Edição 1 657 – 12/7/2000

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Perigo em terra

Série de assaltos mostra que até os aeroportos
deixaram de ser locais seguros no Brasil


Câmara de TV flagra roubo a joalheria em Congonhas

Uma sucessão de crimes ocorridos na semana passada acabou com a tranqüilidade daquele que era considerado um dos últimos redutos de segurança no país: os aeroportos. Quadrilhas fortemente armadas fizeram ataques no Aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e no Aeroporto Internacional de Brasília. Num primeiro momento, houve quem suspeitasse de ação coordenada, mas não. Para azar dos passageiros, não se está tratando com um único bando de marginais, mas vários.

A ação mais espetacular ocorreu na quinta-feira, em Brasília, onde os setenta passageiros de um vôo da Vasp que fazia a rota Fortaleza–São Paulo assistiram pela janela ao roubo de um carregamento de mais de 90 quilos de ouro. Houve troca de tiros entre os quinze assaltantes, os seguranças que protegiam a carga e os agentes da Polícia Federal que trabalham no aeroporto. Quatro disparos atingiram uma asa do avião bem perto do tanque de gasolina. Os bandidos escaparam, levando 61 quilos de ouro, carga avaliada em 800 000 reais. Na fuga, um malote com 24 quilos do minério foi deixado para trás. Munidos de fuzis AR-15, os ladrões invadiram a pista do aeroporto em dois carros no exato momento em que o ouro era embarcado no avião. Policiais especializados na investigação de quadrilhas dizem que em 90% dos crimes desse tipo existe a participação de funcionários.

No Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, os bandidos fizeram não apenas um ataque, mas três, todos na mesma semana. Numa das ações, cinco pessoas armadas assaltaram a joalheria que fica no saguão do aeroporto. O crime foi registrado pelas câmaras do circuito interno de TV. Na segunda ação, um bando de marginais invadiu o hangar da TAM para roubar um caixa eletrônico. Os criminosos não conseguiram removê-lo do chão. A polícia suspeita que se tratava dos mesmos trapalhões que levaram do local um caixa de depósito completamente vazio, três dias antes. O ataque ao Aeroporto de Fortaleza, ocorrido na quinta-feira, também foi frustrado. Uma quadrilha armada com fuzis e escopetas invadiu a pista do Aeroporto Pinto Martins. Queriam assaltar um avião que transportava dinheiro, mas chegaram tarde. A aeronave já havia decolado. Irritado, um dos assaltantes disparou uma rajada de tiros na cauda de uma aeronave estacionada.

Parece incrível imaginar que os bandidos tenham coragem de atacar um local como o aeroporto vigiado pelas polícias Civil, Militar e Federal, além dos seguranças da Infraero. Na opinião dos especialistas, isso faz parte de um terrível, porém esperado, movimento de migração da bandidagem. Houve um tempo em que a maior parte dos assaltos realizados por quadrilhas tinha como alvo prioritário os bancos. Como as agências bancárias estão cada vez mais vigiadas, com sistemas de segurança cada vez mais eficientes, assaltá-los tornou-se arriscado demais. Muitas quadrilhas decidiram então "diversificar". O desafio agora é criar um sistema de proteção razoável para um lugar onde transitam milhares de pessoas todos os dias.