Edição 1 657 - 12/7/2000

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A pirâmide voou

Inglês salta com o pára-quedas desenhado
por Leonardo da Vinci há mais de 500 anos

O inglês Adrian Nicholas desengavetou um projeto de mais de 500 anos e provou o que todos já sabiam: Leonardo da Vinci era mesmo um gênio. A maioria das máquinas e equipamentos projetados pelo mestre italiano nunca foi testada na prática. Na semana passada, Nicholas saltou de 3.000 metros de altura com um pára-quedas construído de acordo com o projeto desenhado por Leonardo em 1485. Grandalhão e pesado (90 quilos), o aparato é incompatível com os aviões comumente usados no pára-quedismo – e sempre se teve a convicção de que não funcionaria. Pois o pára-quedas flutuou perfeitamente no ar sobre o Parque Nacional Kruger, na África do Sul, onde Nicholas efetuou seu salto experimental. Na execução do projeto de Leonardo, Nicholas decidiu ser o mais fiel possível ao esboço e aos materiais da época. Com a ajuda de um especialista no pintor renascentista da Universidade de Oxford, seguiu todas as instruções deixadas pelo mestre. À margem de seu desenho, Leonardo escreveu que, se o homem tivesse uma grande tenda, com todas as aberturas tapadas, seria capaz de se jogar de grandes alturas sem se machucar. Nicholas construiu uma pirâmide de lona sobre uma base feita de quatro traves de madeira, de onde pendiam as cordas para sustentar o pára-quedista.

O resultado foi a engenhoca quase treze vezes mais pesada que um pára-quedas comum. Para que o tecido não rasgasse por causa do atrito com o vento, foi preciso tomar a liberdade de acrescentar alguns itens modernos. Fitas especiais de náilon, as mesmas utilizadas para proteger as costuras dos balões, foram aplicadas em alguns pontos. Outros acessórios levados no salto, e que Leonardo nem sonhava em conceber, foram uma câmara de vídeo, um telefone celular, um walkie-talkie e uma caixa-preta para monitorar a descida. Depois de fracassar nas primeiras tentativas de saltar na Inglaterra, por causa do mau tempo, Nicholas transferiu a experiência para a África do Sul. Diante da impossibilidade de colocar seu equipamento dentro de um avião, ele prendeu-o a um balão e subiu. Ao atingir 3.000 metros, o pára-quedas foi desatrelado do balão. Em vez de despencar em queda livre, como se temia, flutuou suavemente. A última dificuldade técnica era o pouso. Aterrissar não seria problema, mas havia o risco de os 90 quilos da estrutura de lona e madeira desabarem sobre a cabeça do pára-quedista. Para evitar o perigo de ser esmagado, ao chegar a 600 metros do chão Nicholas se livrou do invento de Leonardo e recorreu a um pára-quedas comum.

 
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Museu nacional da Ciência e da Técnica Leonardo da Vinci