lavouras baianas, nunca tive dúvidas de que a ação partiu de funcionários da Ceplac. Até porque à época foi aberto processo interno no órgão para esclarecer quem foi o portador de uma quantidade de material infectado encontrada na sua sede localizada na estrada Ilhéus–Itabuna. Hoje, com a citação pelo réu confesso de cúmplices funcionários da instituição, reforço minha certeza de que foi uma ação política dos envolvidos. Transcrevo parte de meu discurso em plenário do Congresso Nacional, em 29 de junho de 1990: "Diante dessas novas ocorrências já se levantam, na região cacaueira da Bahia, suspeitas de que por trás desses focos há ação criminosa, objetivando a introdução da enfermidade no principal pólo produtor de cacau do país, responsável por 95% da produção nacional. Mais recentemente, foram encontrados galhos secos da vassoura-de-bruxa amarrados em cacaueiros sadios em propriedades rurais localizadas no sul da Bahia, o que leva a concluir que há prática de disseminação induzida da referida enfermidade, ação assim que se reputa criminosa".
Jorge Vianna
Médico e ex-deputado federal
Ilhéus, BA

 

Carta ao leitor

Muito oportuno o conteúdo da Carta ao leitor "Não é falta de coração, mas de cérebro" (5 de julho). Todos os admiradores da ideologia de esquerda deveriam ler essa mensagem. Eu gostaria de acrescentar o seguinte: se os bilionários, americanos ou não, distribuíssem uma cartilha em defesa de atitudes de auto-estima a todas as crianças e adolescentes carentes, naturalmente o mundo seria muito melhor. Algumas delas: gostar de estudar; gostar de trabalhar; gostar de ser honesto, responsável e pontual; gostar de respeitar as regras e os direitos dos outros.
Lincoln Scorsoni
São Paulo, SP

 

Agricultura

Magnífica a reportagem "Supersafra de derrotas" (5 de julho), sobre a saída do ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. Mais uma vez o governo de Lula perde a oportunidade de acertar, quando dispensa Roberto Rodrigues, o único ministro verdadeiramente comprometido com a função.
Maria Angela Esteves
Três Lagoas, MS

 

Maria Sylvia de Carvalho Franco

A entrevista da professora Maria Sylvia de Carvalho Franco (Amarelas, 5 de julho) me levou às lágrimas. Agradeço a VEJA por ter trazido ao meu conhecimento a existência de uma mente tão lúcida. Suas colocações sintetizaram, de maneira brilhante, a realidade de nosso momento político. Minha emoção foi em razão de ver que não estou só!
Maria Eunice Fernandes
São Paulo, SP  

Claríssima, excepcional, corajosa a reflexão da senhora Maria Sylvia de Carvalho Franco. Bom seria que a entrevista chegasse a todos os eleitores do país, especialmente aos mais jovens.
Simão Pedro da Silva
Mogi Mirim, SP

A entrevista mostra o que é esperado para os brasileiros num futuro próximo, caso o presidente Lula seja reeleito. É surpreendente e inacreditável que nas pesquisas de opinião efetuadas pelos órgãos credenciados nas diversas regiões do país Lula lidere com elevado índice de apoio. Pobre povo brasileiro, sofrido, espoliado, maltratado e enganado por políticos oportunistas.
Isaias Lopes da Silva
Porto Alegre, RS  

Concordo com a professora Maria Sylvia: quer conhecer uma pessoa? Dê poder a ela. Não precisa ser muito poder, basta o cargo de síndico de prédio.
Vera Silvia Gulin
Curitiba, PR  

A entrevista de Maria Sylvia de Carvalho Franco é como um farol no nevoeiro político-partidário brasileiro. Parabéns a VEJA por publicar entrevista tão transparente.
Antonio Rolim
Por e-mail  

Somente pessoas especiais que cultivam sabedoria, grandeza de caráter e principalmente credibilidade, isenção e imparcialidade ideológica, como é o caso da professora Maria Sylvia, seriam capazes de traçar um perfil cirurgicamente preciso do estilo de liderança do presidente Lula e do triste e vergonhoso comportamento ético de nossos políticos. De tudo já manifestado e publicado sobre o perfil, o comportamento e a personalidade política do presidente Lula, nenhuma outra avaliação supera essa brilhante entrevista.
José Luiz Saraiva
Santos, SP

 

Ambiente

Fiquei muito triste ao ler a reportagem "Mataram Bruno" (5 de julho), sobre a tragédia da morte do urso-pardo que estava em busca do seu verdadeiro habitat.
Luciane Escobar
Canoas, RS

 

Filantropia

Bill Gates, Warren Buffet, George Soros e tantos outros investem bilhões de dólares em filantropia ("Os santos do capitalismo", 5 de julho). Aí está o segredo da prosperidade dos Estados Unidos. Não é a guerra, mas o bem, os atos de bondade que constroem um país de verdade.
Abraham Shapiro
Londrina, PR  

Um dos motivos do subdesenvolvimento da sociedade brasileira é nossa aversão ao capitalismo: os empresários que conseguem prosperar, mesmo diante de todas as adversidades impostas pelo Estado, são malvistos pela maioria. Pois bem, enquanto nossos "socialistas revolucionários de esquerda" assaltam os cofres públicos, formam quadrilhas e distribuem mensalões, os dois capitalistas mais bem-sucedidos do mundo devolvem grande parte de sua fortuna à sociedade por meio de filantropia, demonstrando que caráter e consciência social transcendem qualquer tipo de ideologia.
Eduardo Ledoux Gava
Joinville, SC  

Dia virá em que o vocábulo comunismo será sinônimo de estultice e será enterrado na cloaca da história. Obviamente para a tristeza de parvos de ofício, como Zé Dirceu, Marilena Chaui e esse inacreditável "ideólogo" do Itamaraty, Samuel Pinheiro. Eles têm um traço comum na fascinação pelo autoritarismo e pelo poder, seja ele político, intelectual ou burocrático. O comunismo foi uma alegria efêmera para os arautos do atraso, inabilitados para conviver com a eficiência e com essa evidenciada solidariedade do capitalismo, tão bem expressa na reportagem de VEJA.
Jorge Augusto dos Santos
Belo Horizonte, MG

 

Café

Parabéns pela matéria "A prova dos cafés" (Guia, 5 de julho). Como participante ativo desse mercado, considero que todas as ações para divulgar o consumo de cafés de qualidade são bem-vindas e trazem mais informação sobre essa bebida tão brasileira.
Marco Suplicy
São Paulo, SP  

O Astro Mescla é a combinação de grãos da variedade Acaiá, produzidos na Fazenda Lambari (município de Poços de Caldas, no sul de Minas), com grãos da variedade Mundo Novo colhidos na Fazenda Rancho Grande (município de Espírito Santo do Pinhal, Mogiana Paulista).
Cleide Mello
Por e-mail

 

Copa 2006

Agora o Parreira vai ter bastante tempo para dormir, alimentar-se bem e ler seus livros. Mas de dar autógrafos com a mão esquerda acho que ele vai acabar se esquecendo... ("Vencer não é uma obrigação", 5 de julho).
Ana Paula Araujo
São Paulo, SP

Milhões de brasileiros, trabalhadores, pobres e simples, fizeram sua vaquinha e enfeitaram sua casa e rua na certeza de que seriam representados com dignidade lá fora. E foram desonrados por meia dúzia de outros brasileiros que, com sua gorda conta bancária, não fizeram questão sequer de correr durante noventa minutos, duas vezes por semana.
Marcos R. Azevedo
Conselheiro Lafaiete, MG

Sem rodeios nem hipocrisia, agradeço minha inclusão na matéria sobre a cobertura da Copa. Sempre séria, VEJA acerta quando publica minha brincadeira sobre o jogo Portugal e Holanda. Brinco e falo sério nas horas certas, assim não me tem faltado espaço como jornalista. Só peço que nunca mais publiquem minha foto perto da do arquivista e sociólogo Juca Kfouri, a única pessoa que já recebeu dinheiro da empresa de um entrevistado, documentou e ainda acha normal sua explícita picaretagem ética. Achando ruim, que me processe, que eu provo. Só não jogo meu diploma de jornalista com o dele porque isso ele simplesmente não tem ("Futebol com bobagem", 5 de julho).
Milton Neves
Jornalista e publicitário
São Paulo, SP  

Gostaria de acentuar que os brasileiros não foram os únicos que tiveram seu hino tocado e cantado em parte ("...E os maiores vexames", 5 de julho). Do hino argentino foi tocada somente a introdução (por isso não se viram os jogadores cantando). Também o hino britânico tem três versos. Só foi tocado o primeiro.
Maureen Richards
Pelotas, RS

 

Stephen Kanitz

Nosso país está à beira da falência moral e econômica. Entendemos que os altos cargos administrativos devem ser ocupados por profissionais políticos, e não por políticos profissionais, e é nesse contexto que se insere o administrador. A administração do Brasil está doente, inerte e apagada, e quem sofre o prejuízo dessa doença é o povo brasileiro. É impossível não desejar um administrador no lugar de quem não sabe administrar.
José Ataide Miranda Barretto
Presidente do Conselho Regional
de Administração do Distrito Federal
Brasília, DF

 

Radar

A seção Radar de VEJA afirma que a ministra Ellen Gracie está sendo desafiada pela Justiça estadual, o que não é real, e que há desembargadores com salário superior ao teto ("Desembargadores confrontam Ellen", 5 de julho). É preciso deixar claro que ainda vivemos em uma federação, onde os estados são vassalos da Constituição e da lei. Em nenhum momento foi revelado ter sido produzida norma, no seio daquele ente federal, abolindo cláusulas pétreas da Carta Magna que asseguram a irredutibilidade de vencimentos, bem ainda a figura do direito adquirido. Há cargos que inspiram respeito e veneração e há pessoas que conferem a esses cargos uma aura democrática e republicana que suscita em todos os cantos reconhecimento e admiração. Nessa situação se encontra a presidente do Conselho Nacional de Justiça. A implantação de reformas constitucionais reclama, antes de mais nada, a acomodação da transição para o futuro, cabendo ao conselho colocar a salvo conquistas centenárias, que não se traduzem apenas na retribuição pecuniária dos juízes, mas em predicados de qualquer país civilizado, que guardam como tesouros a proibição da destruição de garantias da magistratura, as quais tutelam na realidade, muito mais que prerrogativas de juízes, o direito de cada um dos brasileiros.
Henrique Nelson Calandra
Desembargador
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
São Paulo, SP

 

Sanguessugas

Que vergonha! Esses são os governantes que escolhemos! O esquema dos vampiros existe desde o governo de Fernando Collor de Mello (1990-1992) até hoje. De quem é a culpa? Dos assaltantes de colarinho branco ou da sociedade que se cala ("O vampiroduto do PT", 5 de julho)?
Margareth Taques Siqueira
Cuiabá, MT

 

Luiz Gushiken

É no mínimo estranho o senhor Luiz Gushiken afirmar na seção Cartas (5 de julho) que não tem poder algum sobre os fundos de pensão e em seguida os senhores Guilherme Lacerda, Sérgio Rosa e Wagner Oliveira, presidentes de três fundos distintos, em princípio administrados independentemente uns dos outros, encaminharem uma carta escrita a "seis" mãos justificando o injustificável. A pergunta é: eles se reuniram para escrever aquela carta ou o patrão passou pelo escritório de cada um para simplesmente recolher suas assinaturas num documento já redigido?
Adriano Diniz
Goiânia, GO

 

Pão e circo

Em época de eleição, já imaginaram o Brasil hexacampeão? Todos os jogadores com o presidente Lula, em todos os canais de TV? A parte do pão já está feita com todos esses programas sociais que não levam a nenhum lugar, apenas remedeiam uma situação. A parte da diversão quase se realiza. E a política aos moldes romanos estaria vigente por mais um mandato.
Tetsuo Fucatu
São Paulo, SP  

Tudo igual por aqui. Na Copa, como na política, a esperança brasileira segue sendo vilipendiada pelos que jogam visando, exclusivamente, a interesses pessoais ao arrepio da confiança neles depositada.
Otávio Alves Ribeiro
Maracaju, MS

 

André Petry

Oportuno o artigo "A estupidez racial" (5 de julho). É esdrúxula e beira a insensatez a proposta do senador petista Paulo Paim de instituir o racismo no Brasil. Acredito que o nobre senador nunca tenha lido Gilberto Freyre ou Darcy Ribeiro. Não precisamos de um conflito desse tipo. Uma nação é o resultado da miscigenação das raças que lhe deram origem. O negro não tem de ter privilégio por ser negro. O negro é capaz, se lhe forem dadas, como a qualquer brasileiro, as devidas condições para estudo, moradia e oportunidade de emprego.
Leonardo Gadelha de Oliveira
João Pessoa, PB  

A Universidade de Brasília foi pioneira em algumas inovações, como o ingresso sem vestibular, através do PAS e do seu programa de cotas para negros. O primeiro foi realmente uma inovação feliz, mas o segundo, uma potencial tragédia. Quando esse processo estava em debate dentro dos muros da UnB, nós, docentes, fomos consultados. O departamento de genética e morfologia teve uma posição unânime: "Se tiver de estabelecer um sistema de cotas, que seja para pobres, e não para negros". Fomos voto vencido e, aliás, como geneticistas, muito pouco consultados, uma vez que a questão racial envolve conhecimentos da evolução do homem, sob aspectos antropológicos e genéticos. Para os geneticistas não existe raça, mas sim grupos populacionais com alguns genes em freqüência diferenciada. A genética genômica pode demonstrar isso.
Cesar Koppe Grisolia
Departamento de genética e morfologia
Instituto de Ciências Biológicas
Universidade de Brasília (DF)  

Excelente o artigo de André Petry sobre o que ele denominou corretamente de "estupidez racial". Diferentemente da sociedade americana, nunca tivemos racismo sancionado em lei. Os filmes americanos sobre o racismo das décadas de 50 mais parecem filmes de ficção científica. Muitas cenas são incompreensíveis. Nem mesmo podemos traduzir para o português a linguagem grosseira com que os americanos se referem aos negros. É inegável que há racismo no Brasil, mas isso não quer dizer que as soluções para o nosso problema sejam as mesmas que as adotadas para o racismo americano. Eu sou a favor da igualdade social. Como não poderia deixar de ser. Tenho a pele escura, por ter descendência árabe. Se não fosse pelos movimentos negros das décadas de 60 e 70, eu estaria bebendo em um bebedouro no fundo e usando um banheiro separado do de americanos. Não somente não estaria ensinando numa faculdade de direito americana como nem mesmo poderia estudar nela. Mas o Brasil tem peculiaridades e diferenças em relação à realidade americana. Mais uma vez copiamos, e copiamos mal. Com as ações afirmativas, estamos usando um bisturi para aplicar uma injeção. Obrigado, Petry.
Antonio Gidi
Houston, Texas, EUA  

Construir uma identidade negra positiva no Brasil é importante, em uma sociedade que historicamente ensina ao negro, desde muito cedo, que para ser aceito é preciso negar-se a si mesmo. Na realidade ele é silenciado sobre a questão que mais reforça a existência do racismo, da desigualdade racial. Apesar de os negros formarem a maioria da população brasileira, ainda estão à margem da sociedade.
Marta Almeida
Recife, PE

 

Felipão, o gauchão

Comprei minha primeira VEJA em 1968, quando tinha 10 anos de idade, para ganhar um mapa do Brasil. E acho que é a melhor revista do país desde então. Por isso a revista deve ser brasileira, e não paulista ou carioca. Adoro São Paulo. Mas a revista cita os títulos de Felipão e esquece, infelizmente, os grandes títulos que ele obteve com o Grêmio de Porto Alegre: campeão da Libertadores, campeão da Copa do Brasil e campeão brasileiro (sem falar no campeonato gaúcho, que deve ser algo exótico para a redação de VEJA). Continuem sendo a melhor revista do Brasil, mas, por favor, não esqueçam que o Brasil não é só Sampa ("Os melhores momentos...", 5 de julho).
Roberto de Oliveira Flores
Caxias do Sul, RS

 

Roberto Pompeu de Toledo

Muito oportuno o Ensaio "Três nações e a Copa" (5 de julho), de Roberto Pompeu de Toledo, a respeito do "corte" na apresentação do nosso Hino Nacional na Copa do Mundo. Deixando a falta de respeito de lado, o cidadão brasileiro não sabe cantar o hino de seu país, e, mesmo que soubesse, não entenderia metade dele. Mas, em contrapartida, o mesmo torcedor sabe perfeitamente cantarolar o hino do clube do seu coração. Tem memória suficiente para escalar o seu time campeão de dez anos atrás, mas não consegue dizer a tabuada do 8. O torcedor brasileiro acompanha e opina sobre toda contratação de reforços para o seu time, mas não se recorda em quem votou para deputado estadual na última eleição. Ironicamente, Thierry Henry, o Homem-Gol da França, comentou um dia antes do jogo contra o Brasil: "Os brasileiros são bons de bola porque não estudam". Será que Henry sabe quanto ganham nossos professores? Passará pela sua cabeça quanto custa deixar um aluno com três refeições na escola? Será que também não sabemos escolher nossos governantes? Teus risonhos lindos campos têm mais flores?
Rodolfo Jesus Fuciji
São Paulo, SP  

Não foi só nessa Copa que isso aconteceu, foi decidido assim. De todos os outros hinos também só se cantou a primeira estrofe. Fiz uma pesquisa entre dez brasileiras que moram aqui. Nenhuma sabia o hino brasileiro decorado, menos ainda o que é lábaro.
Deta Engel
Hannover, Alemanha

 

Auto-retrato

Na seção Auto-retrato da edição de 1º de setembro de 2004 (http://veja.abril.com.br/ 010904/auto_retrato.html), o lateral-esquerdo da seleção brasileira, Roberto Carlos, quando questionado por VEJA se pretenderia jogar a Copa de 2006, respondeu o seguinte: "Em 2006 ainda vou estar novinho. Não só jogarei como seremos campeões de novo. O torcedor brasileiro pode ficar tranqüilo, o título é nosso. Podem me cobrar mais tarde". Pois então, eu, como torcedor brasileiro, estou cobrando. Cadê o título? Onde está a sexta estrela? Cadê o Roberto Carlos que se dizia "novinho" em 2006? Tão novo que até já se aposentou da seleção. Também, pudera, depois de um vexame como esse. É isso que dá acreditar em jogador que vai para a balada durante a Copa, um dia antes da apresentação, e depois, na maior cara-de-pau, afirma aos jornalistas que ficou no hotel concentrado.
Alexandre de Mello Rogge
Curitiba, PR

 

Carro

O quadro "O manobrista eletrônico" (5 de julho) foi extremamente machista. Esse não é o pensamento das seguradoras, que costumam dar descontos às mulheres, pela forma como dirigem.
Claudia Cristina Santos da Rocha
Passo Fundo, RS  

Causou-me espanto ler "O manobrista eletrônico" na última edição. Por qual motivo a pessoa que escreveu se refere às "madames" ao testar o manobrista eletrônico? Por que não se refere aos cavalheiros, que são piores motoristas que as madames? Será porque nós somos mais bonitinhas? Eu nem lembro qual foi a minha última escorregada nesse tema, ao passo que o meu marido tem o carro todo riscado de tanto manobrar.
Maria do Rocio Tarlé Pissarra
Andirá, PR

 

Millôr

Diogo Mainardi vai embora. Ele sabe viver lá fora. Já o Millôr jamais partirá. Em nenhum país há tanta matéria-prima para ele trabalhar como aqui. Se um dia chegássemos ao Primeiro Mundo, o humorista Millôr não ia ter o que fazer. Tudo na vida tem um lado bom, até a estupidez humana.
Hermínio Silva Júnior
São Paulo, SP

 

CORREÇÃO: Ao contrário do que informou o artigo "A estupidez racial" (5 de julho), Paulo Paim não é deputado, mas senador da República (PT-RS).

 

 

O DIA D DE ROBINHO

Jornais pernambucanos: dia D

A Copa do Mundo acabou antes para o Brasil. Mas, enquanto durou, os brasileiros mantiveram a esperança de que Parreira colocasse Robinho para agitar o ataque do time. Já classificada, a seleção finalmente viu o craque santista do Real Madrid iniciar apenas a partida contra o Japão. No dia do jogo, o leitor Mycon Werico Freitas Macedo, de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, botou a cabeça para fora do carro, "como sempre faço", com a intenção de ver as manchetes dos jornais locais. "É muita coincidência ou falta de criatividade?", pergunta Mycon, intrigado com a manchete de três diários pernambucanos: "Dia D para Robinho".

 

CARA PINTADA

John Macdougall/AFP


Na reportagem "Os melhores momentos" (5 de julho) foi publicado que Villafuerte, o goleiro do Equador, jogou a Copa com o rosto pintado. O leitor Vitor Lanzieri Oliveira, de São Caetano do Sul, São Paulo, corrige. "Villafuerte era o goleiro reserva. Quem jogou com o rosto pintado foi o titular, Cristian Mora (foto)."

 

FICA, MAINARDI!

Cento e quarenta e três leitores escreveram para a redação de VEJA comentando o artigo "Vou embora" (5 de julho), do colunista Diogo Mainardi. Esse volume de cartas, fax e e-mails fez dele o texto mais comentado da semana. Desses missivistas, 73% pediram ao colunista que fique no Brasil. Guilherme M. Figueiredo, de São Paulo, escreveu: "Não, não vá, Diogo! Que ao fim deste ano os verdadeiros inimigos do país, entrincheirados em tantas partes do governo, façam as malas e se mandem daqui". Jean Pierre Gamet, também morador da capital paulista, faz coro: "Toda e qualquer evolução é fruto da crítica. O jornal francês Le Figaro estampa a cada dia: 'Sem o poder da crítica, nenhum elogio é válido'. A frase é do escritor francês Beaumarchais, e penso que devemos adotá-la, se é que queremos realmente viver em liberdade e praticar a democracia. Portanto, fique em seu país!".

 
 
 
 
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