A vida no topo da pirâmide
Antonio Milena
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Daniela e César: a crônica
dos ricos feita com números inéditos
e relatos impressionantes
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Por dificuldade de acesso, muitas vezes disfarçada
de desinteresse, a vida dos ricos em qualquer sociedade
sempre foi investigada com menos freqüência e
profundidade pela imprensa séria do que as condições
de existência dos cidadãos mais pobres. Em
busca de um retrato mais nítido de quem são
os ricos brasileiros, o que pensam e como gastam seu dinheiro,
VEJA abriu duas frentes de trabalho. De um lado, destacou
o editor César Nogueira para mergulhar nas estatísticas
oficiais sobre a riqueza no Brasil. De outro, encomendou
à subeditora Daniela Pinheiro uma radiografia da
catedral do consumo de elite, a loja de roupas mais cara
do país, a Daslu, situada num bairro residencial
chique de São Paulo. Ali uma bolsa pode custar o
preço de um carro do ano.
Nogueira conseguiu dados inéditos da Receita Federal
sobre quantos são, quanto ganham e que profissões
têm os brasileiros ricos que pagam impostos. Uma pesquisa
exclusiva da Salles D'Arcy dá contornos mais reais
ao quadro, mostrando o que vai pela cabeça dos donos
do dinheiro. Descobre-se que, à luz das estatísticas,
está na faixa do 1% mais rico da população
quem tem uma renda familiar per capita acima de 2.200
reais por mês rendimento com o qual nos países
industrializados mal dá para se candidatar a uma
qualificação de classe média. Daniela,
por sua vez, conversou com clientes que gastam 400.000
reais por ano em roupas um perfil de consumo milionário
mesmo para os padrões das capitais mais elegantes
do planeta. Com os surpreendentes dados obtidos pela dupla
foi produzida a reportagem especial que começa na
página 100 da presente edição. Ela
é precedida por uma avaliação do papel
social dos ricos brasileiros em comparação
com as ações dos endinheirados de sociedades
mais maduras.