Edição 1 657 - 12/7/2000

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Lauro Jardim

Chico Caruso/O Globo
Fantasia

Gladiador e Pomba da Paz

 

Marinha

Negócio da China

A generosa oferta do governo francês de repassar para a Marinha brasileira o porta-aviões Foch pelo precinho camarada de 1 milhão de dólares esconde sob seus cascos custos altíssimos. Os franceses mandarão só a carcaça do Foch, que será completamente reaparelhado por 350 milhões de dólares em equipamentos – adivinhe de onde? – da França. Um porta-aviões estalando de novo custaria pouco mais do que isso.

 

Política e governo

Racha baiano

As relações entre os integrantes da turma baiana abrigada debaixo do generoso guarda-chuva de ACM andam de mal a pior. E o velho senador já não consegue controlar seu grupo como antes.

Feito raro

O axioma funciona há tempos, quase como um relógio cuco: se a economia vai bem, o governante também vai. No Brasil de FHC essa máxima foi para o espaço. Mesmo com a inflação mais baixa desde 1939, a produção industrial crescendo 6,6% neste ano e o desemprego caindo há três meses, a popularidade do governo não pára de cair. FHC conseguiu um milagre: descolou as boas notícias da economia de sua própria imagem.

 

Profissão

O médico é ainda o tal

A informática é a profissão queridinha do momento, mas não a ponto de derrubar a centenária preferência dos brasileiros pela carreira de médico. O Ipespe acaba de fechar uma pesquisa nacional, na qual perguntou: "Caso tivesse filhos que no momento fossem escolher uma profissão, qual dessas gostaria que seguissem?". O profissional de informática (com 28%) perdeu para o médico (34%). Mas mostrou sua força ao bater de longe a opção pelo direito (14%) e pela carreira artística (5%).

 

Economia

Plano B

O que a Heineken quer mesmo é comprar a Kaiser, da qual já é dona de uma participação de 14%. Mas, por via das dúvidas, andou conversando com a AmBev sobre a Bavaria, marca que está à venda por determinação do Cade. Ou seja, se não sair o negócio com a Kaiser, os holandeses da Heineken podem disputar a Bavaria.

Compasso de espera

O vai-não-vai do leilão do Banespa (por enquanto, são inacreditáveis 66 adiamentos!) está fazendo os interessados darem uma meia trava nas equipes que, em tempo integral, faziam estudos sobre a privatização do banco. O Citibank deu uma desmobilizada no seu grupo. O Bradesco, que mantinha uma turma com reuniões semanais, agora só junta o pessoal de mês em mês. Os dois gigantes continuam interessadíssimos no Banespa, mas só voltarão a trabalhar com força total no assunto quando a privatização desemperrar.

O ex-Midas sai da Vale do Rio Doce

George Soros, ex-Midas do mercado financeiro mundial, mas que atualmente anda perdendo bilhão em cima de bilhão, está deixando a Vale do Rio Doce, onde possui uma pequena participação acionária. Quem está comprando seu naco é o Nations Bank.

Fim da festa

Na surdina, a Petrobras acaba de promover uma mudança histórica em seus estatutos: aos novos funcionários da estatal será oferecido somente um plano de previdência de contribuição definida – como é o usual em todas as empresas privadas. Acaba o tradicional plano de benefício definido, aquele em que, independentemente do desempenho do fundo de pensão, a aposentadoria está fixada com antecedência. É a primeira estatal a fazer isso. Até agora, a Petrobras era obrigada a injetar uma grana violenta nos cofres de seu fundo de pensão cada vez que não havia caixa para o pagamento das aposentadorias. No ano passado, por exemplo, essa brincadeira custou mais 5,5 bilhões de reais à estatal.

 

Internet

O bancão na rede

A Bradespar (empresa de participações do Bradesco) anuncia nesta semana uma bomba na internet. Lançará dois megaportais de comércio. Um pretende ser o maior shopping center eletrônico do país. O outro, com dois sócios de peso, será dedicado ao chamado business to business.

 

Televisão

Mais nacional

Até o fim do ano, o Ibope inicia a medição instantânea nas dez principais capitais brasileiras.


 

Até que enfim alguma energia

Claudio Rossi
Angra 2: pronta para operar, depois de mais de duas décadas


É sempre arriscado anunciar a entrada em operação da usina nuclear Angra 2. Já foram tantos adiamentos que parece até leilão de privatização do Banespa, aquele que nunca sai. Bem, agora, parece que a coisa vai. Se não houver nenhum contratempo, deve ser dada nos próximos dias a autorização da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para que ela entre em funcionamento ainda neste mês. Quando começaram as obras de Angra 2 nos anos 70, previa-se que a usina estaria gerando energia no longínquo ano de 1982. Até hoje o que ela tem produzido mesmo são despesas: o custo total foi de 10 bilhões de dólares – cinco vezes mais alto do que constava do orçamento inicial.