Inimigo externo
Diplomata e professor israelenses são
denunciados em novo caso de pedofilia
Ronaldo França
Otavio Magalhães/AE
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Scher e Schteinberg:
fotos de
meninas nuas e acusação de pedofilia
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Na terça-feira passada, o vice-cônsul de Israel
no Rio de Janeiro, Arie Scher, embarcou no vôo 1416
da Aerolineas Argentinas, numa viagem relâmpago de
volta a seu país. Não eram férias.
Fugia para não ser preso. Scher é acusado
de prática de pedofilia juntamente com o professor
de hebraico Georges Schteinberg. Sua única bagagem
era a central de processamento de dados de seu computador
pessoal, arrancada às pressas do conjunto do equipamento,
que nem sequer teve tempo de desligar antes de partir. A
polícia do Rio de Janeiro suspeita que a memória
do aparelho estava recheada de fotos de crianças
nuas. Os dois foram denunciados por uma menina de 17 anos,
que revelou detalhes comprometedores de seu relacionamento
durante mais de três meses com os dois homens. Segundo
ela, além de a fotografarem nua junto com outras
menores, o diplomata e seu amigo as teriam feito participar
de festas com turistas israelenses, como forma de apresentá-las
para posteriores programas sexuais. O professor, empregado
de dois colégios judaicos de classe média
alta da Zona Sul carioca, está preso e pode ser condenado
a até catorze anos de prisão. O diplomata
dificilmente voltará ao país.
A imprensa israelense já o trata como vítima
de uma conspiração. "Elas juravam que eram
maiores de idade e estavam em minha casa com a permissão
de suas mães", disse Schteinberg a VEJA na semana
passada. A história tem detalhes intrincados e contradições
nos depoimentos, mas não deixa dúvida quanto
à sua gravidade. A exploração de menores
cresce no Brasil. "O país está se tornando
exportador de crianças para fins de exploração
sexual", denuncia Romero Lyra, procurador do Ministério
Público Estadual do Rio, especializado em casos de
pedofilia. Sabe-se que as principais rotas levam para a
Tailândia e Espanha. "Já há casos de
ligação entre a exploração de
menores, o tráfico de drogas e o roubo de cargas",
afirma o presidente do Conselho Nacional dos Direitos da
Criança e do Adolescente, Claudio Augusto da Silva.
Em junho deste ano, o ex-professor universitário
Albino Nogueira, de 78 anos, foi preso em sua casa com uma
mala recheada de fotos de crianças nuas. Nogueira
negociava esse material com um americano que fazia viagens
regulares ao Brasil para comprá-lo. Outro caso descoberto
no mesmo mês foi o do fotógrafo Osmir Lima
Neto, que está foragido. O Juizado de Menores suspeita
da ligação entre Osmir, Nogueira e o cônsul
Scher por causa do nome de um estrangeiro encontrado nas
agendas dos três. A sucessão de casos de pedofilia
demonstra que a sociedade não aprendeu a cuidar de
suas crianças. "Não há ainda no Brasil
a cultura da proteção à criança.
A polícia dá prioridade a outros tipos de
crime", afirma o juiz de menores do Rio, Siro Darlan. Existem
apenas treze delegacias especializadas em proteção
à criança no país inteiro. Com esse
tipo de atenção ao problema, chega-se à
incômoda conclusão de que o diplomata e o professor
flagrados no Rio podem não ser os únicos culpados.