O som é bom...
...mas as letras do Jota Quest continuam
as mesmas: fraquinhas, muito fraquinhas
Sérgio Martins
Eugenio Savio
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| Os músicos
da banda:
uma turnê
como o Brasil
nunca viu |
A banda Jota Quest é a número 1 do Brasil.
Numa época de crise do mercado fonográfico,
ela vendeu 800.000 cópias
de seu último CD, De Volta ao Planeta. O novo,
Oxigênio, chega às lojas nesta semana
com estardalhaço. Na sexta-feira 14, os integrantes
do grupo caem na estrada para a turnê mais ambiciosa
de um grupo de rock brasileiro desde que o RPM, no auge
de seu sucesso nos anos 80, percorreu o país com
Rádio Pirata ao Vivo. Serão quase dois
anos de shows ininterruptos. A excursão só
terminará em março de 2002, quando a banda
volta ao estúdio para gravar um novo disco. O espetáculo,
concebido para empolgar grandes estádios, terá
sessenta canhões de luz móveis e cinco telões
de vídeo. A banda gastou 500.000
dólares com uma parafernália eletrônica
que inclui até equipamentos de mágica, como
luvas e baquetas que emitem raios laser. Roqueiros nacionais
costumam adaptar suas apresentações às
condições dos locais onde tocam. O Jota Quest
fará uma excursão no molde das bandas estrangeiras,
que levam cenários e equipamentos com elas e apresentam
o mesmo show em todos os lugares. Para isso, o grupo usará
dois caminhões.
O
sucesso do Jota Quest deve-se, em primeiro lugar, ao bom
planejamento. Falando claro: seus integrantes são
marqueteiros de primeira. Recentemente, fecharam um contrato
de patrocínio com uma indústria de refrigerantes.
Com isso, embolsaram 1,5 milhão de reais, ganharam
verba extra para excursões e ainda divulgaram a música
Fácil como um jingle publicitário.
Eles também fizeram um acordo com o provedor gratuito
Super 11. Por causa disso, o CD Oxigênio será
o primeiro a dar, na forma de brinde, acesso livre à
internet o ouvinte poderá, assim, acessar o site
da banda. "Lá, haverá jogos eletrônicos
e até o nosso e-mail, para quem quiser entrar em
contato", alardeia o vocalista Rogério Flausino.
Além da estrutura organizada, o Jota Quest tem fôlego.
O grupo toca uma média de 22 vezes por mês,
sem escolher espaço pode ser até em rodeios
ou exposições de gado, em geral redutos de
cantores sertanejos. O cachê por apresentação
é de 30.000 reais. Ah,
sim, eles são ainda ótimos músicos,
um requisito nem sempre obrigatório no cenário
do rock brasileiro, como provam os Titãs ou o Legião
Urbana. Formada na melhor escola a dos bailes , a banda
faz um som dançante calcado no funk e na soul music
dos anos 70. O baixista Paulo Roberto Diniz Junior, o PJ,
é considerado um virtuose no estilo roqueiro.
O
calcanhar-de-aquiles do grupo são as letras. O Jota
Quest é freqüentemente criticado pelo vazio
dos versos de suas músicas, que não querem
dizer rigorosamente nada (veja quadro e ouça
a música). Ele estaria aquém do que
se espera de uma banda que pretende ser porta-voz da juventude,
seja lá o que isso for. No entanto, é preciso
reconhecer que no Brasil os bons letristas raramente freqüentaram
o universo pop, ao contrário do que acontece nos
Estados Unidos e na Inglaterra, pátrias de Lou Reed,
Bob Dylan e John Lennon. Na época de ouro da música
brasileira, eles pertenciam ao mundo do samba Noel
Rosa, Ary Barroso e Wilson Batista, entre outros. Nos anos
60 e 70, os craques da palavra estavam na MPB, enquanto
os roqueiros oscilavam entre as canções infantilóides
da jovem guarda e letras num inglês que não
fazia sentido. Na década de 80, a da explosão
do rock nacional, havia raríssimas coisas interessantes
na área do humor Blitz e Kid Abelha
e no chamado "rock de protesto", de Cazuza e Renato Russo.
O pop brasileiro atual, do qual o Jota Quest é o
principal representante, reafirma que roqueiros brasileiros
que sabem escrever pertencem ao mesmo universo do saci-pererê
e da mula-sem-cabeça: aquele das lendas populares.
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