Edição 1 657 - 12/7/2000

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É um espanto

MinC ainda acredita no ator Guilherme Fontes


Luiz Morier/Ag. Estado
Fontes e Norma (na foto): as suspeitas de fraude continuam a pesar sobre os dois


Atenção: está em curso uma operação de salvamento de Guilherme Fontes e Norma Bengell, os dois suspeitos de desviar recursos públicos por meio da Lei do Audiovisual. Ela é capitaneada por José Álvaro Moisés, titular da Secretaria do Audiovisual, organismo ligado ao Ministério da Cultura (MinC). Na sexta-feira dia 30, Moisés admitiu ao Jornal do Brasil que estava disposto a liberar recursos para que o diretor e ator – e que ator! – Guilherme Fontes concluísse Chatô. Durante a abertura de um certo Congresso Brasileiro de Cinema em Porto Alegre, ao qual ambos compareceram, Moisés declarou que havia sido cometida uma "injustiça" com Fontes e que uma auditoria fora encomendada à empresa Trevisan Auditores e Consultores, de São Paulo, para investigar a rocambolesca prestação de contas do filme. O secretário mentiu. Até quarta-feira passada, nenhuma auditoria do gênero estava em curso na Trevisan Auditores e Consultores. Há três meses, um funcionário do MinC ligou informalmente para a empresa e pediu um orçamento. De lá para cá, não foi feita nenhuma solicitação oficial. Até Guilherme Fontes foi enganado pelo secretário. Na semana passada, ele contatou a Trevisan para perguntar em que pé estava a auditoria.

Da mesma forma que não está auditando o filme de Guilherme Fontes, o MinC faz vista grossa a um estranho enredo que cerca O Guarani, de Norma Bengell. A pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro, a Polícia Federal debruça-se sobre o fato de Norma ter comprado, na mesma época em que fez o filme, um luxuoso apartamento, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, no valor de 1,1 milhão de reais. A base da investigação são os originais de documentos divulgados por VEJA em sua edição de 8 de março deste ano. Moisés não gosta de falar de assuntos espinhosos. Em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo, ele tentou minimizar esses problemas dizendo que apenas 1% das prestações de contas de cineastas apresentava irregularidades. Como se fosse possível absolver culpados porque existem inocentes. Provavelmente, o secretário do Audiovisual receia que um escândalo – o de Norma – e um filme inconcluso – o de Fontes – deixem ainda mais evidentes as inconsistências da lei que protege o cinema brasileiro.

 
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