Perigo em terra
Série de assaltos mostra que até os aeroportos
deixaram de ser locais seguros no Brasil
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| Câmara de TV flagra roubo a joalheria
em Congonhas |
Uma sucessão de crimes ocorridos na semana passada acabou
com a tranqüilidade daquele que era considerado um dos últimos
redutos de segurança no país: os aeroportos. Quadrilhas
fortemente armadas fizeram ataques no Aeroporto Pinto Martins,
em Fortaleza, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e
no Aeroporto Internacional de Brasília. Num primeiro momento,
houve quem suspeitasse de ação coordenada, mas não. Para
azar dos passageiros, não se está tratando com um único
bando de marginais, mas vários.
A ação mais espetacular ocorreu na quinta-feira, em Brasília,
onde os setenta passageiros de um vôo da Vasp que fazia
a rota FortalezaSão Paulo assistiram pela janela ao
roubo de um carregamento de mais de 90 quilos de ouro. Houve
troca de tiros entre os quinze assaltantes, os seguranças
que protegiam a carga e os agentes da Polícia Federal que
trabalham no aeroporto. Quatro disparos atingiram uma asa
do avião bem perto do tanque de gasolina. Os bandidos escaparam,
levando 61 quilos de ouro, carga avaliada em 800 000 reais.
Na fuga, um malote com 24 quilos do minério foi deixado
para trás. Munidos de fuzis AR-15, os ladrões invadiram
a pista do aeroporto em dois carros no exato momento em
que o ouro era embarcado no avião. Policiais especializados
na investigação de quadrilhas dizem que em 90% dos crimes
desse tipo existe a participação de funcionários.
No Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, os bandidos fizeram
não apenas um ataque, mas três, todos na mesma semana. Numa
das ações, cinco pessoas armadas assaltaram a joalheria
que fica no saguão do aeroporto. O crime foi registrado
pelas câmaras do circuito interno de TV. Na segunda ação,
um bando de marginais invadiu o hangar da TAM para roubar
um caixa eletrônico. Os criminosos não conseguiram removê-lo
do chão. A polícia suspeita que se tratava dos mesmos trapalhões
que levaram do local um caixa de depósito completamente
vazio, três dias antes. O ataque ao Aeroporto de Fortaleza,
ocorrido na quinta-feira, também foi frustrado. Uma quadrilha
armada com fuzis e escopetas invadiu a pista do Aeroporto
Pinto Martins. Queriam assaltar um avião que transportava
dinheiro, mas chegaram tarde. A aeronave já havia decolado.
Irritado, um dos assaltantes disparou uma rajada de tiros
na cauda de uma aeronave estacionada.
Parece incrível imaginar que os bandidos tenham coragem
de atacar um local como o aeroporto –
vigiado pelas polícias Civil, Militar e Federal,
além dos seguranças da Infraero. Na opinião dos especialistas,
isso faz parte de um terrível, porém esperado, movimento
de migração da bandidagem. Houve um tempo em que a maior
parte dos assaltos realizados por quadrilhas tinha como
alvo prioritário os bancos. Como as agências bancárias estão
cada vez mais vigiadas, com sistemas de segurança cada vez
mais eficientes, assaltá-los tornou-se arriscado demais.
Muitas quadrilhas decidiram então "diversificar". O desafio
agora é criar um sistema de proteção razoável para um lugar
onde transitam milhares de pessoas todos os dias.