A pirâmide voou
Inglês salta com o pára-quedas
desenhado
por Leonardo da Vinci há mais de 500 anos
O
inglês Adrian Nicholas desengavetou um projeto de
mais de 500 anos e provou o que todos já sabiam:
Leonardo da Vinci era mesmo um gênio. A maioria das
máquinas e equipamentos projetados pelo mestre italiano
nunca foi testada na prática. Na semana passada,
Nicholas saltou de 3.000 metros
de altura com um pára-quedas construído de
acordo com o projeto desenhado por Leonardo em 1485. Grandalhão
e pesado (90 quilos), o aparato é incompatível
com os aviões comumente usados no pára-quedismo
e sempre se teve a convicção de que
não funcionaria. Pois o pára-quedas flutuou
perfeitamente no ar sobre o Parque Nacional Kruger, na África
do Sul, onde Nicholas efetuou seu salto experimental. Na
execução do projeto de Leonardo, Nicholas
decidiu ser o mais fiel possível ao esboço
e aos materiais da época. Com a ajuda de um especialista
no pintor renascentista da Universidade de Oxford, seguiu
todas as instruções deixadas pelo mestre.
À margem de seu desenho, Leonardo escreveu que, se
o homem tivesse uma grande tenda, com todas as aberturas
tapadas, seria capaz de se jogar de grandes alturas sem
se machucar. Nicholas construiu uma pirâmide de lona
sobre uma base feita de quatro traves de madeira, de onde
pendiam as cordas para sustentar o pára-quedista.
O resultado foi a engenhoca quase treze vezes mais pesada
que um pára-quedas comum. Para que o tecido não
rasgasse por causa do atrito com o vento, foi preciso tomar
a liberdade de acrescentar alguns itens modernos. Fitas
especiais de náilon, as mesmas utilizadas para proteger
as costuras dos balões, foram aplicadas em alguns
pontos. Outros acessórios levados no salto, e que
Leonardo nem sonhava em conceber, foram uma câmara
de vídeo, um telefone celular, um walkie-talkie e
uma caixa-preta para monitorar a descida. Depois de fracassar
nas primeiras tentativas de saltar na Inglaterra, por causa
do mau tempo, Nicholas transferiu a experiência para
a África do Sul. Diante da impossibilidade de colocar
seu equipamento dentro de um avião, ele prendeu-o
a um balão e subiu. Ao atingir 3.000
metros, o pára-quedas foi desatrelado do balão.
Em vez de despencar em queda livre, como se temia, flutuou
suavemente. A última dificuldade técnica era
o pouso. Aterrissar não seria problema, mas havia
o risco de os 90 quilos da estrutura de lona e madeira desabarem
sobre a cabeça do pára-quedista. Para evitar
o perigo de ser esmagado, ao chegar a 600 metros do chão
Nicholas se livrou do invento de Leonardo e recorreu a um
pára-quedas comum.
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