Edição 1 657 - 12/7/2000

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A vida no topo da pirâmide

 
Antonio Milena

Daniela e César: a crônica dos ricos feita com números inéditos e relatos impressionantes

Por dificuldade de acesso, muitas vezes disfarçada de desinteresse, a vida dos ricos em qualquer sociedade sempre foi investigada com menos freqüência e profundidade pela imprensa séria do que as condições de existência dos cidadãos mais pobres. Em busca de um retrato mais nítido de quem são os ricos brasileiros, o que pensam e como gastam seu dinheiro, VEJA abriu duas frentes de trabalho. De um lado, destacou o editor César Nogueira para mergulhar nas estatísticas oficiais sobre a riqueza no Brasil. De outro, encomendou à subeditora Daniela Pinheiro uma radiografia da catedral do consumo de elite, a loja de roupas mais cara do país, a Daslu, situada num bairro residencial chique de São Paulo. Ali uma bolsa pode custar o preço de um carro do ano.

Nogueira conseguiu dados inéditos da Receita Federal sobre quantos são, quanto ganham e que profissões têm os brasileiros ricos que pagam impostos. Uma pesquisa exclusiva da Salles D'Arcy dá contornos mais reais ao quadro, mostrando o que vai pela cabeça dos donos do dinheiro. Descobre-se que, à luz das estatísticas, está na faixa do 1% mais rico da população quem tem uma renda familiar per capita acima de 2.200 reais por mês – rendimento com o qual nos países industrializados mal dá para se candidatar a uma qualificação de classe média. Daniela, por sua vez, conversou com clientes que gastam 400.000 reais por ano em roupas – um perfil de consumo milionário mesmo para os padrões das capitais mais elegantes do planeta. Com os surpreendentes dados obtidos pela dupla foi produzida a reportagem especial que começa na página 100 da presente edição. Ela é precedida por uma avaliação do papel social dos ricos brasileiros em comparação com as ações dos endinheirados de sociedades mais maduras.