Edição 1 657 - 12/7/2000

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Fôlego extra

Chega ao Brasil equipamento que garante ao
mergulhador muito mais tempo debaixo da água

 
O fotógrafo Edson Prando: mais oxigênio para apreciar os tubarões no fundo do mar

A novidade tecnológica debaixo da água é um equipamento que aumenta sensivelmente o tempo de autonomia dos mergulhadores e solta menos bolhas de ar. Parece um detalhe insignificante, mas não é. O ruído da respiração afugenta vários tipos de animais da fauna marinha. Batizada de rebreather (re-respirador em inglês) e vendida desde 1995 nos Estados Unidos e na Europa, a máquina está chegando agora ao Brasil. Graças a um mecanismo especial de reciclagem de ar (veja quadro), o novo respirador permite ao mergulhador ficar quatro vezes mais tempo no mar com a mesma quantidade de oxigênio de um cilindro comum. "Ele torna muito mais práticas e duradouras as aventuras submarinas", afirma Carlos Nelli Borges, representante no Brasil do fabricante alemão Dräger. Sua versão mais simples custa 3.600 reais, quase o dobro do preço de um sistema convencional. O fabricante espera que as vantagens do sistema sejam capazes de seduzir os mergulhadores amadores e profissionais, apesar do preço salgado. "Consegui flagrantes incríveis de tubarões-martelos caçando alimento no fundo do mar graças a esse equipamento", conta Edson Prando, fotógrafo e cinegrafista subaquático.

O sistema de reciclagem de oxigênio do rebreather não é novo. Equipamentos de mergulho do final do século XVII já adotavam esse princípio. Eles perderam espaço para os cilindros de mergulho autônomo, popularizados pelo pesquisador francês Jacques Cousteau a partir da década de 40. A tecnologia de reciclagem do ar ficou restrita ao uso militar. Na II Guerra, mergulhadores italianos, ingleses e alemães utilizavam esse recurso para instalar minas explosivas no casco dos navios inimigos. Só recentemente, a indústria investiu em sua recuperação. Como ocorre com toda nova tecnologia, sua popularização depende da redução do preço ao consumidor, o que já vem acontecendo. Quando começaram a ser vendidos nos Estados Unidos, os primeiros rebreathers custavam o equivalente a 14.000 reais – quatro vezes mais que o modelo que chega agora ao Brasil. "Em alguns anos, não só os profissionais mas também os mergulhadores de final de semana estarão usando esse aparelho", opina Rafael de Nicola, instrutor da Divers University, em São Paulo. Essa escola de mergulho já oferece cursos aos interessados em utilizar os rebreathers. Com quatro dias de aula, a um custo de 280 reais, o aluno está habilitado a ir ao fundo do mar com fôlego multiplicado.