Edição 1 657 - 12/7/2000

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Inimigo externo

Diplomata e professor israelenses são
denunciados em novo caso de pedofilia

Ronaldo França

 
Otavio Magalhães/AE

Scher e Schteinberg: fotos de meninas nuas e acusação de pedofilia

Na terça-feira passada, o vice-cônsul de Israel no Rio de Janeiro, Arie Scher, embarcou no vôo 1416 da Aerolineas Argentinas, numa viagem relâmpago de volta a seu país. Não eram férias. Fugia para não ser preso. Scher é acusado de prática de pedofilia juntamente com o professor de hebraico Georges Schteinberg. Sua única bagagem era a central de processamento de dados de seu computador pessoal, arrancada às pressas do conjunto do equipamento, que nem sequer teve tempo de desligar antes de partir. A polícia do Rio de Janeiro suspeita que a memória do aparelho estava recheada de fotos de crianças nuas. Os dois foram denunciados por uma menina de 17 anos, que revelou detalhes comprometedores de seu relacionamento durante mais de três meses com os dois homens. Segundo ela, além de a fotografarem nua junto com outras menores, o diplomata e seu amigo as teriam feito participar de festas com turistas israelenses, como forma de apresentá-las para posteriores programas sexuais. O professor, empregado de dois colégios judaicos de classe média alta da Zona Sul carioca, está preso e pode ser condenado a até catorze anos de prisão. O diplomata dificilmente voltará ao país.

A imprensa israelense já o trata como vítima de uma conspiração. "Elas juravam que eram maiores de idade e estavam em minha casa com a permissão de suas mães", disse Schteinberg a VEJA na semana passada. A história tem detalhes intrincados e contradições nos depoimentos, mas não deixa dúvida quanto à sua gravidade. A exploração de menores cresce no Brasil. "O país está se tornando exportador de crianças para fins de exploração sexual", denuncia Romero Lyra, procurador do Ministério Público Estadual do Rio, especializado em casos de pedofilia. Sabe-se que as principais rotas levam para a Tailândia e Espanha. "Já há casos de ligação entre a exploração de menores, o tráfico de drogas e o roubo de cargas", afirma o presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Claudio Augusto da Silva.

Em junho deste ano, o ex-professor universitário Albino Nogueira, de 78 anos, foi preso em sua casa com uma mala recheada de fotos de crianças nuas. Nogueira negociava esse material com um americano que fazia viagens regulares ao Brasil para comprá-lo. Outro caso descoberto no mesmo mês foi o do fotógrafo Osmir Lima Neto, que está foragido. O Juizado de Menores suspeita da ligação entre Osmir, Nogueira e o cônsul Scher por causa do nome de um estrangeiro encontrado nas agendas dos três. A sucessão de casos de pedofilia demonstra que a sociedade não aprendeu a cuidar de suas crianças. "Não há ainda no Brasil a cultura da proteção à criança. A polícia dá prioridade a outros tipos de crime", afirma o juiz de menores do Rio, Siro Darlan. Existem apenas treze delegacias especializadas em proteção à criança no país inteiro. Com esse tipo de atenção ao problema, chega-se à incômoda conclusão de que o diplomata e o professor flagrados no Rio podem não ser os únicos culpados.