Fôlego extra
Chega ao Brasil equipamento que garante
ao
mergulhador muito mais tempo debaixo da água
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| O fotógrafo
Edson Prando: mais oxigênio para apreciar
os tubarões
no fundo do mar
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A novidade tecnológica debaixo da água é
um equipamento que aumenta sensivelmente o tempo de autonomia
dos mergulhadores e solta menos bolhas de ar. Parece um
detalhe insignificante, mas não é. O ruído
da respiração afugenta vários tipos
de animais da fauna marinha. Batizada de rebreather (re-respirador
em inglês) e vendida desde 1995 nos Estados
Unidos e na Europa, a máquina está chegando
agora ao Brasil. Graças a um mecanismo especial de
reciclagem de ar (veja quadro),
o novo respirador permite ao mergulhador ficar quatro vezes
mais tempo no mar com a mesma quantidade de oxigênio
de um cilindro comum. "Ele torna muito mais práticas
e duradouras as aventuras submarinas", afirma Carlos Nelli
Borges, representante no Brasil do fabricante alemão
Dräger. Sua versão mais simples custa 3.600
reais, quase o dobro do preço de um sistema convencional.
O fabricante espera que as vantagens do sistema sejam capazes
de seduzir os mergulhadores amadores e profissionais, apesar
do preço salgado. "Consegui flagrantes incríveis
de tubarões-martelos caçando alimento no fundo
do mar graças a esse equipamento", conta Edson Prando,
fotógrafo e cinegrafista subaquático.
O sistema de reciclagem de oxigênio do rebreather
não é novo. Equipamentos de mergulho do final
do século XVII já adotavam esse princípio.
Eles perderam espaço para os cilindros de mergulho
autônomo, popularizados pelo pesquisador francês
Jacques Cousteau a partir da década de 40. A tecnologia
de reciclagem do ar ficou restrita ao uso militar. Na II
Guerra, mergulhadores italianos, ingleses e alemães
utilizavam esse recurso para instalar minas explosivas no
casco dos navios inimigos. Só recentemente, a indústria
investiu em sua recuperação. Como ocorre com
toda nova tecnologia, sua popularização depende
da redução do preço ao consumidor,
o que já vem acontecendo. Quando começaram
a ser vendidos nos Estados Unidos, os primeiros rebreathers
custavam o equivalente a 14.000
reais quatro vezes mais que o modelo que chega agora
ao Brasil. "Em alguns anos, não só os profissionais
mas também os mergulhadores de final de semana estarão
usando esse aparelho", opina Rafael de Nicola, instrutor
da Divers University, em São Paulo. Essa escola de
mergulho já oferece cursos aos interessados em utilizar
os rebreathers. Com quatro dias de aula, a um custo
de 280 reais, o aluno está habilitado a ir ao fundo
do mar com fôlego multiplicado.