Edição 1 657 - 12/7/2000

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Guerra no espaço

Estados Unidos estudam sistema antimíssil
para se proteger de seus novos inimigos

Dezessete anos depois de Ronald Reagan ver engavetado seu projeto "Guerra nas Estrelas", o presidente Bill Clinton tenta emplacar um novo plano de defesa contra mísseis de longo alcance. A diferença da nova proposta é que seu escudo de defesa antimíssil é mais modesto que o de Reagan, que pretendia interceptar a saraivada de mísseis soviéticos com disparos efetuados do próprio espaço. O programa de Clinton pretende apenas deter mísseis de longo alcance lançados por países que, por enquanto, nem sequer dispõem de tais armas, como Coréia do Norte, Irã e Iraque, ou, no máximo, por meia dúzia de terroristas desvairados. O projeto do escudo antimíssil americano está orçado em 60 bilhões de dólares e poderá ser ativado, segundo as previsões do governo, em dez anos. Perto da dinheirama que Reagan pretendia gastar durante a era soviética o custo parece uma piada.

O escudo antimíssil seria composto de uma rede de quinze radares e 29 satélites que acusariam o lançamento e rastreariam o míssil inimigo a partir de três centros de comando. Os americanos teriam então pouco mais de um minuto para lançar um dos 250 mísseis previstos no projeto e atingir em cheio o alvo, neutralizando o ataque. O Pentágono, maior defensor do plano, argumenta que o país já possui tecnologia suficiente para atingir um míssil inimigo no ar. Os críticos dizem que tal tecnologia não existe e que o sistema antimíssil seria incapaz de distinguir a ogiva de uma nuvem de balões lançados pelo míssil intercontinental com objetivo de confundir os sensores de defesa. O presidente Bill Clinton tem interesse e pressa na aprovação do projeto, por ser este um ano eleitoral – e projetos como esse costumam render votos. Além disso, um relatório do Pentágono calcula que a Coréia do Norte já terá seu primeiro míssil de longo alcance, capaz de atingir os Estados Unidos, em 2005.

O mesmo estudo aponta que, apesar de um atraso em seu programa bélico, o Irã deverá atingir esse estágio em 2015. Ironicamente, o Iraque é o mais inofensivo dos três. É provável que Saddam Hussein obtenha a bomba atômica em dez anos, mas enquanto permanecer sujeito a sanções internacionais o máximo que seus mísseis podem alcançar são as areias do deserto de Negev, em Israel. Os três países vêm importando tecnologia da China e da Rússia. Inimigos eternos, Índia e Paquistão, apesar de sócios do pequeno clube dos países que possuem armas nucleares, têm mísseis de curto alcance e só representariam uma ameaça a seus vizinhos na Ásia. Os russos, os chineses – os únicos além dos americanos que têm mísseis de longo alcance – e até mesmo os tradicionais aliados americanos da Europa Ocidental não vêem com bons olhos as idéias de Clinton, que aumentaria ainda mais a supremacia militar dos Estados Unidos. Chineses e russos ameaçaram uma nova corrida armamentista, embora mal consigam dinheiro para manter seus arsenais nucleares atuais.

 
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