Guerra no espaço
Estados Unidos estudam sistema antimíssil
para se proteger de seus novos inimigos
Dezessete anos depois de Ronald Reagan ver engavetado seu
projeto "Guerra nas Estrelas", o presidente Bill Clinton
tenta emplacar um novo plano de defesa contra mísseis
de longo alcance. A diferença da nova proposta é
que seu escudo de defesa antimíssil é mais
modesto que o de Reagan, que pretendia interceptar a saraivada
de mísseis soviéticos com disparos efetuados
do próprio espaço. O programa de Clinton pretende
apenas deter mísseis de longo alcance lançados
por países que, por enquanto, nem sequer dispõem
de tais armas, como Coréia do Norte, Irã e
Iraque, ou, no máximo, por meia dúzia de terroristas
desvairados. O projeto do escudo antimíssil americano
está orçado em 60 bilhões de dólares
e poderá ser ativado, segundo as previsões
do governo, em dez anos. Perto da dinheirama que Reagan
pretendia gastar durante a era soviética o custo
parece uma piada.
O escudo antimíssil seria composto de uma rede
de quinze radares e 29 satélites que acusariam o
lançamento e rastreariam o míssil inimigo
a partir de três centros de comando. Os americanos
teriam então pouco mais de um minuto para lançar
um dos 250 mísseis previstos no projeto e atingir
em cheio o alvo, neutralizando o ataque. O Pentágono,
maior defensor do plano, argumenta que o país já
possui tecnologia suficiente para atingir um míssil
inimigo no ar. Os críticos dizem que tal tecnologia
não existe e que o sistema antimíssil seria
incapaz de distinguir a ogiva de uma nuvem de balões
lançados pelo míssil intercontinental com
objetivo de confundir os sensores de defesa. O presidente
Bill Clinton tem interesse e pressa na aprovação
do projeto, por ser este um ano eleitoral e projetos
como esse costumam render votos. Além disso, um relatório
do Pentágono calcula que a Coréia do Norte
já terá seu primeiro míssil de longo
alcance, capaz de atingir os Estados Unidos, em 2005.
O mesmo estudo aponta que, apesar de um atraso em seu
programa bélico, o Irã deverá atingir
esse estágio em 2015. Ironicamente, o Iraque é
o mais inofensivo dos três. É provável
que Saddam Hussein obtenha a bomba atômica em dez
anos, mas enquanto permanecer sujeito a sanções
internacionais o máximo que seus mísseis podem
alcançar são as areias do deserto de Negev,
em Israel. Os três países vêm importando
tecnologia da China e da Rússia. Inimigos eternos,
Índia e Paquistão, apesar de sócios
do pequeno clube dos países que possuem armas nucleares,
têm mísseis de curto alcance e só representariam
uma ameaça a seus vizinhos na Ásia. Os russos,
os chineses os únicos além dos americanos
que têm mísseis de longo alcance e até
mesmo os tradicionais aliados americanos da Europa Ocidental
não vêem com bons olhos as idéias de
Clinton, que aumentaria ainda mais a supremacia militar
dos Estados Unidos. Chineses e russos ameaçaram uma
nova corrida armamentista, embora mal consigam dinheiro
para manter seus arsenais nucleares atuais.
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