Edição 1 657 - 12/7/2000

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EXPOSIÇÃO

Dama Caçadora, de Velázquez: pintor dos pintores

Esplendores de Espanha – De El Greco a Velázquez (Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro. Até 24 de setembro) – O século XVII, na Espanha, ficou conhecido como "siglo de oro", por marcar um período de efervescência nas artes. A exposição Esplendores de Espanha, que será inaugurada nesta terça-feira no Rio de Janeiro, celebra a época com um respeitável conjunto de 150 obras. Só do Museu do Prado, de Madri, vieram 44 peças. Destacam-se as obras do grego radicado na Espanha Doménikos Theotokópoulos (1541-1614), conhecido como El Greco, e de Diego Rodríguez de Silva y Velázquez (1599-1660), considerado o pintor dos pintores. El Greco, com seu traço a serviço de figuras longilíneas e distorcidas, aparece na mostra com um punhado de pinturas religiosas, representantes da principal vertente de sua produção. Velázquez comparece com diversas telas em que retratou a corte do rei Felipe IV, de quem foi artista oficial. O mote da exposição é o fato de que, entre 1580 e 1640, Portugal e Brasil estiveram sob domínio espanhol. A mostra faria parte, assim, dos festejos dos 500 anos do descobrimento. Mas não se engane: esta terra onde se plantando tudo dá não teve a menor influência na arte que se fazia na Espanha naquela época.

 

DISCO

Warner
Chic: os rappers adoram

The Very Best of Chic (WEA) – A banda americana Chic é tão emblemática dos anos 70 quanto os ternos de lapela larga e as calças boca-de-sino. Com a diferença de que, ao contrário dessas roupas horrendas, seu som não envelheceu. Até hoje a música dançante feita pelos soberbos Nile Rodgers e Bernard Edwards, líderes e produtores do grupo, é uma excelente pedida para animar festas. Se você tem idade para se lembrar de Ted Boy Marino, já ouviu com certeza os sucessos Le Freak e Everybody Dance. Para os integrantes da geração Christina Aguillera, no entanto, a dica é prestar atenção em Good Times. Seu baixo e bateria pulsantes são freqüentemente reaproveitados pelas bandas de rap da atualidade.

 

LIVRO

Poemas, de Jacques Prévert (tradução de Silviano Santiago; Nova Fronteira; 158 páginas; 23 reais) – No centenário de nascimento do poeta francês, a editora Nova Fronteira coloca mais uma vez em circulação esta simpática coletânea bilíngüe. Ela já teve sete tiragens no Brasil, coisa rara para um livro de versos. É que Prévert é um craque da poesia popular. Escreve com leveza e humor, quase sempre abordando assuntos do cotidiano. Os críticos mais carrancudos não cansam de desancá-lo, mas isso de nada vale. Na França, os leitores aprendem a gostar dele ainda no liceu – e mantêm na memória, ao longo de toda a vida, versos como os do poema Café da Manhã.

 

DVD

Casablanca (Estados Unidos, 1942, Warner) – Uma das coisas fascinantes sobre Casablanca é que, enquanto ele ia sendo rodado, o diretor Michael Curtiz e o elenco acreditavam estar metidos numa roubada: o roteiro necessitava de constantes remendos, os astros Humphrey Bogart e Ingrid Bergman estavam insatisfeitos e o clima era de desânimo geral. Ao final, o estúdio só lançou o filme porque a cidade do título se tornou importante na II Guerra. Não fosse isso, o público talvez tivesse sido privado do maior de todos os romances cinematográficos. No Marrocos, durante a guerra, os ex-amantes Rick Blaine e Ilsa Lund se reencontram. Ele é um cínico, ela está casada com um líder da Resistência. Do tempo em que nem todos os finais de Hollywood tinham de ser felizes. Lançamento em cópia restaurada.

Cantando na Chuva (Singin' in the Rain, Estados Unidos, 1952, Warner) – O apogeu dos musicais já tinha passado quando Stanley Donen e o astro Gene Kelly dirigiram esta que viria a se tornar a maior pérola do gênero. Kelly interpreta um ídolo do cinema mudo que tem de se habituar a uma novidade formidável: os filmes falados. O problema é que sua parceira de cena tem uma horrorosa voz de taquara rachada. A história é ótima, as canções são de bom gosto e os bailados se incluem entre os mais vigorosos e originais já elaborados por Hollywood. E, embora Kelly seja o nome mais famoso do elenco, preste atenção ao estilo inimitável do dançarino Donald O'Connor – sem falar nas pernas arrasadoras de Cyd Charisse.

 

 
OS MAIS VENDIDOS — Crítica

Fogueiras queimando hereges. Quando alguém fala sobre a Inquisição, essa é a primeira imagem que vem à mente. Ao mergulhar nesse assunto, porém, o historiador português Francisco Bethencourt resolveu deixar de lado esse aspecto sangrento e mórbido das práticas do Santo Ofício. Em troca, investigou a fundo os rituais, as formas de representação simbólica e a atuação dos julgadores, em lugares diversos e num largo espaço de tempo. O resultado é o excelente História das Inquisições (Companhia das Letras; 530 páginas; 39 reais), livro de perfil bastante acadêmico e austero, mas que nem por isso deixou de conquistar leitores. Nesta semana, ele ocupa a quarta colocação na lista de mais vendidos de VEJA.

Inquisição: além das fogueiras

O período abordado por Bethencourt estende-se de 1478 a 1834, datas de início e término das práticas inquisitoriais na Espanha. Mas a análise não se limita a esse país, abrangendo também Portugal e Itália. Como sugere o título, o autor acredita na existência não de uma única, mas de várias Inquisições, cujos objetivos e estratégias teriam variado conforme o tempo e o lugar. Para provar essa tese, Bethencourt comparou materiais de vários tipos – dos estatutos dos tribunais até as regras para a celebração de grandes ritos coletivos, tais como os autos-de-fé. No caminho, ele ainda inventariou os ícones ligados aos julgamentos, como os selos e estandartes dos juízes, investigando seu papel simbólico. Tudo isso permitiu a Bethencourt desvendar a maneira como os tribunais de inquisição se tornaram na Europa um poder paralelo, cujo impacto social e político foi imenso.

Carlos Graieb

 

 
Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Sulina, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Livraria Curitiba, Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano.