É um espanto
MinC ainda acredita no ator Guilherme Fontes
Luiz Morier/Ag. Estado
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| Fontes e Norma (na foto):
as suspeitas de fraude continuam a pesar sobre os dois
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Atenção: está em curso uma operação
de salvamento de Guilherme Fontes e Norma Bengell, os dois
suspeitos de desviar recursos públicos por meio da
Lei do Audiovisual. Ela é capitaneada por José
Álvaro Moisés, titular da Secretaria do Audiovisual,
organismo ligado ao Ministério da Cultura (MinC).
Na sexta-feira dia 30, Moisés admitiu ao Jornal
do Brasil que estava disposto a liberar recursos para
que o diretor e ator e que ator! Guilherme
Fontes concluísse Chatô. Durante a abertura
de um certo Congresso Brasileiro de Cinema em Porto Alegre,
ao qual ambos compareceram, Moisés declarou que havia
sido cometida uma "injustiça" com Fontes e que uma
auditoria fora encomendada à empresa Trevisan Auditores
e Consultores, de São Paulo, para investigar a rocambolesca
prestação de contas do filme. O secretário
mentiu. Até quarta-feira passada, nenhuma auditoria
do gênero estava em curso na Trevisan Auditores e
Consultores. Há três meses, um funcionário
do MinC ligou informalmente para a empresa e pediu um orçamento.
De lá para cá, não foi feita nenhuma
solicitação oficial. Até Guilherme
Fontes foi enganado pelo secretário. Na semana passada,
ele contatou a Trevisan para perguntar em que pé
estava a auditoria.
Da mesma forma que não está auditando o
filme de Guilherme Fontes, o MinC faz vista grossa a um
estranho enredo que cerca O Guarani, de Norma Bengell.
A pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro,
a Polícia Federal debruça-se sobre o fato
de Norma ter comprado, na mesma época em que fez
o filme, um luxuoso apartamento, às margens da Lagoa
Rodrigo de Freitas, no valor de 1,1 milhão de reais.
A base da investigação são os originais
de documentos divulgados por VEJA em sua edição
de 8 de março deste ano. Moisés não
gosta de falar de assuntos espinhosos. Em artigo publicado
no jornal Folha de S.Paulo, ele tentou minimizar
esses problemas dizendo que apenas 1% das prestações
de contas de cineastas apresentava irregularidades. Como
se fosse possível absolver culpados porque existem
inocentes. Provavelmente, o secretário do Audiovisual
receia que um escândalo o de Norma e
um filme inconcluso o de Fontes deixem ainda
mais evidentes as inconsistências da lei que protege
o cinema brasileiro.
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