EXPOSIÇÃO
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Dama
Caçadora,
de Velázquez: pintor
dos pintores
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Esplendores de
Espanha De El Greco a Velázquez (Museu
Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro. Até 24 de
setembro) O século XVII, na Espanha, ficou conhecido
como "siglo de oro", por marcar um período de efervescência
nas artes. A exposição Esplendores de Espanha,
que será inaugurada nesta terça-feira no Rio
de Janeiro, celebra a época com um respeitável
conjunto de 150 obras. Só do Museu do Prado, de Madri,
vieram 44 peças. Destacam-se as obras do grego radicado
na Espanha Doménikos Theotokópoulos (1541-1614),
conhecido como El Greco, e de Diego Rodríguez de
Silva y Velázquez (1599-1660), considerado o pintor
dos pintores. El Greco, com seu traço a serviço
de figuras longilíneas e distorcidas, aparece na
mostra com um punhado de pinturas religiosas, representantes
da principal vertente de sua produção. Velázquez
comparece com diversas telas em que retratou a corte do
rei Felipe IV, de quem foi artista oficial. O mote da exposição
é o fato de que, entre 1580 e 1640, Portugal e Brasil
estiveram sob domínio espanhol. A mostra faria parte,
assim, dos festejos dos 500 anos do descobrimento. Mas não
se engane: esta terra onde se plantando tudo dá não
teve a menor influência na arte que se fazia na Espanha
naquela época.
DISCO
Warner
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| Chic:
os rappers adoram |
The Very Best
of Chic (WEA) A banda americana Chic é
tão emblemática dos anos 70 quanto os ternos
de lapela larga e as calças boca-de-sino. Com a diferença
de que, ao contrário dessas roupas horrendas, seu
som não envelheceu. Até hoje a música
dançante feita pelos soberbos Nile Rodgers e Bernard
Edwards, líderes e produtores do grupo, é
uma excelente pedida para animar festas. Se você tem
idade para se lembrar de Ted Boy Marino, já ouviu
com certeza os sucessos Le Freak e Everybody Dance.
Para os integrantes da geração Christina Aguillera,
no entanto, a dica é prestar atenção
em Good Times. Seu baixo e bateria pulsantes são
freqüentemente reaproveitados pelas bandas de rap da
atualidade.
LIVRO
Poemas,
de Jacques Prévert (tradução de Silviano
Santiago; Nova Fronteira; 158 páginas; 23 reais)
No centenário de nascimento do poeta francês,
a editora Nova Fronteira coloca mais uma vez em circulação
esta simpática coletânea bilíngüe.
Ela já teve sete tiragens no Brasil, coisa rara para
um livro de versos. É que Prévert é
um craque da poesia popular. Escreve com leveza e humor,
quase sempre abordando assuntos do cotidiano. Os críticos
mais carrancudos não cansam de desancá-lo,
mas isso de nada vale. Na França, os leitores aprendem
a gostar dele ainda no liceu e mantêm na memória,
ao longo de toda a vida, versos como os do poema Café
da Manhã.
DVD
Casablanca
(Estados Unidos, 1942, Warner) Uma das coisas fascinantes
sobre Casablanca
é que, enquanto ele ia sendo rodado, o diretor Michael
Curtiz e o elenco acreditavam estar metidos numa roubada:
o roteiro necessitava de constantes remendos, os astros
Humphrey Bogart e Ingrid Bergman estavam insatisfeitos e
o clima era de desânimo geral. Ao final, o estúdio
só lançou o filme porque a cidade do título
se tornou importante na II Guerra. Não fosse isso,
o público talvez tivesse sido privado do maior de
todos os romances cinematográficos. No Marrocos,
durante a guerra, os ex-amantes Rick Blaine e Ilsa Lund
se reencontram. Ele é um cínico, ela está
casada com um líder da Resistência. Do tempo
em que nem todos os finais de Hollywood tinham de ser felizes.
Lançamento em cópia restaurada.
Cantando na Chuva
(Singin' in the Rain,
Estados Unidos, 1952, Warner) O apogeu dos musicais já
tinha passado quando Stanley Donen e o astro Gene Kelly
dirigiram esta que viria a se tornar a maior pérola
do gênero. Kelly interpreta um ídolo do cinema
mudo que tem de se habituar a uma novidade formidável:
os filmes falados. O problema é que sua parceira
de cena tem uma horrorosa voz de taquara rachada. A história
é ótima, as canções são
de bom gosto e os bailados se incluem entre os mais vigorosos
e originais já elaborados por Hollywood. E, embora
Kelly seja o nome mais famoso do elenco, preste atenção
ao estilo inimitável do dançarino Donald O'Connor
sem falar nas pernas arrasadoras de Cyd Charisse.
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OS
MAIS VENDIDOS Crítica
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 Fogueiras
queimando hereges. Quando alguém fala sobre
a Inquisição, essa é a primeira
imagem que vem à mente. Ao mergulhar nesse
assunto, porém, o historiador português
Francisco Bethencourt resolveu deixar de lado esse
aspecto sangrento e mórbido das práticas
do Santo Ofício. Em troca, investigou a fundo
os rituais, as formas de representação
simbólica e a atuação dos julgadores,
em lugares diversos e num largo espaço de tempo.
O resultado é o excelente História
das Inquisições (Companhia
das Letras; 530 páginas; 39 reais), livro de
perfil bastante acadêmico e austero, mas que
nem por isso deixou de conquistar leitores. Nesta
semana, ele ocupa a quarta colocação
na lista de mais vendidos de VEJA.
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| Inquisição:
além das fogueiras |
O período
abordado por Bethencourt estende-se de 1478 a 1834,
datas de início e término das práticas
inquisitoriais na Espanha. Mas a análise não
se limita a esse país, abrangendo também
Portugal e Itália. Como sugere o título,
o autor acredita na existência não de
uma única, mas de várias Inquisições,
cujos objetivos e estratégias teriam variado
conforme o tempo e o lugar. Para provar essa tese,
Bethencourt comparou materiais de vários tipos
dos estatutos dos tribunais até as regras
para a celebração de grandes ritos coletivos,
tais como os autos-de-fé. No caminho, ele ainda
inventariou os ícones ligados aos julgamentos,
como os selos e estandartes dos juízes, investigando
seu papel simbólico. Tudo isso permitiu a Bethencourt
desvendar a maneira como os tribunais de inquisição
se tornaram na Europa um poder paralelo, cujo impacto
social e político foi imenso.
Carlos
Graieb
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